Ficha do Filme

INTOCÁVEIS (2011)

(Intouchables, 2011)

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DVD

BLU-RAY

Estreia

31/08/2012

Philippe (François Cluzet) é um aristocrata rico que, após sofrer um grave acidente, fica tetraplégico. Precisando de um assistente, ele decide contratar Driss (Omar Sy), um jovem problemático. De início, eles enfrentam vários problemas, já que ambos têm temperamento forte, mas aos poucos passam a aprender um com o outro.
10
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FICHA TÉCNICA

Gênero: Drama

Direção: Eric Toledano, Olivier Nakache

Roteiro: Eric Toledano, Olivier Nakache

Elenco: Alba Gaïa Kraghede Bellugi, Anne Le Ny, Audrey Fleurot, Christian Ameri, Clotilde Mollet, Cyrril Mendy, François Cluzet, Omar Sy

Produção: Laurent Zeitoun, Nicolas Duval-Adassovsky, Yann Zenou

Fotografia: Mathieu Vadepied

Trilha Sonora: Ludovico Einaudi

Duração: 112 min.

Ano: 2011

País: França

Cor: Colorido

Estreia: 31/08/2012 (Brasil)

Distribuidora: Califórnia Filmes

Estúdio: Chaocorp / Gaumont / Quad Productions / TF1 Films Production

Classificação: 14 anos

IMAGENS

CRÍTICA

por Roberto Guerra

Muitos são os temas tratados no longa Intocáveis, que surpreendeu o mercado francês em 2011 ao se transformar na segunda maior bilheteria de todos os tempos no país. O filme fala de felicidade, compaixão, limitações, perdas, amor e diferenças raciais e econômicas na França do século 21. Aborda assuntos comuns à vida de todos nós de forma direta e sem divagações desnecessárias. Seus diretores, Olivier Nakache e Éric Toledano, recaem no lugar-comum algumas vezes, são simplistas outras tantas, mas levam ao público um filme honesto sobre as complexidades da vida.

A trama conta a história de Philippe (François Cluzet), colecionador de artes que ficou tetraplégico após um acidente. Ele contrata como seu cuidador um rapaz senegalês, Driss (Omar Sy), porque este chama sua atenção na entrevista de emprego por seu jeito arredio e sua total ausência de piedade pelo homem prostrado imóvel em sua cadeira de rodas. Driss, na verdade, nem pensava em ser contratado, queria apenas que assinassem um atestado para que continuasse recebendo o salário-desemprego do governo.

Previsivelmente (e a previsibilidade aqui não chega a ser um problema) estabelece-se uma relação improvável, mas totalmente compreensível, entre os dois. Philippe começa a dirimir um pouco de sua autopiedade e readquire o bom humor. Griss encontra a possibilidade de fugir da realidade pobre da periferia de Paris, onde se amontoam os jovens imigrantes africanos, e começa a sair um pouco de sua ignorância, num típico caso – muitas vezes retratado no cinema – de personagem fino lapidando personagem bruto.

O enredo tocante, por si só, já explica muito do sucesso de Os Intocáveis. Acrescenta-se a isso o fato do filme ser inspirado numa história verdadeira, narrada pelo Philippe da vida real no livro O Segundo Suspiro. Foi só colocar, então, dois atores fantásticos nos papeis principais - François Cluzet, invariavelmente impecável, e Omar Sy, que por esse papel se tornou o primeiro negro a ganhar um César, o Oscar do cinema francês – e desenvolver o enredo sem apegar para a pieguice e o dramalhão,afinal, a história de uma homem milionário, com um Maserati estacionado na garagem, e sem poder usufruir dos prazeres da vida já é dramática o suficiente.

Intocáveis também é pontuado de alívios cômicos, que vão da entrevista de emprego de Driss e passam por situações nas quais tem de lidar com o mundo de luxo e riqueza de seu novo chefe. Philippe também se aproveita da situação e se diverte ao convencer, por exemplo, um comprador a levar (por muitos euros) um quadro pintado por Driss como se fosse a obra de um jovem e promissor talento da pintura.

Muito do sucesso de Intocáveis na França se deve também ao debate político que se seguiu à sua estreia por tocar no assunto da situação dos imigrantes africanos nas periferias francesas, onde há alguns anos, durante o governo Sarkozy, ocorreram levantes violentos contra a falta de emprego e perspectiva. O filme não aponta soluções, nem este é seu propósito, mas humaniza os dois extremos da sociedade francesa e propõe que diferenças podem, às vezes, ser enriquecedoras e complementares.

Para os brasileiros, distantes desses problemas específicos, resta a universalidade dos temas humanos muito bem abordados nesse belo e envolvente filme.

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