Ficha do Filme

AZUL É A COR MAIS QUENTE

(La vie d'Adèle, 2013)

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DVD

Estreia

06/12/2013

Adèle é uma garota de 15 anos que descobre, na cor azul dos cabelos de Emma, sua primeira paixão por outra mulher. Sem poder revelar a ninguém seus desejos, ela se entrega por completo a este amor secreto, enquanto trava uma guerra com sua família e com a moral vigente. Longa é baseado na graphic novel "Blue", de Julie Maroh.

9
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FICHA TÉCNICA

Gênero: Drama

Direção: Abdellatif Kechiche

Roteiro: Abdellatif Kechiche

Elenco: Adèle Exarchopoulos, Alma Jodorowsky, Aurélien Recoing, Benjamin Siksou, Catherine Salée, Fanny Maurin, Jérémie Laheurte, Léa Seydoux, Mona Walravens, Salim Kechiouche, Sandor Funtek

Produção: Genevieve Lemal

Fotografia: Sofian El Fani

Montador: Albertine Lastera, Camille Toubkis, Ghalia Lacroix, Jean-Marie Lengelle

Duração: 173 min.

Ano: 2013

País: França

Cor: Colorido

Estreia: 06/12/2013 (Brasil)

Distribuidora: Imovision

Estúdio: Quat'sous Films / Wild Bunch

Classificação: 18 anos

EXTRAS

» Locação

- Sem extras

- Formato de tela: 16:9 Widescreen Anamórfico

- Áudio: Francês

- Legendas: Português

IMAGENS

CRÍTICA

por Roberto Guerra

Certos filmes carregamos com a gente depois de deixarmos a sala de cinema. São aqueles que ficam ecoando em nossas mentes por horas, dias e até meses. Este longa francês, vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes, está comigo há alguns dias. Menos por sua trama e mais pelo impressionante trabalho de sua atriz principal, a francesa de ascendência grega Adèle Exarchopoulo.

Sua personagem em Azul é a Cor Mais Quente tem seu nome. Adèle é uma bela jovem francesa de classe média que acompanhamos o cotidiano aos poucos. Nada no filme do roteirista e diretor Abdellatif Kechiche é pressuroso, as sequências são longas e o filme também – tem quase três horas de duração.

Participamos da vida diária da personagem como um voyeur. Estamos em seu quarto vendo-a acordar, vamos com ela pegar o ônibus para o colégio, jantamos em sua mesa e participamos de suas rodas de conversa.

Para acentuar o voyeurismo o diretor trabalha quase que todo tempo com planos fechadíssimos, o que incomoda a certa altura. A câmera está sempre sondando Adèle, tentando arrancar dela algo mais do que seu dia-a-dia nos permite enxergar. Seu rosto, propositalmente, revela pouco. E o que começa a nos instigar não é o que vemos expresso nele, mas o que não vemos.

Pelos olhos de Adèle, sempre sob close, percebemos que alguma coisa está errada. Há nela um desinteresse pela vida, uma atitude blasé diante da própria existência. É como se tivesse constantemente vagando em pensamentos (quais seriam eles?), operando em outra frequência. Mesmo quando conhece um rapaz, Thomas (Jérémie Laheurte ), não consegue mostrar entusiasmo. Após uma transa, seu olhar vazio pós-coito denuncia sua incompletude.

A fagulha que desperta Adèle de sua letargia é um encontro casual ao atravessar uma rua. No caminho oposto há uma jovem de cabelos pintados de azul que cruza seu olhar. Um flerte para a desconhecida, uma troca de olhares desconcertante para Adèle. À noite, sozinha na cama, ela se masturba imaginando a misteriosa jovem dos cabelos azuis sobre ela.

Daí em diante começamos a explorar o complexo processo que vai tirar Adèle de sua concha, ou armário para ser mais atual. Ela volta a reencontrar a moça de cabelos azuis, desta vez num bar de lésbicas. Seu nome é Emma (Léa Seydoux), estudante de artes. As duas conversam, se encontram outras tantas vezes, até que um romance ardente explode. Uma relação na qual o sexo tem peso considerável, o que o diretor faz questão de reforçar com os seis minutos de duração que dedica à primeira cena íntima do casal – sexo explícito, que fiquei claro.

O romance se solidifica e vão morar juntas. Emma começa a realizar seus sonhos como artista plástica. Adèle idem, indo trabalhar como professora de crianças. Ema, assim como todos os outros personagens do filme, tem sua personalidade e dimensão bem claras. Adèle continua sempre uma grande incógnita para o espectador. Assistimos à sua maturação emocional e psicológica, mas ao mesmo tempo temos dúvidas sobre o quanto esta jovem verdadeiramente se encontrou.

Adèle é uma personagem que se mostra tão pouco que somos obrigados a pressupor o que se passa em seu interior sem jamais termos certeza de nada. Esse mistério é sem dúvida o grande atrativo de Azul é a Cor Mais Quente, que seria impossível de se alcançar sem o talento espantoso de Adèle Exarchopoulo. A atriz consegue transformar sentimento, emoção e dor em algo quase palpável para a audiência. Uma bela que agoniza diante de nossos olhos.

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