Ficha do Filme

O MORDOMO DA CASA BRANCA

(The Butler, 2013)

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DVD

BLU-RAY

Estreia

01/11/2013

1926, Macon, Estados Unidos. O jovem Eugene Allen vê seu pai ser morto sem piedade por Thomas Westfall, após estuprar a mãe do garoto. Percebendo o desespero do jovem e a gravidade do ato do filho, Annabeth Westfall decide transformá-lo em um criado de casa, ensinando-lhe boas maneiras e como servir os convidados. Eugene cresce e passa a trabalhar em um hotel ao deixar a fazenda onde cresceu. Sua vida dá uma grande guinada quando tem a oportunidade de trabalhar na Casa Branca, servindo o presidente do país, políticos e convidados que vão ao local. Entretanto, as exigências do trabalho causam problemas com Gloria, a esposa de Eugene, e também com seu filho Louis, que não aceita a passividade do pai diante dos maus tratos recebidos pelos negros nos Estados Unidos.

9
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FICHA TÉCNICA

Gênero: Drama

Direção: Lee Daniels

Roteiro: Danny Strong, Lee Daniels

Elenco: Alan Rickman, Colman Domingo, Cuba Gooding Jr., David Oyelowo, Forest Whitaker, Jane Fonda, Jesse Williams, John Cusack, Liam Neeson, Matthew McConaughey, Mila Kunis, Oprah Winfrey, Terrence Howard

Produção: Hilary Shor, Pamela Oas Williams

Fotografia: Andrew Dunn

Montador: Joe Klotz

Trilha Sonora: Rodrigo Leão

Duração: 132 min.

Ano: 2013

País: Estados Unidos

Cor: Colorido

Estreia: 01/11/2013 (Brasil)

Distribuidora: Diamond Films

Estúdio: Laura Ziskin Productions

Classificação: 12 anos

EXTRAS

» Locação

» Venda

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» Venda

IMAGENS

CRÍTICA

por Roberto Guerra

Pode-se acusar o diretor Lee Daniels (Preciosa) de tudo, menos de falta de peito. Tem de ter coragem para tentar condensar os 80 anos da vida de um homem - e também a luta pelos direitos civis nos Estados Unidos - num mesmo filme de pouco mais de duas horas.

O cineasta foi audacioso, sim, mas também bem-sucedido. O Mordomo da Casa Branca não se detém por muito tempo nem em períodos da vida de seu protagonista, tampouco em momentos históricos marcantes. Mas dentro de suas limitações temporais consegue sintetizar sem fazer com que nada pareça desimportante aos olhos do espectador.

Conhecemos Cecil Gaines (Forest Whitaker, quando adulto) ainda criança trabalhando em campos de algodão do sul dos Estados Unidos. Sem tempo a perder, Daniels remete o público de forma instantânea às iniquidades contra os negros numa sequência cruel e inquietante. O acontecimento marca o destino do menino, que sai da lavoura e vira "negro da casa". Ali aprende serviços de copa que posteriormente serão determinantes para seu futuro.

Cecil Gaines certamente não esperava ir tão longe quando abandonou a fazenda para ganhar o mundo. Trabalha em casas de aristocratas e hotéis de luxo até entrar, inadvertidamente, para o time de mordomos da Casa Branca. Ao passo que acompanhamos a vida desse homem, somos testemunhas também de como preconceitos, veleidades e obstinação podem afetar a vida das pessoas para melhor ou pior. Há também a humanização, pressurosa mas eficiente, dos sete presidentes que Cecil viu passar pela sede do poder americano.

A brevidade não impediu Daniels e o roteirista Danny Strong de explorar as contradições destes personagens. Eles têm pouco tempo de tela, mas este é bem usado. Dwight D. Eisenhower (Robin Williams), por exemplo, tem de lidar com uma escola secundária que se recusa a aceitar alunos negros. O na época vice-presidente Richard Nixon (John Cusack) vai à cozinha onde Cecil e seus colegas de trabalho estão para fazer campanha. Lyndon Johnson (Liev Schreiber), o homem que assinou o Ato dos Direitos Civis em 1964, grita impropérios sentado num vaso sanitário.

A outra metade do filme envolve a vida pessoal de Cecil, que tem de enfrentar o alcoolismo da mulher Gloria (Oprah Winfrey) e a rebeldia do filho mais velho Louis (David Oyelowo), que acha o pai submisso e faz parte de grupos em luta pela igualdade racial. Conflitos não faltam e estes rendem boas atuações; Whitaker e Winfrey certamente devem receber indicações ao Oscar por suas atuações.

O Mordomo da Casa Branca é baseado na vida de Eugene Allen, que trabalhou na Casa Branca entre as décadas de 1950 e 1980. O quanto de verdade sobre sua história está no Cecil do filme é difícil dizer. Não importa, na verdade. Resumir a vivência de alguém em algumas horas é impossível, assim como tentar sintetizar um período complexo da história americana.

O que interessa mesmo é que não há dúvidas de que Lee Daniels é um diretor talentoso e inteligente, que sabe manipular bem o material que tem em mãos para contar uma boa história. É apressado pela necessidade, melodramático por opção, mas não deixa seu filme ser uma sucessão de "quases" graças o domínio que tem da técnica cinematográfica.

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