A BRUXA DE BLAIR 2: O LIVRO DAS SOMBRAS

A BRUXA DE BLAIR 2: O LIVRO DAS SOMBRAS

(Book of Shadows: Blair Witch Project 2)

2000 , 90 MIN.

14 anos

Gênero: Terror

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Joe Berlinger

    Equipe técnica

    Roteiro: Dick Beebe, Joe Berlinger

    Produção: Daniel Myrick, Eduardo Sanchez

    Fotografia: Nancy Schreiber

    Trilha Sonora: Carter Burwell

    Estúdio: Artisan Entertainment

    Elenco

    Bob Moore, Erica Leerhsen, Jeffrey Donovan, Kim Director, Lanny Flaherty, Stephen B. Turner, Tristen Skyler

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Desta vez não há enrolações. A seqüência de A Bruxa de Blair não quer convencer ninguém de nada. Diferente do primeiro filme – que foi um verdadeiro caso de Procon -, os produtores desta segunda parte não tentam ludibriar o público divulgando que as filmagens seriam “reais” ou “documentais”. Agora, tudo é assumidamente ficcional, o que já fica explícito logo nos primeiros minutos de projeção. Só por isso, A Bruxa de Blair 2 – O Livro das Sombras já pode ser considerado um filme bem melhor que a primeira parte e bem mais honesto também.

    O roteiro se aproveita do fato – este sim real - da cidadezinha de Burkitisville (onde moraria a tal Bruxa) ter se tornado uma verdadeira Meca para turistas, fãs de terror e sedentos de acontecimentos escabrosos. É neste contexto que Jeffrey (Jeffrey Donovan) resolve montar uma espécie de “city tour” pela floresta, com direito a uma noite na casa (ou o que resta dela), onde se passaram os terríveis acontecimentos do primeiro filme. Quatro incautos turistas se inscrevem no mórbido passeio que – como não poderia deixar de ser – vai trazer conseqüências trágicas.

    Ao contrário do que o título possa sugerir, A Bruxa de Blair 2 tem sim suas qualidades e não é um simples caça-níqueis. Sua narrativa se aproxima muito mais do suspense que propriamente do terror barato e o roteiro é bem superior a similares como Pânico e Eu Sei o Que Vocês Fizeram... O diretor John Berlinger – com larga experiência em documentários – faz de seu filme não apenas mais um terrorzinho adolescente, mas sim uma crítica à indústria da imagem. Nada é o que parece ser e todas as câmeras gravam e filmam inverdades. A mensagem parece direta: jamais devemos acreditar no que vemos através de uma câmera. Seja ela de cinema, de TV, de circuito interno...

    Não é à toa que a última imagem do filme vem acompanhada do grito desesperado: “É mentira!”. E o que seria “mentira”? O que foi visto? O que foi gravado em vídeo? O que foi filmado? A coisa toda? Ou tudo não seria uma grande crítica à espetacular (e mentirosa) jogada de marketing do primeiro A Bruxa de Blair? A resposta fica por conta de cada um.

    Contudo, independente de qualquer subtexto crítico, A Bruxa de Blair 2 oferece aos fãs do gênero uma hora e meia de entretenimento de boa qualidade, que não menospreza a inteligência do público. Berlinger prende a atenção da platéia, realiza com eficiência o jogo da realidade contra a fantasia e não tem a preocupação juvenil de deixar tudo explicadinho. Esqueça o título e curta o filme, sem preconceitos.

    6 de fevereiro de 2001

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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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