Ficha do Filme

CIDADE DE DEUS

(Cidade de Deus, 2002)

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DVD

Estreia

30/08/2002

O longa conta a história de dois meninos - Buscapé (Alexandre Rodrigues) e Dadinho/ Zé Pequeno (Leandro Firmino da Hora)-, durante a ocupação do conjunto habitacional Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Enquanto o primeiro consegue resistir ao apelo de se tornar bandido e vira fotógrafo, o outro se transforma no mais temido bandido do Estado. O filme de Fernando Meirelles conta basicamente com um elenco formado por amadores, sendo Matheus Nachtergaele, que interpreta o traficante Sandro Cenoura, um dos poucos atores profissionais da produção. Os demais integrantes foram selecionados em diversas comunidades cariocas para dar maior veracidade à história.
8
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FICHA TÉCNICA

Gênero: Drama

Direção: Fernando Meirelles, Kátia Lund

Roteiro: Bráulio Mantovani

Elenco: Adão Xalebaradã, Alex dos Santos, Alexander Cerqueira, Alexandre "China" Tavares, Alexandre Rodrigues, Alice Braga, Anderson Bruno Marques, Anderson Faria, Anderson Lugão, André Luiz Mendes, André Pires Martins, Antoni Guedes, António Rodrigues, Arlindo Lopes, Babu Santana, Bartolomeu Braga, Bernardo Santos, Bruno Ricardo, Carlos 'Lencinho' Smith, Carlos Henrique Avernas, Carol Meirelles, Charles Paraventi, Charles Samuel, Christian Duurvoort, Cláudio César, Cleiton Ventura, Damião Firmino, Daniel Zettel, Danielle Ornelas, Darlan Cunha, Delano Valentim, Denise Fonseca, Diego Batista, Diego Ferreira, Diego Mendes, Douglas Silva, Ed Money, Éder Júlio Martins, Edson Montenegro, Edson Oliveira, Eduardo "BR" Piranha, Edward Boggiss Lustosa, Emerson Gomes, Erick Oliveira, Euclides Garcia, Fabiano Gonçalves, Fábio "Dog" da Cunha, Fábio Castor Conceição, Felipe Nogueira, Felipe Porto, Felipe Silva, Felipe Villela Mendonça, Francisco Marcos, Frederico Lins, Gero Camilo, Gil Torres, Graziela Moretto, Guilherme Estevam, Guilherme William, Gustavo Engrácia, Guti Fraga, Harlem Teixeira, Ivan Martins, Jefechander Suplino, Jéssica da Silva, João Soares, John Lima, Jonas Michel, Jonathan Haagensen, Jota Farias, Júlio César Siqueira, Karina Falcão, Leandra Miranda, Leandro Dias Batista, Leandro Firmino, Leandro Gonçalves, Leandro Lima, Leandro Lucas, Leiz Moreira, Leo Generoso, Leonardo Melo, Luciana Roque, Lucio Andrey, Luis Carlos Oliveira, Luis Carlos Rodrigues Oliveira, Luís Nascimento, Luis Otávio, Luiz Carlos Ribeiro Seixas, Marcello "Máscara" Alves, Marcello Costa, Marcello Melo Jr., Marcelo António Santos, Marcelo Araújo, Marcelo Melo, Márcio Costa, Marcio Vinicios, Marcos "Kikito" Junqueira, Marcos Coutinho, Marcos Viana, Marina Mandonça Pinheiro, Mário Luiz Costa Oliveira, Mary Sheila, Matheus Nachtergaele, Maurício Figueiras, Maurício Marques, Micael Borges, Michel de Souza, Michele Gonçalves, Nelson Amaral, Olivia Araújo, Omar "Mazinho" Barcelos, Otto Amorim, Paulo "Jacaré" César, Paulo Lins, Peter Soares, Phellipe Haagensen, Pierre dos Santos, Rafael de Castro, Rafael de Souza, Rafael Fontenele, Ramon Francisco, Renan Monteiro, Renato de Souza, Ricardo Lira, Ricardo Rocha da Silva, Roberta Rodrigues, Roberto Miguez, Robson Rocha, Rómulo 'Guinomo' Sech, Rosangela Rodrigues, Rubens Sabino, Ruy Vitório, Sabrina Rosa, Sérgio Bispo, Seu Jorge, Thiago Martins, Thiago Wallace, Vinicius Faria, Wagner Mello, Waldeck Roque, Wallace Araújo, Wallace Nascimento, Wanderson 'Petão' Lopes, Wellington Costa Ricardo, Wemerson Gonçalves, Wendel Barros, Yuri Krushewsky

Produção: Andréa Barata Ribeiro, Maurício Andrade Ramos

Fotografia: César Charlone

Trilha Sonora: Antonio Pinto, Ed Côrtes

Duração: 130 min.

Ano: 2002

País: Brasil

Cor: Colorido

Estreia: 30/08/2002 (Brasil)

Distribuidora: Miramax Films

Estúdio: Hank Levine Film / O2 Filmes / VideoFilmes

Classificação: 16 anos

Informação complementar: Baseado em livro de Paulo Lins

IMAGENS

CRÍTICA

por Celso Sabadin

Teria finalmente surgido o grande filme brasileiro do ano? A julgar pelas primeiras reações, tudo indica que sim. Forte, vigoroso, energético, Cidade de Deus chega prometendo polêmica e - melhor - filas nas portas dos cinemas.

Exibido fora de competição no Festival de Cannes, o filme centraliza sua narrativa na figura de Buscapé (Alexandre Rodrigues), um jovem pobre, negro e muito sensível. A favela onde ele vive é um verdadeiro caldeirão de violência dominado pelo tráfico e pela criminalidade. Mesmo cercado pelas drogas e pela bandidagem, Buscapé consegue a proeza de não se tornar um marginal, ao conseguir um emprego de fotógrafo. Um fotógrafo que vai retratar como poucos toda a dor e o inferno desta cidade ironicamente chamada "de Deus".

Mas Buscapé é apenas um entre as centenas de moradores do lugar. E também apenas um entre as dezenas de personagens criadas pelo escritor Paulo Lins em seu livro homônimo que inspirou o filme. Talvez "personagens" não seja a melhor palavra, já que a obra de Lins é tristemente baseada em fatos pra lá de reais. A situação, de uma maneira geral, todos conhecem, nem que seja pela imprensa: miséria quase absoluta, jogos de poder, corrupção policial. Mas que ninguém espere de Cidade de Deus apenas mais um blá-blá-blá social como tantos já feitos. Nada disso. O filme é vibrante. Utiliza-se de todas as ferramentas cinematográficas disponíveis para traçar um triste e amplo painel dos excluídos. Sem mocinhos, nem bandidos: apenas excluídos. Cada qual com a sua motivação, suas razões, suas formas de encarar a vida. Se é que isso pode ser chamado de vida.

Completamente diferente da favela cenográfica de Orfeu, as vielas da Cidade de Deus são reais. Ultra-reais. E habitadas por crianças e jovens recrutados em subúrbios cariocas que por algumas semanas se transformaram nos atores do filme. Interpretando, praticamente, a si próprios. Foram mais de duas mil entrevistas, mas o esforço valeu a pena: o elenco é de marejar os olhos.

A direção de Fernando Meirelles (do excelente Domésticas, o Filme) e de Katia Lund chega a impressionar. Eles não poupam cortes, montagens alucinantes, câmeras tão nervosas quanto o próprio tema do filme e até efeitos visuais que chegam a lembrar Matrix.

São mais de duas horas de projeção que prendem o espectador na poltrona do cinema. Um filme que arrepia, faz pensar e abre novas formas de se ver um problema tão antigo e tão cercado de preconceitos e lugares-comuns.

Imperdível.

29 de agosto de 2002
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Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br

Prêmios e Indicações


» Em 2004, foi indicado aos Oscars de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Fotografia e Melhor Edição;
» Em 2003, foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro;
» Em 2003, conquistou o Bafta Film Awrd de Edição e foi indicado ao de Melhor Filme Estrangeiro;
» Em 2004, foi indicado ao Independent Spirit Awards de Melhor Filme Estrangeiro.

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CURIOSIDADES

Todos os atores amadores foram selecionados em favelas no Rio de Janeiro. Algum deles, como Alexandre Rodrigues, viveram de verdade em Cidade de Deus;
Quando Mané Galinha mata alguém pela primeira vez e é parabenizado por alguns moradores da Cidade de Deus, a primeira mulher que fala com ele é feita pela mãe do verdadeiro Mané Galinha;
O diretor Fernando Meirelles disse, certa vez, que se soubesse dos perigos reais em gravar na favela, ele nunca teria feito o filme;
Na versão em inglês, Mané Galinha Virou Knockout Ned. O motivo da mudança é que Chicken (como seria na tradução literal), nos EUA, daria uma conotação de covardia ao personagem. Logo, utilizaram Knockout com o sentido de beleza, comparando com Zé Pequeno,
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