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AS AVENTURAS DE PEABODY & SHERMAN

(Mr. Peabody & Sherman, 2014)

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28/02/2014 19h33
por Daniel Reininger

Sonho antigo do diretor de O Rei Leão, Rob Minkoff, As Aventuras de Peabody e Sherman adapta o desenho animado exibido originalmente durante As Aventuras de Alceu e Dentinho na década de 60, aquele estrelado por um esquilo voador e seu amigo alce. O divertido longa-metragem encanta já pela premissa: não é o garoto que adota um cachorro e sim o contrário, dando origem a uma amizade profunda que leva os protagonistas a uma jornada pela história.

O cachorro Peabody é um dos seres mais inteligentes do mundo, vencedor do prêmio Nobel e gênio inquestionável. Quando encontra um bebê abandonado na rua decide adotá-lo. Como grande cientista, o cão inventa uma máquina do tempo e resolve usá-la para ensinar lições históricas e científicas a seu filho Sherman. Quando o garoto se envolve em uma confusão na escola, as coisas fogem do controle e a aventura começa de verdade, mas as consequências podem ser catastróficas.

O longa faz uma abordagem contemporânea da história original e adiciona drama na relação pai e filho, levantando questões sobre a capacidade de um cão criar o garoto. Além disso, introduz Penny, colega de classe de Sherman e menina rica bastante desagradável, que instiga os eventos que levam o trio a locais como Tróia, Itália renascentista e Egito antigo. Embora o longa seja corrido e não desenvolva tão bem os personagens, uma cena ambientada em Florença mostra o começo de uma amizade de forma tão simples e completa que compensa a falta de profundidade.

A animação pode não ter as mesmas tiradas inteligentes e sequências impressionantes de Uma Aventura Lego e, às vezes, exagera na tentativa de parecer inteligente quando na verdade não é, mas diverte com situações estranhas envolvendo personalidades históricas, como Leonardo Da Vinci. Além disso, o diretor consegue encher a tela de ação de forma que a criançada nem percebe que está aprendendo sobre eventos históricos, personalidades e ciência - e não existe melhor jeito de ensinar.

Apesar disso, o filme faz algumas escolhas estranhas de humor. Inicialmente parece ser voltado apenas para as crianças pequenas, até que piadas específicas para adultos começam a aparecer. Esse estilo de comédia em animações, com piadas para públicos diferentes, não aparecia há algum tempo em produções da Dreamworks. Até funciona, mas é uma forma preguiçosa de agradar crianças e pais sem precisar atingir a todos simultaneamente, como Frozen - Uma Aventura Congelante e Lego fazem muito bem.

Além disso, outro problema da produção é a facilidade com que os protagonistas resolvem problemas. Eles nunca parecem estar em real perigo, pois Sr. Peabody sempre tem a solução para tudo. Isso tira parte da magia da trama e oportunidades de grandes momentos são desperdiçadas, porém dificilmente as crianças vão reparar nesse detalhe.

Outra questão incômoda é o design simplista dos personagens, bem diferente do que Pixar e Dreamworks têm feito recentemente. Sr. Peabody não parece ser coberto de pelos caninos e sim de algum tecido similar ao feltro. Esse aspecto foi escolha equivocada do diretor para lembrar o clássico dos anos 60, tanto que cenários e efeitos são magníficos em comparação, com cores fortes e brilhantes, texturas complexas e sequências de ação espetaculares - esses sim de alta qualidade técnica.

As Aventuras de Peabody e Sherman agrada pela abordagem divertida da viagem do tempo, embora não explore o tema tão bem quanto clássicos como De Volta Para O Futuro. Mesmo assim, o longa deve conquistar especialmente aos fãs de ficção científica e aventura e é boa opção para todos os públicos. Aos pais, é chance única de levar os filhos para se divertirem e ainda aprenderem uma lição ou duas.

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