18/01/2012 20h01
DOIS COELHOS
Nota Cineclick
Roberto Guerra
Dois Coelhos Para os espectadores que vão ao cinema assistir a Dois Coelhos estimulados pelo trailer do filme repleto de cenas de ação, segue um aviso importante: prestem atenção na história. Vocês já saberão o porquê. Antes, relaxem. O clipe não vende gato por lebre (ou coelho, no caso). O longa é de fato movimentado, cheio de  tiroteios, perseguições, explosões e desenvolvido de forma empolgante e dinâmica. Só que tudo isso está inserido numa trama fragmentada, cheias de idas e vindas e, caso o espectador não fique atento, pode perder o fio da meada.

Em resumo, o enredo de Dois Coelhos é centrado no personagem Edgar (Fernando Alves Pinto). Ele encontra-se em situação semelhante a de muitos brasileiros: espremido entre a criminalidade, que age impunemente, e o poder público, que só funciona galvanizado pelo dinheiro da corrupção. Cansado da situação, resolve se redimir de um erro do passado e, ao mesmo tempo, fazer justiça com as próprias mãos. Para isso, elabora um plano que colocará criminosos em rota de colisão com políticos gananciosos. Na medida que seu plano é executado, descobrimos pouco a pouco suas reais intenções e sua história, marcada por um terrível acidente e uma arrebatadora história de amor.

O longa é um thriller de ação com trucagens e efeitos de pós-produção que o espectador está mais do que habituado a ver, mas não com atores brasileiros e diálogos em português. Nomes consagrados como Guy Ritchie, Quentin Tarantino e Christopher Nolan serviram de parâmetro para o estreante Afonso Poyart realizar um filme jovem e moderno ambientado na capital paulista.

O problema é que ser jovem e moderno hoje significa dar ao filme cortes rápidos e linguagem de videoclipes. Essa velocidade “obrigatória” acaba por prejudicar o desenvolvimento da trama. O plano de Edgar de colocar criminosos indo de encontro a políticos corruptos – e tudo o que se esconde por trás disso – tem seu entendimento ameaçado pelo desenrolar frenético do filme. O humor acaba responsável pelo alívio, a pausa, a respirada que a montagem não trás. Por outro lado, este mesmo humor é bem-vindo para ajudar a compor a identidade nacional do filme.

Não à toa, pedi no início do texto para o espectador prestar atenção à história. Se não se perder nas muitas idas e vindas da trama e seu sem número de informações visuais, vai matar dois coelhos com uma cajadada só: assistir a um filme com bons efeitos e muita ação e desfrutar de uma produção empolgante e de desfecho explosivo (e o "explosivo" aqui não é mera força de expressão).

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ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Bom Senso - 18/02/2012 22:22
Acho que foi só você, filho! Nunca vi um elenco secundário atuar tão bem. Os efeitos estão ótimos. A trilha sonora. O roteiro com suas reviravoltas. Se está acostumado com filmes que tenha o elenco da Globo, ficam em casa vendo novela. O José Mayer passa todo dia.
beatriz - 10/02/2012 11:38
nossa é muito da hora
lima - 01/02/2012 09:27
Filme séria, ótimo roteiro e atores de primeira! Tem gente que vê tanta porcaria "americana" que perde o senso, é o caso so Sr. Tinoco." Vá pro Canadá"
Tinoco - 01/02/2012 09:21
Será que só eu sai do cinema achando uma grande M? Talvez as cenas e efeitos espalhafatosos tenham impresionado o grande público, mas não a mim.A mistura de montagens virtuais como as cenas em que a menina tem sindrome do pânico pra mim eram engraçadas de tão ridiculas.Fora as piadas forçadas com um dos bandidos coadjuvantes.
Enfim, tentar capturar Tarantino com um elenco fraco deste ficou muito abaixo do esperado.
Valeu a tentativa e ilustraram bem São Paulo, mas deram complexidade 0 aos personagens que são tacados para nós por seus atos.