Críticas

Veja o que esperar das novidades nas telonas e estreias com os comentários da nossa equipe especializada.

TERAPIA DE RISCO

(Side Effects, 2013)

Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa
15/05/2013 18h15
por Daniel Reininger

O mais recente filme de Steven Soderbergh é um thriller intenso e inteligente, com clara inspiração em Hitchcock e elementos de sua própria obra. Terapia de Risco não é seu melhor trabalho, porém, quando se fala de um dos diretores mais intrigantes da atualidade, já se espera uma produção de qualidade.

O longa começa homenageando o clássico Psicose com uma tomada aérea de Nova York até encontrar um apartamento com uma trilha de sangue. Falar demais da trama seria estragar as surpresas, então basta saber que Terapia de Risco começa com Emily (Rooney Mara) visitando seu marido Martin (Channing Tatum) na prisão. Ele será liberado no dia seguinte, mas a garota dá sinais profundos de depressão. Com o homem em casa, ela joga seu carro contra uma parede e o Dr. Jonathan Banks (Jude Law) aparece para averiguar a tentativa de suicídio.

Assim começa um complexo drama sobre abuso de drogas controladas, depressão e poder das indústrias farmacêuticas. São temas complicados que mostram os perigos potenciais de remédios receitados indiscriminadamente por médicos patrocinados por corporações gigantescas e diante de pacientes facilmente manipuláveis pela mídia. Por esse começo pesado, é difícil não se decepcionar quando a produção dá uma guinada para o suspense noir.

Isso não impede Terapia de Risco de funcionar bem também como thriller nos moldes de Hitchcock. Seus personagens são intensos e o clima de opressão construído aos poucos deixa tudo mais interessante. Ainda assim, o roteiro tem falhas e do meio para o final algumas situações são mal exploradas e ficam difíceis de acreditar dentro do contexto realista apresentado até então, sem falar no clímax extremamente explicativo.

Mesmo com esses problemas, o filme possui boas surpresas, como a atuação de Rooney Mara. Após seu criticado desempenho na versão americana de Millennium - Os Homens Que Não Amavam As Mulheres, a atriz prova saber interpretar quando bem comandada. Sua personagem é extremamente perturbada e misteriosa, capaz de instigar a curiosidade do espectador a cada cena.

O longa é esteticamente muito atraente. A câmera pinta cenários que parecem terem saído de sonhos, mesmo se mantendo todo o tempo em Nova York. A montagem é ótima e ajuda a construir o clima de opressão. Sem falar na fotografia fria, com fortes contrastes de luz e sombra e efeito dramático. A trilha sonora composta por Thomas Newman aprofunda a depressão e ajuda a compor o cenário.

É impossível não ver Terapia de Risco como uma coleção de momentos da carreira de Soderbergh. Temos a tensão interpessoal de Sexo, Mentiras e Videotape, as reviravoltas estilo Onze Homens e um Segredo, a luta de uma única pessoa contra o sistema como vimos em Erin Brockovich, e, finalmente, a loucura, tema recorrente em suas obras, como Kafka.

Esses elementos proporcionam um tom de nostalgia ao longa, que poderia ser muito melhor caso seguisse um caminho mais claro desde o início e evitasse surpresas desnecessárias e nem sempre lógicas. Ainda assim, a obra é capaz de divertir e deixar o espectador com a pulga atrás da orelha.

Daniel Reininger

Coordenador

Fã de cultura pop, gamer e crítico de cinema, é o coordernador do Cineclick.

FAVORITAR

crítica NÃO FAVORITADA

COMPARTILHE:

COMENTAR

comments powered by Disqus
Parceiro R7