Ficha do Filme

O GRANDE DITADOR

(The Great Dictator, 1940)

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Primeiro filme falado de Charles Chaplin, que escreveu, dirigiu e protagonizou. Carlitos vive dois personagens: o ditador Adenoid Hynkel (numa referência óbvia a Hitler) e um barbeiro judeu, que é acidentalmente confundido com o chefe de Estado. O Grande Ditador se insere no contexto da Segunda Guerra Mundial, iniciada oficialmente em 1939, com a invasão da Polônia pela Alemanha do nazismo.

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FICHA TÉCNICA

Gênero: Comédia

Direção: Charles Chaplin

Roteiro: Charles Chaplin

Elenco: Charles Chaplin, Jack Oakie, Maurice Moscovich, Paulette Goddard, Reginald Gardiner

Produção: Charles Chaplin

Fotografia: Karl Struss, Roland Totheroh

Trilha Sonora: Charles Chaplin, Meredith Wilson

Duração: 126 min.

Ano: 1940

País: Estados Unidos

Cor: Colorido

Distribuidora: Warner Home Vídeo

Estúdio: Charles Chaplin Productions

CRÍTICA

por Celso Sabadin

O que pode ser dito do filme O Grande Ditador que já não tenha sido dito nos últimos 62 anos? Trata-se simplesmente de um dos filmes mais importantes da história do cinema. Para compreender melhor esta importância, é necessário assisti-lo não com olhos de hoje, mas sim com os olhos de 1940.

Lá vai um pouquinho de história: quando Hitler invadiu a Polônia, em 1º de setembro de 1939, dando o pontapé inicial na Segunda Guerra Mundial, a Europa toda se indignou, já que havia um tratado de não agressão entre os nazistas e o país invadido. Traição pura. Como conseqüência, vários países alinhados com a filosofia democrática – França e Inglaterra, principalmente – entraram em guerra contra a Alemanha de Hitler e a Itália de Mussolini. Exatamente oito dias após a invasão, em 9 de setembro de 1939, o indignado e humanista Charles Chaplin começou a rodar as primeiras cenas de O Grande Ditador, em seus estúdios nos Estados Unidos. O grande problema, porém, é que os Estados Unidos, contrariamente à Europa, ainda não tinham declarado guerra contra a Alemanha, o que só viria a acontecer em dezembro de 1941, após o episódio de Pearl Harbor. Mas esta já é outra história... e outro filme também.

Assim, quando O Grande Ditador estreou nos cinemas norte-americanos, em 15 de outubro de 1940, o mal estar foi geral: através de Charles Chaplin, os Estados Unidos faziam uma provocação aberta ridicularizando dois chefes de estado (Hitler e Mussolini) com os quais Washington ainda mantinha relações diplomáticas. Em última análise, foi Chaplin quem declarou guerra aos nazistas, um ano e dois meses antes de Pearl Harbor. Ele julgou e condenou Hitler e suas atrocidades antes mesmo da História o fazer. Tudo isso falando no campo político.

Já no campo cinematográfico, O Grande Ditador é outra provocação. Chaplin ousou fazer um filme 99% mudo em 1940, ou seja, mais de uma década depois do cinema falado já estar solidamente consolidado. Para ele, o cinema era uma arte eminentemente visual, que não necessitava de diálogos para se explicar. Chaplin defendeu durante anos esta sua idéia e se recusou durante muito tempo a entrar na era do cinema falado. E quando abriu mão deste preciosismo estético, ele o fez justamente no antológico discurso final de O Grande Ditador. Um texto que todos os habitantes do mundo deveriam enviar por e-mail para um outro grande ditador da nossa época: George W. Bush.

19 de dezembro de 2002
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Celso Sabadin é jornalista e crítico de cinema da Rádio CBN. Às sextas-feiras, é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br

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CURIOSIDADES

O Grande Ditador recebeu indicações ao Oscar de 1941, por Melhor Ator (Charles Chaplin), Ator Coadjuvante (Jackie Oakie), Melhor Filme, Roteiro Original, Trilha Sonora Original.
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