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REENCARNAÇÃO (2004)

(Birth, 2004)

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22/05/2009 11h03
por Angélica Bito
Antes de qualquer coisa, é importante esclarecer que Reencarnação não é sobre reencarnação, nem é recheado de teorias espíritas como o título em português pode sugerir. Na verdade, trata-se de um drama que contempla as reações, dentro de uma família de classe alta norte-americana, provocadas quando um garotinho pobre surge em suas vidas dizendo ser a reencarnação de uma pessoa que morreu há dez anos.

No caso seria Sean, marido de Anna (Nicole Kidman), que morre prematuramente logo no começo do filme. A viúva demora dez anos para conseguir se recuperar do trauma e, somente agora, ela resolve aceitar o casamento com Joseph (Danny Huston) depois de incontáveis pedidos vindos do insistente noivo. É bem nesse momento quando Anna resolve seguir em frente que outro Sean parece em sua vida. Mas desta vez trata-se de um garoto de dez anos (Cameron Bright, de O Enviado) que entra no rico apartamento da família afirmando ser reencarnação do marido da protagonista.

A afirmação ecoa como chacota nos bem-decorados corredores e quartos do apartamento onde Anna mora com o noivo e a mãe, vivida por Lauren Bacall. Mas a insistência do menino em afirmar o que pode parecer absurdo acaba abalando a todos, especialmente Anna. O fato de Sean saber tanto sobre a intimidade do casal só pode ser prova de que, de fato, ele é reencarnação do marido da protagonista. Aos poucos, ela acaba se envolvendo com o menino, realmente acreditando que seu amado marido está de volta no corpo daquela criança bochechuda.

Pouco importa se o pequeno Sean é realmente a reencarnação do outro Sean. Na verdade, o roteiro de Reencarnação não merece tanto destaque quanto seu desenvolvimento. O diretor Jonathan Glazer (Sexy Beast) conduz o drama de Anna de forma lenta, contemplativa, sem a pressa típica dos filmes atuais - semelhando-se aos dramas do cinema norte-americano dos anos 60. Abusando de closes, da bela trilha sonora composta pelo francês Alexandre Desplat e amparado por uma fotografia fria e esverdeada, Glazer desenvolve com primor a transformação psicológica sofrida pelos personagens, especialmente Anna. Claro que o diretor não leva todos os louros: afinal, teve o apoio de ótimas performances. Nicole Kidman, inclusive, lembra muito Mia Farrow em O Bebê de Rosemary (1968), não somente em relação ao corte de cabelo, mas, especialmente, se compararmos os trejeitos das atrizes nesses dois filmes e observarmos a forma como evoluem durante as respectivas produções.

Muito se falou do beijo de Anna e o pequeno Sean. Mais ainda sobre a cena na qual os dois estão juntos em uma banheira. Por mais que sejam perturbadoras, não são nada perto do turbilhão de sentimentos pelo qual passa a protagonista ao lidar com a idéia de que seu marido está reencarnado no corpo de uma criança. Mesmo não tendo crenças espíritas, Anna começa a acreditar no que Sean diz como uma forma de ter seu grande amor de volta. Pode parecer maluco, mas será que você não faria o mesmo se estivesse na pele dela?

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