1972

1972

(1972)

2005 , 104 MIN.

10 anos

Gênero: Comédia Romântica

Estréia: 24/11/2006

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • José Emilio Rondeau

    Equipe técnica

    Roteiro: Ana Maria Bahiana, J. Emilio Rondeau

    Produção: Ana Maria Bahiana, Tarcísio Vidigal

    Fotografia: Marcelo Durst

    Trilha Sonora: Claudio Araújo, Renato Ladeira

    Estúdio: Grupo Novo de Cinema e TV

    Elenco

    Bem Gil, Dandara Guerra, Débora Lamm, Dudu Azevedo, Fábio Azevedo, Louise Cardoso, Lúcio Mauro Filho, Pierre dos Santos, Rafael Rocha, Tony Tornado

  • Crítica

    24/11/2006 00h00

    Os jornalistas José Emilio Rondeau e Ana Maria Bahiana são figuras carimbadas na área do jornalismo cultural brasileiro, especialmente relacionado à música. Se você costuma acompanhar a imprensa musical, sabe que o casal está na área há tempo suficiente para ter seu nome conhecido, no mínimo. Eis que a dupla estréia no cinema na comédia juvenil 1972. Uma mistura de Quase Famosos e a clássica série televisiva Anos Rebeldes, a produção traz diversão completamente descompromissada ao mesmo tempo em que dá largas pinceladas num recente pesadelo da história brasileira, a ditadura militar.

    1972 se passa no ano que dá nome ao filme. Dois pontos históricos conduzem toda a narrativa: a violência militar durante a ditadura e o fim da turnê norte-americana da banda inglesa Rolling Stones. Música e política caminham lado a lado da vida dos dois protagonistas, Snoopy (Rafael Rocha) e Julia (Dandara Guerra). Ele é pobre, mora na periferia carioca, enquanto ela é uma menina bem-nascida que resolve abdicar do conforto proporcionado pelos pais para viver com a prima (Débora Lamm) no Rio de Janeiro. Os dois se conhecem na porta de um cinema que pretendia exibir o polêmico documentário Gimme Shelter. Ele logo se apaixona pela bela morena de olhos azuis. Por outro lado, Julia que escapar com todas as forças de um possível romance para se dedicar inteiramente ao objetivo de se tornar uma jornalista musical. O magnetismo entre a dupla - permeado principalmente pela paixão mútua que ambos nutrem pelo rock-and-roll -, no entanto, é inevitável.

    O filme, dirigido por Rondeau e com roteiro assinado por ele e Ana Maria Bahiana, marca a estréia no cinema não somente do casal de jornalistas, mas também dos protagonistas. Dandara Guerra, inclusive, honra aqui os laços familiares - ela é filha da atriz Claudia Ohana (a semelhança física é evidente) e do cineasta Ruy Guerra. A falta de experiência tanto do diretor quanto da dupla de protagonistas acaba pesando um pouco em 1972: é notável que faltou firmeza na direção dos atores. A sorte é que eles são bem amparados pelos coadjuvantes, especialmente Tony Tornado e José Mauro Filho (que vive um editor que lembra em muito a função do lendário Lester Bangs em Quase Famosos). O romance entre os protagonistas acaba ficando em segundo plano em meio ao cenário político, que ferve naquela época, e as referências roqueiras. O relacionamento, asséptico e platônico, é retratado com certa frieza perto de tudo que acontece em volta do casal.

    Por conta dessa relação que o filme tem com o rock-and-roll, ele é capaz de fascinar àqueles que, como os protagonistas, colocam a música como uma das prioridades (como aqueles que gastam a metade do salário com CDs ou que vivem com fone de ouvido enfiado na orelha, sabe?). Essa mistura de romance e rock-and-roll é sedutora. Não de uma forma arrebatadora, mas divertida, no mínimo, soando como uma grande celebração do ano de 1972.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus