Ficha do Filme

O TIGRE E O DRAGÃO

(Wo Hu Cang Long, 2000)

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DVD

Nos tempos da Dinastia Ching, uma fabulosa espada desaparece e em sua busca se cruzam os destinos de duas mulheres. Jen (Ziyi Zhang) tem uma paixão secreta e quer se livrar das imposições da sociedade, mesmo que isso a obrigue a trocar uma vida aristocrática por outra de crimes. E Yu (Michelle Yeoh) é uma grande lutadora que deve colocar seus valores acima dos interesses pessoais, e sabe que a liberdade que Jen deseja tem um preço alto. Elas terão que se enfrentar no mais desafiante e surpreendente duelo de suas vidas.
O filme busca heróis e heroínas da literatura chinesa, colocando-os em cenas de artes marciais - com direito a vôos e saltos sobre árvores e casas - coreografadas por Yuen Wo Ping.

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FICHA TÉCNICA

Gênero: Ação

Direção: Ang Lee

Roteiro: Hui-Ling Wang, James Schamus, Tsai Kuo Jung

Elenco: Bao Cheng Li, Bin Chen, Chang Cheng Don, Chen Chang, Cheng Lin Xu, De Ming Wang, Dong Song, Fa Zeng Li, Feng Lin, Jian Hua Feng, Jian Min Zhu, Jin Ting Zhang, Kai Li, Li Li, Michelle Yeoh, Ning Ma, Pei-pei Cheng, Rei Yang, Sao Chen Chang, Shao Jun Zhang, Sihung Lung, Su Ying Huang, Wen Sheng Wang, Xian Gao, Yan Hai, Yi Shih, Yong De Yang, Yun-Fat Chow, Zhen Xi Du, Zhong Xuan Ma, Ziyi Zhang

Produção: Ang Lee, Hsu Li Kong, William Kong

Fotografia: Peter Pau

Trilha Sonora: Tan Dun

Duração: 124 min.

Ano: 2000

País: China / Estados Unidos

Cor: Colorido

Estúdio: Asia Union Film & Entertainment Ltd / China Film Co-Production Corporation / Columbia Pictures Film Production Asia / EDKO Film / Good Machine / Sony Pictures Classics / United China Vision / Zoom Hunt International Productions Company Ltd

Classificação: 12 anos

Informação complementar: Baseado em livro de Wang Du Lu

CRÍTICA

por Celso Sabadin

Deixe do lado de fora da sala de projeção tudo o que você sabe e se acostumou a ver sobre a maneira ocidental de se fazer cinema. Esta é uma condição mais do que necessária para quem quiser assistir (e apreciar) ao filme O Tigre o Dragão, um dos maiores fenômenos do cinema chinês de todos os tempos. Quem insistir em ver o filme com olhos ocidentais não vai apreciar toda a beleza do roteiro e da produção.

Ambientada na China antiga, a história fala de Li Mu Bai (Chow Yun-Fat, de Ana e o Rei), um guerreiro cansado de matanças, de guerras e de sangue. À beira da aposentadoria, ele sabiamente deixa sua valiosa e centenária espada sob a guarda de um velho amigo. Na mesma noite, porém, a espada é roubada, o que inicia uma sucessão de conflitos e desperta antigas paixões sufocadas.

Este simples parágrafo que tenta resumir uma sinopse é muito pouco – quase nada – para explicar o filme. O Tigre e o Dragão chega às nossas telas carregado de uma tradição oriental de se fazer cinema que soa ao mesmo tempo estranha e fascinante aos nossos olhos e ouvidos. Os diálogos de amor melodramáticos e as coreografias mágicas que fazem os guerreiros levantar vôos impossíveis se chocam com nossa percepção americanizada e viciada da arte do cinema.

Numa sessão realizada no Hotel Maksoud Plaza, não foram poucas as pessoas que caíram na gargalhada e ridicularizaram os malabarismos mágicos dos personagens do filme. Coitados... Viciados em Van Damme, eles nunca ouviram falar em licença poética, em figura de linguagem, nem em sonho. Seguidores de Steven Segall, eles nunca sequer tentaram compreender a maneira simbólica e mística que os orientais têm de ver a vida, com seus olhos diminutos e espíritos gigantescos.

O Tigre e o Dragão mostra como nossos arredondados olhos ocidentais na realidade enxergam pouco. O filme dá margem a uma série de leituras e subleituras. Engrandece a liberdade de viver, valoriza a honra, a lealdade e a dignidade, ao mesmo tempo em que conta duas belas histórias de amor que se cruzam e – sim, por que não – dá um show de artes marciais nunca visto nas telas. Pelo menos, nas ocidentais.

Mercadologicamente, o filme já é um fenômeno. Bateu nos EUA a bilheteria do então campeão A Vida é Bela e se transformou no maior sucesso legendado do cinema americano em todos os tempos. Tudo isso antes de obter dez incríveis indicações para o Oscar, perdendo apenas para as 12 de Gladiador.

O diretor Ang Lee, que já havia demonstrado um talento sem tamanho em seus trabalhos anteriores (Razão e Sensibilidade, Comer, Beber e Viver, Banquete de Casamento, Tempestade de Gelo, todos direcionados ao mercado ocidental) realiza com este seu novo filme uma empolgante viagem de volta às suas origens chinesas.

Com exceção da canção tema (que felizmente só se ouve nos créditos finais), O Tigre e o Dragão não faz concessões ao público ocidental. Para o bem e para o mal ele é essencialmente chinês. Quem quiser assistir com emoção e espírito aberto, só tem a ganhar. Quem quiser gargalhar, deve procurar na locadora toda a obra de Jackie Chan.

13 de fevereiro de 2001
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Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. celsosabadin@cineclick.com.br

Prêmios e Indicações

2001

>> Oscar: Vencedor na categoria Melhor Direção de Arte

>> Oscar: Vencedor na categoria Melhor Filme Estrangeiro

>> Oscar: Vencedor na categoria Melhor Trilha-Sonora


» Em 2001, conquistou os Oscars de Direção de Arte, Fotografia, Melhor Filme Estrangeiro, Trilha Sonora e foi indicado aos de Figurino, Direção, Edição, Música Original (A Love Before Me), Melhor Filme e Roteiro Adaptado
» Em 2001, conquistou o Anthony Asquith Award de Música em Filme, o David Lean Award de Direção, os Bafta Film Awards de Figurino, Melhor Filme em Idioma Estrangeiro e foi indicado aos de Efeitos Visuais, Fotografia, Edição, Melhor Filme, Maquiagem, Atriz (Michelle Yeoh), Atriz Coadjuvante (Ziyi Zhang), Design de Produção, Roteiro Adaptado e Som
» Em 2001, conquistou os Globos de Ouro de Direção, Melhor Filme Estrangeiro e foi indicado ao de Trilha Sonora
» Em 2001, conquistou o MTV Movie Award de Melhor Luta (Ziyi Zhang) e foi indicado aos de Melhor Filme e Performance Revelação Feminina (Ziyi Zhang)

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CURIOSIDADES

Jet Li foi escalado anteriormente para o papel de Li Mu Bai, mas ele negou para estrelar Romeu Tem Que Morrer
Ziyi Zhang estudou caligrafia por muitos meses além de outros treinamentos para se preparar para o filme
No título em inglês Crouching Tiger, Hidden Dragon (literalmente Tigre Agachado, Dragão Escondido) é uma frase da mitologia chinesa. Ela se refere à sabedoria de esconder sua verdadeira força dos outros; conselho que é seguido bem até demais pelos persona
Em chinês, o nome de Lo significa Pequena Tigresa, enquanto o de Jen significa Bela Dragoa
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