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2 COELHOS

(2 Coelhos, 2010)

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18/01/2012 20h00
por Roberto Guerra

Para os espectadores que vão ao cinema assistir a Dois Coelhos estimulados pelo trailer do filme repleto de cenas de ação, segue um aviso importante: prestem atenção na história. Vocês já saberão o porquê. Antes, relaxem. O clipe não vende gato por lebre (ou coelho, no caso). O longa é de fato movimentado, cheio de tiroteios, perseguições, explosões e desenvolvido de forma empolgante e dinâmica. Só que tudo isso está inserido numa trama fragmentada, cheias de idas e vindas e, caso o espectador não fique atento, pode perder o fio da meada.

Em resumo, o enredo de Dois Coelhos é centrado no personagem Edgar (Fernando Alves Pinto). Ele encontra-se em situação semelhante a de muitos brasileiros: espremido entre a criminalidade, que age impunemente, e o poder público, que só funciona galvanizado pelo dinheiro da corrupção. Cansado da situação, resolve se redimir de um erro do passado e, ao mesmo tempo, fazer justiça com as próprias mãos. Para isso, elabora um plano que colocará criminosos em rota de colisão com políticos gananciosos. Na medida que seu plano é executado, descobrimos pouco a pouco suas reais intenções e sua história, marcada por um terrível acidente e uma arrebatadora história de amor.

O longa é um thriller de ação com trucagens e efeitos de pós-produção que o espectador está mais do que habituado a ver, mas não com atores brasileiros e diálogos em português. Nomes consagrados como Guy Ritchie, Quentin Tarantino e Christopher Nolan serviram de parâmetro para o estreante Afonso Poyart realizar um filme jovem e moderno ambientado na capital paulista.

O problema é que ser jovem e moderno hoje significa dar ao filme cortes rápidos e linguagem de videoclipes. Essa velocidade “obrigatória” acaba por prejudicar o desenvolvimento da trama. O plano de Edgar de colocar criminosos indo de encontro a políticos corruptos – e tudo o que se esconde por trás disso – tem seu entendimento ameaçado pelo desenrolar frenético do filme. O humor acaba responsável pelo alívio, a pausa, a respirada que a montagem não trás. Por outro lado, este mesmo humor é bem-vindo para ajudar a compor a identidade nacional do filme.

Não à toa, pedi no início do texto para o espectador prestar atenção à história. Se não se perder nas muitas idas e vindas da trama e seu sem número de informações visuais, vai matar dois coelhos com uma cajadada só: assistir a um filme com bons efeitos e muita ação e desfrutar de uma produção empolgante e de desfecho explosivo (e o "explosivo" aqui não é mera força de expressão).

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