Ficha do Filme

MADAME SATÃ

(Madame Satã, 2002)

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DVD

Nos anos 30, João Francisco dos Santos, mais conhecido como Madame Satã, tornou-se uma das figuras mais emblemáticas do Rio de Janeiro. Neste filme de Karim Ainouz, a vida do malandro, artista transformista, capoeirista, cozinheiro, presidiário e pai é recontada. João Francisco passou a maior parte da vida entre a boemia carioca e a prisão, especialmente nos arredores da Lapa. O filme se passa em 1932, quando o protagonista realiza seu grande sonho de se tornar um estrela dos palcos. É nesse processo de transformação e mitificação de Madame Satã (nome tirado do filme de Cecil B. De Mille, Madam Satan, de 1930) que a produção se concentra.

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FICHA TÉCNICA

Gênero: Drama

Direção: Karim Ainouz

Roteiro: Karim Ainouz

Elenco: Emiliano Queiroz, Felippe Marques, Flavio Bauraqui, Lázaro Ramos, Marcélia Cartaxo, Renata Sorrah

Produção: Isabel Diegues, Marc Beauchamps, Maurício Andrade Ramos, Vincent Maraval, Walter Salles

Fotografia: Walter Carvalho

Trilha Sonora: Marcos Suzano, Sacha Amback

Duração: 105 min.

Ano: 2002

País: Brasil / França

Cor: Colorido

Estúdio: VideoFilmes / Wild Bunch

Classificação: 16 anos

CRÍTICA

por Celso Sabadin

Forte, pesado e com interpretações vigorosas: Madame Satã esbarra numa inquietante dúvida: por que transformar em filme a vida de um criminoso de poucos escrúpulos? A julgar pelo roteiro, o travesti João Francisco dos Santos, figura da boemia carioca dos anos 30 e 40, nada mais era que um sujeito violento, encrenqueiro, que assassinou covardemente um bêbado pelas costas e mais tarde (isso o filme não mostra, apenas escreve) se transformou em figura lendária dos carnavais do Rio de Janeiro. Este personagem vale uma cinebiografia?

Tecnicamente falando, Madame Satã é um primor. A fotografia de Walter Carvalho (o mesmo de Central do Brasil) confere um tom escuro e lúgubre à narrativa, de maneira bastante coerente com a decadência do bairro da Lapa daquele período. O elenco beira à perfeição, desde Lázaro Ramos, que encarna o personagem título, até a esquecida Marcélia Cartaxo (premiadíssima em A Hora da Estrela), passando por um Emiliano Queiroz soberbo. A direção de Aïnouz é segura, de poucas concessões. Sua câmera praticamente invade o íntimo dos controvertidos personagens, expondo toda a marginalidade da ambientação. Mas e o conteúdo? Por que endeusar um protagonista sem caráter? Complexo brasileiro de inferioridade? Síndrome de pequenez terceiromundista?

Se Madame Satã - a pessoa, não o filme - conseguiu dar a chamada volta por cima, saindo da cadeia e ganhando os carnavais cariocas, isso o filme de Aïnouz não mostra. Resta apenas o sabor amargo de um País que dá espaço na TV e capas de revistas não aos seus heróis, mas aos seus vilões. Um triste sabor ressaltado por Madame Satã. O filme, não a pessoa.

7 de novembro de 2002
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Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br

Prêmios e Indicações


» Ganhou cinco prêmios no Grande Prêmio Cinema Brasil, nas categorias de Melhor Ator (Lázaro Ramos), Melhor Atriz (Marcélia Cartaxo), Melhor Figurino, Melhor Maquiagem e Melhor Direção de Arte. - Recebeu 10 indicações nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator Coadjuvante (Emiliano Queiroz e Flávio Bauraqui), Melhor Atriz Coadjuvante (Renata Sorrah), Melhor Roteiro Original, Melhor Trilha Sonora, Melhor Montagem, Melhor Fotografia e Melhor Som.

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