22/01/2012 20h01
OS DESCENDENTES
Nota Cineclick
Roberto Guerra
Os Descendentes Os Descendentes é um belo exemplo de como fazer bom cinema usando o cotidiano das pessoas como matéria-prima. Honesto e realista, consegue fazer rir e chorar sem recair nos lugares-comuns típicos dos filmes do gênero drama familiar.

São 117 minutos de um trabalho eficiente versando sobre a condição humana e a capacidade nossa de encontrar humor e alento diante das mais atrozes adversidades. Um filme sobre resistência, sobre o ímpeto de ir adiante apesar dos inevitáveis (e muitas vezes inexoráveis) revezes da vida. Por isso, fica impossível não se identificar com as emoções vividas pelos personagens, que conquistam o espectador desde o começo da projeção.

Logo no início somos apresentados ao cotidiano de Matt King (George Clooney, seguro e eficiente) por ele mesmo. Trata-se de um pai e marido que sempre se dedicou ao trabalho e agora precisa encarar uma tragédia familiar, que acaba se tornando mais complicada do que ele imaginava. Em paralelo, Matt também é responsável pela venda de um grande terreno herdado por seus antepassados, descendentes da realeza do Havaí.

O modo como a personagem de Clooney vai lidando com as adversidades é uma lição de sutileza cinematográfica. O diretor Alexander Payne (de A Eleição e Sideways - Entre Umas e Outras) é um maestro na arte de trafegar com eficiência entre as fronteiras da comédia e drama. Por vezes o espectador se vê diante de momentos do filme que não sabe se o melhor é rir ou chorar. Assim como na vida, afinal. O interessante é ver que Os Descendentes vem ganhando aprovação da crítica e do público ao redor do mundo contando uma história distante dos grandes dramas que costumam amealhar prêmios e agradar os especialistas. Payne optou por contar uma pequena história, mas não menos comovente e pungente. E o fez com rara eficiência.

A trama de Os Descendentes é conduzida por seus personagens. É neles que está a história. Assistimo-os aprendendo a lidar com a dor, com o momento de dizer adeus, com a perda. Vivemos esse filme através deles e suas idiossincrasias. Clooney é a estrela do filme, conduzindo seu papel com destreza e comedimento e abrindo espaço para os outros brilharem. Em especial a jovem atriz Shailene Woodley, como sua filha de 17 anos, uma rebelde aparentemente sem causa, mas que o espectador descobre ter razões para o ser.

Payne sintetiza a diversidade e complexidade do ser humano em seu trabalho, sem dúvidas o mais maduro dos seus filmes em clareza narrativa. Um longa inspirador a mostra que não basta ter uma boa história em mãos, é preciso saber transformá-la em experiência de cinema. E Alexander Payne, insdiscutivelmente, soube.

BUSCA DE CRÍTICAS OK
ÚLTIMOS COMENTÁRIOS
Helena - 17/02/2012 14:51
Não é um filme ruim. Mas também não vale o ingresso. Espere sair em DVD... melhor, espere passar na tv, não perderá nada. Isso só mostra que a Academia não deve ter muitas opções disponíveis.
Raphael Gama - 15/02/2012 00:57
O pessoal que não gostou do ritmo do filme deveria esperar para ir no cinema na estréia de Transformers 4. Escrevi crítica para este e os outros indicados os Oscar no meu blog, confiram!! http://raphaelgama.blogspot.com
Jose - 12/02/2012 20:42
Uma bela porcaria, impressionante como o Clooney se meteu nessa furada, chato demais esse filme.
jeremias - 11/02/2012 13:37
Esse Carlos deve ser um cara altamente ativo, daqueles que tomam energéticos e estimulantes o tempo inteiro, para não ter a menor sensação de que a vida possa ter momentos de sutil análise e aprendizado com seu curso normal, a exemplo dos observados no filme. É de se admirar ele "perdendo" tempo indo a uma sala de cinema.