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CASA DA MÃE JOANA 2

(Casa da Mãe Joana 2, 2013)

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01/09/2013 15h00
por Roberto Guerra

Uma sequência do filme Casa da Mãe Joana era, ao menos em termos de mercado, justificável. Quando estreou em 2008, o filme foi bem de bilheteria. Terceira abertura brasileira do ano, com boa média de público por sala, representou um caso atípico: teve melhor desempenho entre segunda e quinta do que nos fins de semana – o que prova que há um público latente querendo frequentar cinema, mas dependendo de ingressos mais em conta.

Levou mais de 400 mil pessoas ao cinema, bom número para um filme de Hugo Carvana, que faz comédias que flertam com a chanchada e dialogam pouco com o os jovens- principal fonte de renda nas bilheterias. O problema de Casa de Mãe Joana, matriz e sequência, no entanto, não é este. Carvana não tem obrigação de tentar entreter adolescentes, mas quem dirigiu filmes como Vai Trabalhar, Vagabundo e Bar Esperança tinha ao menos de evoluir dentro do que sabe fazer, o que não vem acorrendo.

Casa da Mãe Joana já era um filme cheio de problemas, de humor pouco funcional e com cheiro de mofo. A continuação segue a mesma linha, mas piora a situação por não respeitar nem a lógica sequencial do que foi exibido no primeiro longa. "Casa da mãe Joana" é uma expressão idiomática da língua portuguesa que significa "lugar onde vale tudo, sem ordem", mas isso devia se aplicar somente aos personagens e suas realidades, não ao filme.

No primeiro longa, o trio de amigos inseparáveis Juca (José Wilker), PR (Paulo Betti) e Montanha (Antônio Pedro) tenta ganhar dinheiro fácil para evitar o despejo do apartamento onde vivem. Em Casa da Mãe Joana 2, são obrigados a fugir das filhas de uma viúva milionária (Carmem Verônica), vítima de um golpe aplicado pelo personagem de Betti. Do elenco da sequência participam também Betty Faria, Caike Luna, Fabiana Karla e Leona Cavalli.

De falta de bons atores o filme não sofre, como é praxe nas produções de Carvana. O problema é roteiro mesmo, a busca tacanha por um humor que não faz rir, às vezes, até constrange. O personagem de Wilker, por exemplo, em dado momento participa de um concurso no qual fuma cigarros de maconha gigantescos em Amsterdã – não, não tem graça.

Montanha agora é um escritor endinheirado, que recebe os amigos em sua mansão onde acontecem aparições dos espíritos da rainha Maria Antonieta e de seu criado, ambos vividos por Fabiana Karla e Caike Luna. Há algum sentido nisso? Não. Alguma explicação para a rainha francesa e seu vassalo aparecerem ali? Não. Tudo gratuito e sem nexo.

Carvana parece esquecer que comédia não precisa se ater à verdade, mas não pode abrir mão da verossimilhança – é preciso acreditar no que se está vendo. Um exemplo: Montanha tenta se comunicar com sua musa Dolores (Juliana Paes) com a ajuda de um médium trambiqueiro vivido por Anselmo Vasconcellos. Só que Dolores, no primeiro filme, era fruto da imaginação do personagem, não um espírito, o que não tem a menor lógica.

O médium é comparsa da personagem de Betty Faria, governanta de Montanha, num plano para lhe aplicar um golpe, tramoia essa que nunca é bem explicada pelo roteiro que, por sinal, não parece preocupado em explicar absolutamente nada. E assim segue o longa até a subida dos créditos, uma verdadeira casa da mãe Joana, que não sabe para onde vai.

Esta comédia é como uma festa em que o espectador entrasse de penetra. Dá pra ver que Carvana e seus amigos se divertiram bastante, só não dá para participar da brincadeira.

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