360

360

(360)

2011 , 115 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 17/08/2012

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Fernando Meirelles

    Equipe técnica

    Roteiro: Peter Morgan

    Produção: Andrew Eaton, Andy Stebbing, Chris Hanley, Danny Krausz, David Linde, Emanuel Michael

    Fotografia: Adriano Goldman

    Estúdio: BBC Films, Dor Film Produktionsgesellschaft, Gravity Entertainment, Muse Productions, O2 Filmes, Revolution Films, Unifilme

    Distribuidora: Paris Filmes

    Elenco

    Alex Sander, Anthony Hopkins, Ben Foster, Cyril Hutteau, Danica Jurcová, David Frost, Dinara Drukarova, Gabriela Marcinkova, Gerard Monaco, Ginny Dee, Gino Picciano, Giorgio Spiegelfeld, Gordon Coe, Henry Monk, Jamel Debbouze, Johannes Krisch, Jude Law, Juliano Cazarré, Katrina Vasilieva, Kelvin Wise, Lucia Siposová, Maria Flor, Mark Ivanir, Martin Butler, Mary Robinson, Melissa Stepney, Moritz Bleibtreu, Pamela Betsy Cooper, Peter Morgan, Rachel Weisz, Riann Steele, Russell Balogh, Sean Power, Shaun Lucas, Stuart J. Prowse, Sydney Wade, Tereza Srbova, Vladimir Vdovichenkov, William Byrd Wilkins, Youssef Kerkour

  • Crítica

    15/08/2012 11h10

    No cinema vemos a realidade forjada, sintetizada em alguns minutos de filme. Não a vida como ela é. A realidade cotidiana, assim como a vivemos, não faria sucesso. Mesmo quando vemos um filme baseado ou inspirado em fatos reais, estamos diante de uma obra de ficção, que subverte o tempo e os acontecimentos. Acho que é isso, afinal, que chamamos de magia do cinema. Se essa realidade é feliz e edificante, a sonhamos pra gente. Se terrível e atordoante, estaremos livres dela ao subir dos créditos.

    360 se propõe a ser uma compilação de fragmentos de vida real, tão desconectados aparentemente que já começa por desafiar uma regra básica do cinema, pelo menos do cinema feito para entreter o público: não há identificação suficiente com nenhum dos personagens. Não sentimos suas dores, não experimentamos suas angustias, inquietações e não torcemos por nenhum deles. Mas isso, aqui, não é falha, é intenção.

    Somos levados adiante um tanto indiferentes sobre o que o futuro reservará a seus personagens. O fio condutor da trama é o acaso e a ideia é mostrar como qualquer decisão banal que tomamos pode mudar nosso futuro e o de pessoas a milhares de quilômetros de nós. Um mote interessante, mas de execução arriscada. Não à toa o filme apanhou de boa parte da crítica internacional em sua estreia mundial no Festival de Toronto e teve recepção fria do público nos Estados Unidos.

    360 tem roteiro de Peter Morgan, indicado ao Oscar por A Rainha (2006) e Frost/Nixon (2008). Segundo Meirelles, é um filme mais de Morgan do que dele. O diretor brasileiro revelou em entrevista que Morgan ficou arrasado com as críticas negativas. Reação estranha para quem quis correr riscos deliberadamente. Se fizesse um roteiro como o de 360 não esperaria nada diferente. Quem espera aplausos, segue o dó-ré-mi.

    O script de Morgan desafina, não segue o manual. Tem um arremedo de arco dramático, de clímax, de reviravolta e, aparentemente, não chega a lugar nenhum. É irregular do começo ao fim. Nada mais impróprio para um filme, mas nada mais próximo da vida cotidiana que a produção almeja mostrar. 360 é ainda mais incômodo por insinuar que a casualidade, apenas ela, rege nossas vidas. Isso vai contra a ideia de planejamento, nossa visão de regentes de nossas próprias existências.

    A produção trabalha com uma série de conexões aleatórias que jogam personagens uns ao encontro dos outros. Inicia mostrando uma mulher eslovaca que vai para Viena em busca de dinheiro e envolve-se com uma rede de prostituição. Um de seus prováveis clientes é um executivo inglês (Jude Law), infeliz no casamento e que desconhece o relacionamento extraconjugal da mulher (Rachel Weisz) com um fotógrafo brasileiro (Juliano Cazarré). Este é namorado de Laura (Maria Flor), que decide voltar para o Brasil após descobrir a traição do parceiro. Na viagem conhece duas pessoas que podem ou não mudar sua vida - e ela, mesmo sem saber, a deles. Essas e outras histórias entrelaçadas acabam retornando à prostituta eslava ao final, dando a volta de 360º que dá título ao filme.

    Acho a obra intrigante, gosto da provocação explícita, do encadeamento de sua estrutura narrativa. Uma história em que a casualidade rege o destino de seus personagens, mas que não é conduzida ao acaso. Segue um caminho bem definido por seu roteiro e deixa clara a habilidade de Meirelles como diretor, afinal, tem de se ser hábil para manter a atenção do espectador quando o roteiro não cria expectativas e tensões o suficiente para isso.

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