Ficha do Filme

UM SONHO POSSÍVEL

(The Blind Side, 2009)

Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela ativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa Estrela inativa

Estreia

19/03/2010

O filme conta a história de Michael Oher (Quinton Aaron), um jovem negro vindo de um lar destruído, que é ajudado por uma família branca, liderada por Leigh Anne (Sandra Bullock) que acredita em seu potencial. Com a ajuda do treinador de futebol, de sua escola e de sua nova família, Oher terá de superar diversos desafios a sua frente, o que também mudará a vida de todos a sua volta.
10
Nota do Público

Vote

COMPARTILHE:

FICHA TÉCNICA

Gênero: Drama

Direção: John Lee Hancock

Roteiro: John Lee Hancock

Elenco: Adriane Lenox, Afemo Omilami, Andy Stahl, April Rich, Ashley LeConte Campbell, Ben Keen, Brandon Rivers, Brett Rice, Brian Hollan, Brian Sutherin, Catherine Combs, Catherine Dyer, David Dwyer, Destiny Long, Eaddy Mays, Ed Orgeron, Elizabeth Omilami, Eric Benson, Franklin "Pepper" Rodgers, Hampton Fluker, Houston Nutt, IronE Singleton, Jae Head, James Donadio, Jaye Tyroff, Jody Thompson, Joe Chrest, John Henry Hancock, John Newberg, Kathy Bates, Kelly Johns, Kevin Nichols, Kim Dickens, L. Warren Young, Lamont Koonce, Libby Whittemore, Lily Collins, Lou Holtz, Maria Howell, Matthew Atkinson, Melody Weintraub, Michael Fisher, Nick Saban, Omar J. Dorsey, Omid Soltani, Patrick G. Keenan, Paul Amadi, Phillip Fulmer, Preston Brant, Quinton Aaron, Rachel St. Gelais, Ray McKinnon, Rhoda Griffis, Robert Pralgo, Sandra Bullock, Sharon Morris, Stacey Turner, Tim McGraw, Tom Lemming, Tom Nowicki, Tommy Tuberville, Trey Best, Whitney Branan

Produção: Andrew A. Kosove, Broderick Johnson, Gil Netter

Fotografia: Alar Kivilo

Trilha Sonora: Carter Burwell

Duração: 128 min.

Ano: 2009

País: Estados Unidos

Cor: Colorido

Estreia: 19/03/2010 (Brasil)

Distribuidora: Warner Bros

Estúdio: Alcon Entertainment / Warner Bros / Zucker/Netter Productions

Classificação: 10 anos

Informação complementar: Baseado em livro de Michael Lewis

IMAGENS

CRÍTICA

por Heitor Augusto

Um Sonho Possível foi um dos indicados a Melhor Filme no Oscar deste ano. Sandra Bullock, a protagonista, arrebatou a primeira estatueta de sua vida. Ambas as indicações são compreensíveis, já que o filme trabalha símbolos dos Estados Unidos de hoje e a jornada do “yes, you can”. Porém, é um filme completamente dispensável e que apela para o mais tosco do gênero feel good.

John Lee Hancock adaptou o livro de Michael Lewis e fez um filme que se estrutura no encontro e no estranhamento entre “eu” e o “outro”. Assim, o mundo da ricaça (e branca) Leigh Anne (Bullock) entra em contato com o do desamparado, miserável (e negro) Michael Oher (Quinton Aaron). Ela dá abrigo ao jovem e pronto, estão abertas as portas da esperança.

Há uma atmosfera bem criada no filme: o retrato do sul dos Estados Unidos. Lee Hancock fez uma decente contextualização da política atual, na qual os neo-republicanos se colocam como vítimas do preconceito dos Obamistas e dizem sofrer de “racismo às avessas”. Posição reforçada diariamente pela Fox News.

Este é o solo onde Um Sonho Possível pisa. Aí está o problema: a base está bem justificada, mas o que se desenvolve em cima disso é um filme com tiradas simples, muletas cômicas e uma abordagem covarde do momento norte-americano.

A primeira pista do tom dos 128 minutos de filme já está no começo. Se você não sabe como desenvolver uma questão ou morre de medo que o seu espectador não entenda alguma coisa, o que fazer? Narração! E assim começa a produção, com Sandra Bullock explicando o que é tal do lado cego (título original) de um quarterback no futebol americano. Primeiro indício de insegurança (ou preguiça) da direção em diluir a informação ao longo do filme. Estratégia cada vez mais adotada pelo cinema comercial norte-americano, que encara o público como burro – o que é um completo equívoco.

O segundo indício do sentimentalismo barato e a empatia tosca é o uso exagerado da relação entre o caçula da família, S.J. (Jae Head), com o ex-carente Michael. Digam se não é fácil conseguir a simpatia do público com uma criança magrinha e serelepe ao lado de um grandão meio desajeitado? Mais um filme a explorar o carisma entre os opostos.

O terceiro indício é o medo que o filme tem de se filiar tanto ao drama de fato ou à comédia. Lee Hancock pula de um a outro, tentando dar ritmo, mas faz com que o segundo anule o primeiro. Todas as vezes que se aproxima de algo sério, foge e pede auxílio de tiradas cômicas. Reflexo de que ele precisa deixar o espectador confortável e de coração aquecido. Afinal, é um filme feel good e a dor é um elemento proibido.

Um Sonho Possível vai ter público no Brasil? Bem provável, já que foi sucesso nos Estados Unidos (US$ 245 milhões) e é protagonizado pela atriz mais rentável de 2009. Sem contar que o filme usa códigos diretos, a combinação entre uma personagem caridosa com um lutador em sua jornada de superação. Combustíveis perfeitos para rios de lágrimas.

Porém, o filme não passa de um reducionismo da sociedade contemporânea, que resume a solução para o mundo em “basta apenas fazer a sua parte e tudo estará resolvido”. Bem confortável sair do cinema de consciência limpa e com o espírito “só preciso fazer o bem”. Como diria Tom Zé, “Faça suas orações uma vez por dia/ e depois mande a consciência junto com os lençóis/ pra lavanderia”.

Prêmios e Indicações

2010

>> Oscar: Vencedor na categoria Melhor Atriz (Sandra Bullock)


» Em 2010, conquistou o Oscar de Melhor Atriz (Sandra Bullock) e foi indicado ao de Melhor Filme
» Em 2010, conquistou o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama (Sandra Bullock)
» Em 2010, foi indicado aos MTV Movie Awards de Estrela Revelação (Quinton Aaron) e Performance Feminina (Sandra Bullock)

COMENTAR

comments powered by Disqus

CURIOSIDADES

O longa é inspirado em uma história real e dirigido por John Lee Hancock, que também escreveu o roteiro a partir do livro The Blind Side: Evolution of a Game, de Michael Lewis
Quinton Aaron treinou com o Time de Futebol americano Georgia Tech na primavera de 2009 para se preparar parao papel de Michael Oher
Parceiro R7