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UMA MENTE BRILHANTE

(A Beautiful Mind, 2001)

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22/05/2009 11h03
por Celso Sabadin
Existem filmes que parecem ter sido feitos única e exclusivamente para ganhar o Oscar. Uma Mente Brilhante é um deles. O diretor Ron Howard (o mesmo de Apollo 13 e O Grinch) reza pela cartilha do prêmio da Academia de Hollywood e utiliza em seu novo trabalho todos os elementos típicos que credenciam um filme à luta pela famosa estatueta. Para o bem e para o mal.

A receita parece infalível. Anote (1) baseado em história real, (2) drama, (3) personagem principal com alguma deficiência física ou mental, (4) narrativa a mais tradicional possível, visando agradar aos conservadores membros da Academia, (5) mensagem edificante, (6) mais de duas horas de duração, (7) reconstituição de época, (8) maquiagem para envelhecimento dos personagens principais, (9) trilha sonora tipicamente hollywoodiana e (10) precisão absoluta na área técnica (som, fotografia, montagem, etc.). Está pronto o “prato principal” da festa da próxima entrega do Oscar.

Isto não significa, de maneira alguma, que Uma Mente Brilhante seja um filme ruim. Nada disso. Porém, trata-se de um trabalho absolutamente conservador, tradicional, burocrático e sem inventividade. Justamente por isso acaba agradando aos paladares mais clássicos. Se fosse uma sinfonia, Uma Mente Brilhante teria sido composto por Mozart, nunca por Beethoven. Jamais por Hermeto Paschoal.

O roteiro segue a trajetória da vida de John Nash (Russell Crowe), um matemático e pesquisador tão genial quanto perturbado. Em sua busca incessante por uma “idéia original”, Nash transforma seus estudos na Universidade de Princeton em verdadeira obsessão. Tem problemas de relacionamento, mal consegue pensar em outro assunto que não seja a Matemática e sua incrível capacidade de decifrar códigos e padrões acaba lhe rendendo um emprego no governo norte-americano. Sempre escudado pela dedicada esposa Alicia (Jennifer Connelly, a ex-garotinha de Era uma Vez na América), Nash passa a misturar realidade e ficção, dando início a um doloroso processo de esquizofrenia.

As interpretações são todas bastante convincentes, com destaque – mais uma vez – para o sempre ótimo Ed Harris. O jovem inglês Paul Bettany (no papel do amigo Charles), que recentemente roubou a cena em Coração de Cavaleiro, também merece citação. E, se em filmes anteriores o compositor James Horner se “inspirou” em temas folclóricos irlandeses (para fazer a trilha de Titanic) ou espanhóis (caso da trilha de A Marca do Zorro), agora ele “bebeu na fonte” do compositor minimalista Phillip Glass. E talvez tenha bebido com um pouco de sede demais.

Se a mente brilhante de Nash era especializada em códigos e padrões matemáticos, a direção de Ron Howard é, no mínimo, coerente: seu filme também segue rígidos códigos e padrões cinematográficos. Nash ganhou o Nobel. E ao que tudo indica, Howard ganhará o Oscar.

13 de fevereiro de 2002
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Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br

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