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CAPITALISMO: UMA HISTÓRIA DE AMOR

(Capitalism: A Love Story, 2009)

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09/04/2010 09h00
por Heitor Augusto
O Oscar em 2003 para Tiros em Columbine fez com que Michael Moore se tornasse uma figura popular no meio cinematográfico. Depois, sua montagem agressiva foi contestada e, com a passagem dos anos, os filmes e o documentarista se confundiram. Antes mesmo de assistir a qualquer coisa sua, muitas pessoas já soltavam um “urgh!” só de ouvir o nome do diretor.

Vencida a resistência inicial e tendo muito claro em mente que Moore nunca se esquivou de assumir que, no processo de edição, sempre deixa muita coisa de fora para não atrapalhar sua tese, Capitalismo: Uma História de Amor reforça o seu talento como contador de histórias. Seu filme é envolvente, contundente e militante.

Concordo com a avaliação de Amir Labaki, diretor do É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários: a saída de Bush da Casa Branca após oito anos fez bem a Moore. Seu cinema está muito mais engraçado e a ironia não surge apenas na narração. A música e o texto dão um ritmo absurdamente leve a um filme que fala “apenas” do capitalismo.

Eis o que o documentário se propõe a discutir: quais foram as razões para o colapso do sistema financeiro em 2008? Como seus filmes anteriores, Capitalismo: Uma História de Amor tem mais respostas do que perguntas. Aliás, respostas muito pertinente.

Uma delas, o arrocho da política fiscal, aplicado a toque de caixa a partir da administração Reagan (1981-89). Falta de regulação do Estado, um terreno fértil para que as operações do sistema financeiro se tornassem ainda mais complexas e carta branca para as grandes corporações, especialmente os bancos, aumentarem a fortuna.

O filme também faz um feliz paralelo com o reforço da classe média nos anos 40 e 50 e como as pequenas conquistas foram destruídas pouco a pouco. Moore também não esquece de dar uma cutucada no engodo vendido pela propaganda de empresas de crédito e refinanciamento de imóveis.

Mas se engana quem acha Capitalismo: Uma História de Amor um mero apanhado histórico, um filme didático ou material de apoio para sala de aula. Além do tom punk “faça você mesmo”, regado a música, ativismo e ironia, há duas características marcantes na produção.

A primeira é a cara de pau do cineasta em colocar na prática algo que tinha ficado no discurso. Se Obama foi à televisão para dizer “queremos o nosso dinheiro de volta”, o que Moore fez? Bateu na porta dos bancos para levá-lo, ora pois! Essa ousadia é um ótimo ingrediente para um filme tão crítico à leniência com Wall Street. O ridículo funciona da maneira inversa e expõe o absurdo.

O segundo grande mérito do cineasta é entrar tão fundo na cultura americana de maneira simples. Exemplo disso é como ele se debruça para entender como uma população que acredita no “chegar lá” caiu em momentos de descrença e adotou a boa e velha organização coletiva e um bem-vindo protesto.

Podemos sim discutir o que ficou de fora de Capitalismo: Uma História de Amor. Por exemplo: Jimmy Carter, cujo principal legado é elogiado pelo filme, perdeu para Reagan e os republicanos porque foi pressionado pelas instabilidades da política externa; Franklin Roosevelt, o mesmo que sonhava com uma vida de qualidade para todos os norte-americanos, tem episódios de discriminação aos negros e belicismo exagerado.

Por outro lado, o filme de Michael Moore aponta uma outra série de argumentos consistentes para esculachar o capitalismo. Uma vez mais prova seu talento em contar uma história, convencer com seus pontos de vista e chamar para ação.

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