Ficha do Filme

A COR DO PARAÍSO

(Rang-e Koda, 1999)

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Mohammad tem 8 anos e é aluno numa escola para cegos em Teerã. Com a chegada das férias, ele espera passar algum tempo com as irmãs, a avó e o pai no vilarejo onde mora a família. Viúvo, o pai encontra-se com dois problemas em relação ao filho: não tem mais condições de mantê-lo na escola especial, e pretende se casar novamente e o menino deficiente é como um obstáculo para isso. Por isso, não quer que ele passe as férias em casa, mas junto a um marceneiro cego que pode tomar o menino como aprendiz. O filme gira em torno desta delicada relação entre pai e filho, dos laços de família e da sensibilidade do menino cego. Do mesmo diretor de Filhos do Paraíso.

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FICHA TÉCNICA

Gênero: Drama

Direção: Majid Majidii

Roteiro: Majid Majidi

Elenco: Elham Sharifi, Farahnaz Safari, Hossein Mahjoob, Mohsen Ramezani, Salime Feizi

Produção: Mehdi Karimi

Fotografia: Mohammad Davudi

Trilha Sonora: Keivan Jahanshahi

Duração: 90 min.

Ano: 1999

País: Irã

Cor: Colorido

CRÍTICA

por Celso Sabadin

Na Teerã dos tempos atuais, um pai desesperado (Hossein Mahjoub) não tem recursos para manter na escola especial seu filho cego, Mohammad (Mohsen Ramezanisabe), de oito anos. Sua única saída é viajar até a casa da avó (Salime Feizi), no interior, e providenciar para o garoto apenas uma instrução simples, um ofício qualquer que lhe permita ao menos sobreviver. Mas Mohammad é inteligente, tem sonhos e quer mais da sua vida.

Depois de ser indicado ao Oscar de Filme Estrangeiro com Filhos do Paraíso, o diretor e roteirista Majid Majidi volta a realizar um filme centralizado em crianças. Com a simplicidade narrativa típica das produções iranianas, A Cor do Paraíso é um triste painel sobre a ignorância e sobre a falta de perspectivas. De forma quase minimalista, o filme expõe duas formas diferentes de cegueira: a do garoto, física, que pouco ou quase nada atrapalha a vida, e a do seu pai, a da ignorância, esta sim de terríveis efeitos nocivos.

Estilisticamente, Majid se permite subverter um pouco os cânones de crueza e aridez que o público ocidental aprendeu a apreciar no cinema produzido no Irã. Flertando com uma estética melodramática, não dispensa a câmera lenta, nem alguns momentos de trilha sonora adocicada. Chega a surpreender com instantes de aventura (como a cena do cavalo sobre a ponte, por exemplo) e com momentos de intensa plasticidade, como o passeio pelos campos floridos. Mas deixa no ar um filme amargo, um incômodo recado de tristeza e desesperança.

A Cor do Paraíso foi premiado internacionalmente em Gijón, Montreal, Londres, Boston e San Diego.

22 de julho de 2002
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Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br

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