Críticas

Veja o que esperar das novidades nas telonas e estreias com os comentários da nossa equipe especializada.

O CAÇADOR DE PIPAS

(The Kite Runner, 2007)

Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa
18/01/2008 00h00
por Angélica Bito
Permanecendo por mais de um ano no topo da lista dos livros mais vendidos nos EUA, de acordo com compilação do The New York Times, O Caçador de Pipas, romance de estréia de Khaled Hosseini, é um dos maiores fenômenos literários dos últimos anos.

A responsabilidade de Marc Forster (Em Busca da Terra do Nunca) na direção desta adaptação era grande, portanto. A história de O Caçador de Pipas é difícil por tocar em pontos polêmicos - como o regime do Talibã no Afeganistão - e ser conduzida por um protagonista repleto de fraquezas morais. Talvez por isso, o filme prefere traçar caminhos menos ousados em termos cinematográficos ao transformar com fidelidade a história contada na obra escrita na cinematográfica.

A história se desenrola em dois momentos. O primeiro, no fim dos anos 70, fica a relação entre Amir (Zekeria Ebrahimi) e Hassan (Ahmad Khan Mahmidzada). Pouco antes da invasão russa no do Afeganistão - ocorrida em 1979 -, eles vivem sob o teto do pai do primeiro, Baba (Homayoun Ershadi). Além de Hassan ser o filho do empregado da casa, é um hazara, etnia em minoria no país. Por isso, é duplamente segregado na sociedade onde seu amigo rico vive. Mesmo assim, Hassan é o único amigo de Amir.

As diferenças sociais entre os dois são acentuadas o tempo inteiro por suas roupas e modos. Até a lealdade extrema de Hassan soa simplória demais e não é nada correspondida pelo protagonista. A amizade dos dois toma rumos inesperados durante uma competição que ocorre anualmente em Cabul, na qual os melhores "empinadores" de pipas saem vitoriosos. Pouco depois, Hassan e Baba fogem do Afeganistão para os EUA. Num segundo momento de O Caçador de Pipas, o protagonista, já adulto (interpretado nesta fase por Khalid Abdalla), volta à sua terra em busca de redenção, encontrando somente um país devastado pelo domínio talibã.

A direção de Forster é contida, ousando bem menos do que em Mais Estranho que a Ficção ou A Passagem. Afinal, a história é um clássico contemporâneo da literatura e precisava contar mais com a sensibilidade do diretor do que com seus virtuosismos com a câmera. Nesse sentido, o cineasta tomou o caminho certo para contar a história de O Caçador de Pipas. Ao mesmo tempo, ele ousa ao não se conter ao mostrar alguns dos pontos polêmicos do filme, como o abuso sexual sofrido por um dos personagens - episódio que muda os rumos da trama, indispensável para a história. Inclusive, sua exibição foi proibida no Afeganistão e os jovens protagonistas tiveram de se mudar de Cabul antes da estréia no filme para sua segurança. Aqui, cabe uma observação: Ebrahimi e Mahmidzada podem ser jovens estreantes na atuação, mas são capazes de compor muito bem seus personagens, conseguindo segurar muito bem a dramaticidade da trama durante a boa parte do longa na qual aparecem.

Para os que conhecem o livro, o filme não tem muita graça. Afinal, a trama é repleta de surpresas e, durante a projeção, o espectador familiarizado com a trama consegue se entediar mais do que se surpreender. Portanto, O Caçador de Pipas é capaz de agradar mais aos que não conhecem o livro, apesar da extrema fidelidade. A mesma que faz com que não haja muita novidade.

É um terreno perigoso esse da adaptação de uma conhecida obra literária e O Caçador de Pipas preferiu manter-se fiel para dialogar com os que não levam o livro. E, o mais importante: é uma adaptação digna de uma obra como a de Hosseini, o que é mais importante, conseguindo manter-se digno e emocionante como o livro.

FAVORITAR

crítica NÃO FAVORITADA

COMPARTILHE:

COMENTAR

comments powered by Disqus
Parceiro R7