A BELA JUNIE

A BELA JUNIE

(La Belle Personne)

2008 , 90 MIN.

Gênero: Drama

Estréia: 01/01/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Christophe Honoré

    Equipe técnica

    Roteiro: Christophe Honoré, Gilles Taurand

    Produção: Florence Dormoy, Joëy Faré, Sophie Barrat

    Fotografia: Laurent Brunet

    Trilha Sonora: Alex Beaupain, Naive

    Elenco

    Agathe Bonitzer, Anaïs Demoustier, Esteban Carjaval Alegria, Grégoire Leprince-Ringuet, Léa Seydoux, Louis Garrel, Simon Truxillo, Valerie Lang

  • Crítica

    01/01/2009 00h00

    O amor não-realizável é o objeto ao qual o diretor Christophe Honoré (Em Paris) se dedica a abordar em A Bela Junie. Um amor filosófico, concreto na idéia, mas sem possibilidades de realização. Todos amam, mas poucos são felizes, pois há uma fronteira entre desejo e realidade. O filme é livremente inspirado em La Princesse de Clèves, livro escrito por Madame de La Fayette. Publicado em 1678, a história se passa no século anterior. Aos 16 anos, Mademoiselle de Chartres é trazida para a corte do rei Henri II para buscar um marido rico e eminente. A moça se casa com Prince de Clèves, mas conhece Duc Demours, por quem se apaixona. Ambos se enamoram, mas não permitem o desabrochar do sentimento.

    Honoré troca a corte por um colégio e o século 16 pela contemporaneidade. Mademoiselle de Cartres se transforma em Junie (Léa Seydoux), garota que muda de escola após a morte da mãe; Prince de Clèves em Otto (Grégoire Leprince-Ringuet), o "certinho" da turma; Duc Demours em Nemours (Louis Garrel), o sedutor professor de italiano. Em A Bela Junie, todos amam, mas fracassam. Para além do trio, o diretor apresenta, em segundo plano, outros personagens que ocupam boa parte da trama.

    Junie, que namora Otto - o comportado -, é prima de Mathias. Ele namora Esther, mas se descobre gay e apaixonado por Martin, que entra repentinamente na trama. Marie tem um caso com o professor Nemours, que por sua vez se envolve com Junie. Um quase "Joaquim que amava Teresa que amava Raimundo...", o poema Quadrilha de Carlos Drummond de Andrade.

    Truffaut já havia abordado o triângulo amoroso em Jules e Jim - Uma Mulher Para Dois, centrando foco apenas no primeiro plano. Em A Bela Junie, outros personagens em segundo plano tomam forma, mas não estabelecem, de fato, diálogo com o espectador. Por exemplo: Marie se envolveu com Nemours por ver nele o charme do professor "descolado", a figura do homem mais velho ou um envolvimento fugidio? Quem é Martin, o garoto que faz com que Mathias largue Ester e assuma para si próprio a homossexualidade? Além de amar Junie, como Otto vê o mundo? Por que a professora quarentona Florence se apaixona por Nemours, um jovem professor?

    Todos esses personagens tomam considerável tempo na tela, mas são apenas apresentados, en passant, mas não esquadrinhados, desenvolvidos. Fica-se um gosto de "quero mais" em relação a essas histórias individuais ricas, mas que perdem a nuance nas mãos de Honoré.

    Quando se concentra no trio Junie-Otto-Nemours, o diretor consegue êxito. É nele que reside a melhor abordagem do amor que não se realiza. Junie é o símbolo da beleza, assim como Vênus, e atrai o coração dos dois. Mas, assim como na tragédia, não há espaço para realização. Todos amam, mas poucos são felizes.

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