Ficha do Filme

NOÉ

(Noah, 2014)

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DVD

BLU-RAY

Estreia

03/04/2014

Noé vive com a esposa Naameh e os filhos Sem, Cam e Jafé em uma terra desolada, onde os homens perseguem e matam uns aos outros. Um dia, Noé recebe uma mensagem do Criador de que deve encontrar Matusalém. Durante o percurso ele acaba salvando a vida da jovem Ila, que tem um ferimento grave na barriga. Ao encontrar Matusalém, Noé descobre que ele tem a tarefa de construir uma imensa arca, que abrigará os animais durante um dilúvio que acabará com a vida na Terra, de forma a que a visão do Criador possa ser, enfim, resgatada.

8
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FICHA TÉCNICA

Gênero: Drama

Direção: Darren Aronofsky

Roteiro: Ari Handel, Darren Aronofsky

Elenco: Anne Bergstedt Jordanova, Anthony Hopkins, Ariane Rinehart, Barry Sloane, Dakota Goyo, Douglas Booth, Emma Watson, Finn Wittrock, Frank Langella, Jennifer Connelly, Kevin Durand, Logan Lerman, Madison Davenport, Mark Margolis, Marton Csokas, Nick Nolte, Ray Winstone, Russell Crowe, Sami Gayle, Saoirse Ronan

Produção: Darren Aronofsky, Mary Parent, Scott Franklin

Fotografia: Matthew Libatique

Montador: Andrew Weisblum

Trilha Sonora: Clint Mansell

Duração: 137 min.

Ano: 2014

País: Estados Unidos

Cor: Colorido

Estreia: 03/04/2014 (Brasil)

Distribuidora: Paramount Pictures Brasil

Estúdio: Disruption Entertainment / New Regency Pictures / Protozoa Pictures

Classificação: 14 anos

EXTRAS

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IMAGENS

CRÍTICA

por Roberto Guerra

A história de Noé na Bíblia é breve. E como é praxe no livro sagrado, suscita mais dúvidas do que oferece respostas. Está lá que Deus decidiu eliminar a humanidade porque se arrependeu de sua obra. Escolheu Noé, o último homem justo, para construir uma arca e salvar a ele, sua família e um casal de cada espécie animal. Deu especificações técnicas sobre o tamanho da embarcação e avisou que iria inundar tudo.

A Bíblia é exígua em detalhes e qualquer cineasta que se propusesse a levar a história para as telas teria de preencher lacunas, muitas delas. O diretor Darren Aronofsky (Cisne Negro), apaixonado pelo texto desde a adolescência, juntou-se ao produtor Ari Handel para transformar o conto bíblico em filme. A dupla tomou diversas decisões e liberdades, algumas engenhosas, outras não. O resultado, infelizmente, deixa a desejar.

O poeta e ensaísta inglês Samuel Taylor Coleridge (1772- 1834) disse certa vez que para compreender as Escrituras era preciso exercer a "suspensão voluntária da descrença". Para quem lê, pode até funcionar. Mas o filme não poderia se furtar a responder perguntas básicas: Como Noé construiu a arca – sozinho ou com a ajuda de alguém além dos filhos? Como foram os dias de convívio dele com milhares de animais dentro da embarcação? Como os alimentou e impediu que não comessem uns aos outros?

Mesmo supostamente tendo vivido séculos – quando a arca ficou pronta Noé tinha 600 anos -, construir uma gigantesca nau sozinho e sem tecnologia não é algo muito plausível. Em Noé, o filme, Aronofsky e Handel resolvem o problema com uma solução também improvável: gigantes de pedra, chamados de guardiões, formam a equipe de marceneiros de Noé. O filme justifica sua existência como sendo anjos amaldiçoados por Deus presos em corpos feito de rocha na Terra.

É preciso muito boa vontade para engolir os transformers de pedra do filme. Principalmente quando, mais adiante, são usados para enxertar ação na história numa cena de batalha campal que remete o espectador a um universo de ficção científica. Perde-se neste momento (e em tantos outros) a impressão de estar assistindo a uma trama bíblica. Falta aquele tom solene e épico que Cecil B. DeMille soube imprimir em filmes como Os 10 Mandamentos e Sansão e Dalila.

O impacto que a fábula de Noé tem com o público está relacionada em parte com os animais; imaginá-los vindo aos pares para a arca, de todas as espécies. A cena está no filme, criada integralmente por computação gráfica. Depois a bicharada é deixada de lado. Como é difícil imaginar milhares de animais dentro uma embarcação à deriva sem alimentação e convivendo pacificamente, os realizadores optaram por uma saída astuta: todos ao entrar na arca hibernam. Uma ideia inteligente, mas que deixa no espectador a sensação de que os bichos mereceriam mais destaque.

Outra solução equivocada se desenrola já na arca. Como a Bíblia não traz nenhuma descrição de como foi o dia-a-dia de Noé à deriva, Aronofsky e Logan desenvolvem um conflito entre o patriarca e  sua família. Um embate que poderia ter sido melhor aproveitado se propusesse uma reflexão a cerca da decisão a que Noé se vê impelido a tomar. O filme, no entanto, não explora o conflito interior do personagem, mas seu embate com a mulher, filhos e nora. Ao final, uma cena tola e desprovida de emoção, envolvendo Noé e dois bebês, encerra o conflito.

Quando finalmente a arca repousa seu calado no Monte Ararate, sabemos que o filme está prestes a acabar. E a distância que separa você da tela continua lá, presente. Devíamos estar nos importando mais com Noé e os seus, mas simplesmente não conseguimos. Seria preciso uma "suspensão voluntária da descrença" também com os realizadores. Mas aí já é crença demais, é fé.

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