Walter de Carvalho acertou em cheio neste documentário sobre um dos ícones do rock nacional, Raul Santos Seixas. Retrata o cantor baiano desde os 12 anos de idade quando usava camisa com gola alta, cabelo com topete e ficava com presidente do fã clube de Elvis Presley assistindo sessões e mais sessões de cinema de filmes de seu ídolo nos cinemas de Salvador. Já fumava cigarros e bebia. Até a sua primeira banda, Raulzito e seus Panteras, é gravada - com os seus integrantes já envelhecidos - com uma espécie de cortina semi-transparente, tocando uma das primeiras músicas de Raul. Um dos grandes de Walter de Carvalho foi o de juntar informações de todos os que conviveram com Raul, com opiniões favoráveis e desfavoráveis a ele. Ou seja, não fez um documentário "chapa branca", apenas para fazer média com os fãs. Um dos depoimentos mais relevantes é o de Paulo Coelho, figura surgida do teatro alternativo, a "cabeça pensante", que se tornou parceiro de Raul em canções como "AL CAPONE" (nela Paulo aprendeu com Raul que fazer poesia era totalmente diferente de fazer letra de música), "EU NASCI HÁ 10 MIL ANOS ATRÁS" e "SOCIEDADE ALTERNATIVA". A dupla pertenceu a uma ordem de rituais satânicos, usou drogas (Paulo Coelho diz ter sido ele quem apresentou as drogas a Raul Seixas, que até então só era chegado no álcool). A única vez em que Paulo Coelho cantou no palco com Raul, em 1989, no Canecão, no Rio de Janeiro, também é mostrada. Caetano Veloso, Nelson Motta,
!%#&% Star, o presidente do fã clube de Raul Seixas, Pedro Bial (sim, ele era fã de Raul antes de se tornar apresentador do BBB), além das ex-companheiras, têm seus depoimentos mostrados. Nenhuma mulher ficava com ele por um período muito longo devido a Raul ser um conquistador inveterado, além dos problemas advindos do uso de álcool e drogas, mas todas amaram o sujeito. Inclusive uma filha de Raul que mora atualmente nos EUA é entrevistada. Por fim, após um período de ostracismo, coube a Marcelo Nova, vocalista da banda Camisa de Venus, também baiano, tirar Raul do limbo e fazer 50 shows em conjunto com ele. Isso ocorreu pouco antes da morte de Raul. Há versões de que Marcelo Nova teria se aproveitado de Raul para se auto-promover, na visão da empregada que cuidava dele em São Paulo, mas nada tem comprovação. Enfim, o que fica e é relevante é a música de Raul que fez a mistura do rock com o baião, traduzindo na medida certa o rock para a realidade tropical brasileira. Não é à toa que sua obra está perpetuada e que seus seguidores se multiplicam a cada ano. Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei.