Ficha do Filme

ESPAÇOS INACABADOS: A HISTÓRIA DA ESCOLA DE ARTES DE CUBA

(Unfinished Spaces, 2011)

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Em 1961, Ricardo Porro, Vittoria Garatti e Roberto Gottardi, três arquitetos jovens e visionários, foram convocados por Fidel Castro e Che Guevara para criar o projeto da Escola Nacional de Artes de Cuba. Dançarinos, músicos e artistas de todo o país se mudaram para Havana para estudar, mas quando o sonho da revolução perdeu espaço para a realidade, as contruções foram interrompidas e o projeto foi considerado irrelevante no clima político reinante. Mais de quarenta anos depois, a escola ainda está ativa, mas permanece inacabada e em decadência. Castro convidou os três arquitetos exilados de volta ao país para terminar o seu sonho inacabado.

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FICHA TÉCNICA

Gênero: Documentário

Direção: Alysa Nahmias, Benjamin Murray

Produção: Alysa Nahmias, Benjamin Murray

Fotografia: Benjamin Murray

Trilha Sonora: Giancarlo Vulcano

Duração: 86 min.

Ano: 2011

País: Estados Unidos

Cor: Colorido

Estúdio: Ajna Films

IMAGENS

CRÍTICA

por Roberto Guerra

A melhor maneira de avaliar um período histórico é o distanciamento temporal. Não se ajuíza com isenção quando se está no turbilhão dos acontecimentos. Mais de 50 anos após a Revolução Cubana, diversos documentários realizados nos últimos anos têm esquadrinhado o movimento que derrubou o ditador Fulgêncio Batista e seus personagens centrais, promovendo visão dos acontecimentos que nos ajuda a entender os fatos com clareza impraticável décadas atrás. Muitos desses filmes concentram-se em histórias adjacentes e, desta forma, conseguem pinçar, nos seus detalhes, aspectos relevantes do período.

É assim com o filme Espaços Inacabados: A História da Escola de Artes de Cuba, produção norte-americana dirigida a quatro mãos pelos estreantes Benjamin Murray e Alysa Nahmias. O documentário faz mescla bem azeitada de arte, história e política em trabalho capaz de agradar a pessoas interessadas em qualquer um desses assuntos. Trata da construção da belíssima Escola de Artes de Cuba, comandada pelos arquitetos Ricardo Porro, Roberto Gottardi e Vittorio Garatti a mando de Fidel Castro, que desapropriou o gigante terreno do Clube de Golfe de Havana, templo dos endinheirados da era Batista, e o cedeu para servir de espaço para "a maior escola de arte do mundo", segundo palavras do revolucionário à época.

Vivia-se, então, a época romântica da revolução. Imagens de arquivo reunidas pelos documentaristas mostram a efervescência nas ruas, a alegria do povo e o espírito de otimismo que tomava conta de todos. Foi imbuído dessa empolgação que Porro assumiu, em 1961, o grandioso projeto que Castro queria que ficasse pronto em tempo recorde. O jovem arquiteto cubano, que fugira para a Venezuela durante a ditadura de Batista, convocou os italianos Garatti e Gottardi, que conhecera na Venezuela, para assumir o intento a seu lado.

Cada um assumiu um prédio específico: Porro criou o de artes plásticas e dança moderna; Garatti ficou responsável pelos que abrigam balé e música; Gottardi desenhou o edifício de artes cênicas. Como o embargo norte-americano reduziu o uso de aço e cimento, privilegiou-se o tijolo, tanto nos muros quanto nas coberturas. Mesmo ainda inacabado, o complexo entrou em funcionamento atraindo estudantes entusiasmados dos quatros cantos de Cuba.

A euforia durou pouco. Sob influência das ideologias em volga na União Soviética, de quem passou a depender economicamente, o regime cubano deixa a escola inacabada e passa a perseguir os arquitetos que a construíram e também seus estudantes. Che Guevara assume papel de destaque nesse processo ao militarizar o espaço e expulsar todos os alunos gays. Artistas e intelectuais passam a ser vistos pelo regime como potenciais inimigos e se impõe no país a arquitetura estéril dos edifícios pré-fabricados soviéticos.

Um dos grandes méritos de Espaços Inacabados é não tomar posição política, deixando a percepção dos acontecimentos a cargo do espectador. Por meio da história da Escola de Artes de Cuba consegue-se um entendimento aprofundado dos vários momentos políticos pelos quais tem passado Cuba ao longo do mais de 50 anos de ditadura castrista, Incluindo o tempo presente onde vemos Fidel assumir publicamente que a escola sempre foi sua menina dos olhos. Nos anos 2000 ele libera recursos para seu restauro, deixando claro que fez vistas grossas a seu processo de destruição em nome de interesses políticos mais prementes em épocas passadas.

No filme, Nahmias e Murray conseguem captar a dimensão estética desses espaços inacabados, a dedicação pessoal e amor artístico de seus realizadores e as complexidades políticas e ideológicas de um período em que lideranças acreditavam estar fazendo o bem, quando, na verdade – e o distanciamento temporal nos permite avaliar isso com isenção hoje –, estavam na mão oposta.


SESSÕES DA MOSTRA

Espaços Inacabados: A História da Escola de Artes de Cuba

19/10 - Matilha Cultural (16h)
20/10 - Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca 5 (16:20)
26/10 - Espaço Itaú de Cinema - Frei Caneca 6 (17h50)
28/10 - Espaço Itaú de Cinema - Augusta 3 (21:20)
31/10 - FAAP (19h)




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