Ficha do Filme

TAINÁ - A ORIGEM

(Tainá - A Origem, 2010)

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DVD

Estreia

08/02/2013

Tainá (Wiranu Tembé) fica órfã ainda bebê. Ela é criada pelo pajé Tigê (Gracindo Jr) e sonha em ser a primeira guerreira menina da aldeia. Ela conhece Laurinha (Beatriz Noskoski) e é grande amiga do índio Gobi (Igor Ozzy). Juntos, eles buscam informações da origem de Tainá e lutam contra Vitor (Guilherme Berenguer), um contrabandista de madeira que está por trás do desmatamento da floresta.

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FICHA TÉCNICA

Gênero: Aventura

Direção: Rosane Svartman

Roteiro: Cláudia Levay

Elenco: Beatriz Noskoski, Fidélis Baniwa, Gracindo Júnior, Guilherme Berenguer, Igor Ozzy, Laila Zaid, Leon Góes, Mayara Bentes, Nuno Leal Maia, Wiranú Tembé

Produção: Pedro Carlos Rovai

Fotografia: Dudu Miranda

Duração: 83 min.

Ano: 2010

País: Brasil

Cor: Colorido

Estreia: 08/02/2013 (Brasil)

Distribuidora: Downtown Filmes / Sony Pictures

Estúdio: Quanta / Sony Pictures / Telecine / Teleimage

Classificação: Livre

EXTRAS

» Locação

» Venda

- Sem extras

- Formato de tela: 16:9 Widescreen Anamórfico

- Áudio: Inglês e Português

- Legendas: Inglês e Português e Espanhol

CRÍTICA

por Roberto Guerra

Quando estreou em 2001, Tainá – Uma Aventura na Amazônia cativou o público infanto-juvenil brasileiro ao contar a história de uma simpática indiazinha órfã (Eunice Baía), defensora da natureza, que vivia com o avô às margens do Rio Negro. O filme de Tânia Lamarca e Sergio Bloch agradou a garotada e levou 853 mil espectadores aos cinemas.

O sucesso fez do longa uma franquia, que chega agora a seu terceiro e último episódio – o segundo filme, dirigido por Mauro Lima, foi lançado em 2005 e também obteve bom público: 788 mil espectadores. Entre a matriz e suas sequências, um problema tornou-se evidente: a decadência na qualidade do roteiro.

O segundo longa, bem aquém do original, mas ainda assim funcional, já havia perdido fôlego por causa das muitas subtramas e conflitos que não se resolviam a contento. Em Tainá – A Origem, a roteirista Cláudia Levay – mesma dos filmes anteriores – chegou ao paroxismo do “vai assim mesmo”, talvez acreditando que crianças vão ignorar as inúmeras deficiências narrativas da história. Pode até ser, mas a atitude não denota respeito por esse público carente de produções nacionais.

Como está claro no título, Tainá - a Origem volta aos primórdios da vida da indiazinha, encontrada recém-nascida sob os frondosos galhos de uma árvore sagrada pelo ermitão Pajé Tigê (Gracindo Júnior). Cinco anos depois, ela acompanha o avô adotivo até a aldeia para a escolha do novo guerreiro defensor da floresta. O ritual é proibido às mulheres, mas Tainá (a princesinha Wiranu Tembé) participa e acaba hostilizada pelo cacique da tribo. Do seu lado mesmo só o avô e Gobi (Igor Ozzy), um indiozinho que, inexplicavelmente, passa o dia conectado à internet através de seu notebook. Onde ele consegue sinal e energia elétrica? Bem, deixa pra lá.

Ao voltar para casa, chateada com o acontecimento, Tainá decide que é hora de buscar suas origens e, mesmo cheirando a leite, se embrenha na mata em busca de respostas. Em sua trajetória cruza o caminho de Laurinha (Beatriz Noskoski), patricinha que se perdeu na selva depois de, inadvertidamente, se vê dentro de um balão sobrevoando a floresta.

O tal balão merece nota à parte. Raramente vi um objeto cênico mais mal utilizado num filme. Se tivesse sido tirado de cena quando cai com Laurinha no meio da mata, até não teria causado tanto dano. Mas é aquela coisa de produção brasileira: “Pô, alugamos um balão, custa caro, vamos usá-lo mais”. E, então, o balão volta adiante em sequências que só se pode lamentar de tão mal realizadas e sem nexo.

Não era para ser assim. O preparador de elenco Cláudio Barros até que fez um bom trabalho com as crianças, que rendem a contento. A escolha do veterano Nuno Leal Maia para o papel do avô camarada e atrapalhado de Laurinha também foi um acerto. Tudo isso, no entanto, se perde por causa de uma narrativa mal articulada. O vô Teodoro de Maia, por exemplo, aparece, some e reaparece na trama sem muita explicação.

Se o balão é o objeto cênico fora de sintonia nesse filme, o personagem é Vítor (Guilherme Berenguer), o bad guy. Talvez este seja o vilão menos carregado de vileza da história do cinema brasileiro, até mesmo para um filme infantil. A cena em que tenta tirar de Teodoro a informação sobre a localização da árvore sagrada chega a ser risível. Como Berenguer é limitado e a construção do personagem não ajuda, recorre-se a efeitos digitais que acendem seu olhos em tom vermelho para tentar extrair alguma malignidade desse “malvado” de araque.

O longa foi todo filmado em locações reais, na floresta ama zônica, usando película por causa da sensibilidade dos equipamentos digitais à umidade da região. A coisa saiu cara: o custo do filme foi de R$ 10 milhões. Mas se o uso do filme 35mm consegue extrair melhor profundidade de campo em filmagens na floresta, isso aqui faz pouca diferença. A direção de Rosane Svartman (Desenrola), tentando tornar os animais da floresta coadjuvantes na trama, alterna cansativamente planos fechados nos bichos e nas situações vividas pelos personagens. O ganho que a película poderia dar ao filme não se evidencia em nenhum momento. Qualquer documentário da National Geographic faz uma ambientação melhor.

Tainá – A Origem é mais um filme nacional a sofrer com um problema crônico por aqui que é a deficiência de roteiro. Contar uma história para crianças – menos críticas nesse sentido – não justifica o desleixo. Infelizmente, este terceiro longa não encerra, sepulta a franquia.


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CURIOSIDADES

Wiranu Tembé não falava português até o início do concurso para escolher a índia que protagonizaria o filme
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