Ficha do Filme

A ARTE DA CONQUISTA

(The Art of Getting By, 2011)

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DVD

BLU-RAY

Estreia

24/08/2012

Acreditando na citação que nascemos sozinhos, morremos sozinhos e tudo o mais é uma ilusão, George (Freddie Highmore) não vê sentido na vida, na escola ou em sua família. Até que ele conhece Sally (Emma Roberts) e encontra nela uma razão para ir à escola e fazer amigos. Entretanto, apesar disso, ainda não está pronto para admitir que gosta dela. O diretor da escola e professor de arte apresenta-o a um ex-aluno e artista de sucesso, Dustin (Michael Angarano), que procura orientá-lo, mas outras distrações começam a vir à tona e ele pode não ser capaz de se formar.
6
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FICHA TÉCNICA

Gênero: Drama

Direção: Gavin Wiesen

Roteiro: Gavin Wiesen

Elenco: Alicia Silverstone, Andrew Levitas, Ann Dowd, Ann Harada, Blair Underwood, Dan Leonard, Elizabeth Reaser, Emma Roberts, Freddie Highmore, Jarlath Conroy, Marcus Carl Franklin, Maya Ri Sanchez, Michael Angarano, Rita Wilson, Sam Robards, Sasha Spielberg, Sophie Curtis

Produção: Darren Goldberg, Gia Walsh, Kara Baker, P. Jennifer Dana

Fotografia: Ben Kutchins

Trilha Sonora: Alec Puro

Duração: 84 min.

Ano: 2011

País: Estados Unidos

Cor: Colorido

Estreia: 24/08/2012 (Brasil)

Distribuidora: Vinny Filmes

Classificação: 12 anos

IMAGENS

CRÍTICA

por Rogério de Moraes

Em A Arte da Conquista, o jovem George (Freddie Highmore) está quase sempre vestindo sobretudo. Em determinado momento justifica o uso insistente do traje dizendo ironicamente que gosta de camadas. Ao criar esta cena o diretor estreante – e também autor do roteiro – Gavin Wiesen entrega involuntariamente a frágil mecânica de seu filme: uma história conservadora envernizada por uma camada de cinema norte-americano independente e moderninho.

Cursando o último ano do ensino médio, George prefere desenhar e fazer reflexões sobre o sentido da vida a seus deveres escolares. Diretor e professores sabem que seu grande potencial está perto de ser desperdiçado pelo desinteresse em relação aos estudos. Como todo jovem perto do fim da adolescência, ele experimenta a crise existencial da idade, um sentimento de não-pertencimento misturado à percepção de que a vida se desloca rapidamente rumo ao futuro desconhecido.

É no meio dessa ebulição que conhece Sally (Emma Roberts), também cursando o último ano. Mas, ao contrário dele, ela não potencializa sua crise tão radicalmente. Cada vez mais próximos, desenvolvem uma amizade espontânea, porém marcada por um claro descompasso. Ele finge ser apenas um amigo, e ela, não perceber seus reais interesses. Além do sentimento complicado, George ainda precisa lidar com uma crise familiar e com a possibilidade de não conseguir se graduar.

Para emoldurar esta trama juvenil, o diretor usa alguns ingredientes de cinema independente. Há a trilha sonora de composições simples, fotografia sem muitos artifícios e câmera calculadamente vacilante em alguns planos. São elementos que conferem ao filme um frescor juvenil, de cinema despojado. E até que funcionam bem, ajudado pelo bom andamento da narrativa enxuta.

Em seu início, o longa parte de algumas premissas minimamente interessantes e traz certa contestação nascida da rebeldia juvenil. Uma resistência ingênua, naturalmente, mas ao menos sincera. Há ali a promessa de um pouco de inconformismo com o sistema, com os padrões achatados da sociedade. No entanto, no desenrolar da trama, A Arte da Conquista se rende àquilo que prometia contestar. Suas soluções para os conflitos não são apenas de conformação, mas de grande caretice. Revelam, afinal, que por baixo das camadas moderninhas, escondia-se um conservadorismo bastante comum.

Confirmando a previsibilidade de algumas ações e contaminado pela falta de ousadia em seu desfecho, o que sobra é uma história simpática. Para um filme que prometia ao menos alguma coisa fora da ordem, sua rendição à ordem é, no mínimo, decepcionante.


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