A BUSCA

A BUSCA

(A Busca)

2012 , 96 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 15/03/2013

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Luciano Moura

    Equipe técnica

    Roteiro: Elena Soárez, Luciano Moura

    Produção: Andréa Barata Ribeiro, Bel Berlinck

    Fotografia: Adrian Teijido

    Trilha Sonora: Beto Villares

    Estúdio: Globo Filmes, O2 Filmes

    Distribuidora: Downtown Filmes, Paris Filmes, RioFilme

    Elenco

    Brás Moreau Antunes, Lima Duarte, Mariana Lima, Wagner Moura

  • Crítica

    11/03/2013 17h00

    O longa-metragem de estreia de Luciano Moura carece de emoção e o paroxismo disso se dá em sua sequência final, na qual temos dois grandes atores, Moura e Lima Duarte, esbanjando talento dramático sem que o espectador esteja envolvido com o momento. O motivo: o frágil arco dramático desenvolvido ao longo do filme, que não se decide por qual caminho seguir.

    Começa como um drama familiar tenso. Temos um pai, Theo (Moura), em conflito com a mulher, Branca (Mariana Lima), de quem está se separando, e com o filho adolescente, Pedro (Brás Moreau Antunes). O menino desaparece de casa e empreende uma viagem de fuga do universo familiar que desmorona. Ato-contínuo, Theo parte em busca do jovem e, neste momento, o filme ganha ares de thriller psicológico e suspense com os pais atrás de pistas que indiquem o paradeiro do rapaz.

    Daí em diante, A Busca transforma-se num tradicional road movie de autodescoberta, no qual Theo vai rever seus conflitos internos e seu afastamento do próprio pai enquanto segue os passos do filho. O misto de gêneros não é o problema, mas a forma como a trama é conduzida. O arco dramático do filme é mal desenvolvido e o ponto de ebulição da trama, seu desfecho, não condiz com o que vimos progredir até então na tela. Isso decorre muito provavelmente das origens de Luciano Moura, diretor egresso da publicidade, que valoriza a estética e força das cenas em particular sem pensar no todo do filme. Existem várias sequências isoladas na produção que têm pouca força por apresentarem uma ligação muito débil com o conjunto.

    Um exemplo: em determinado momento do filme, Theo chega a um acampamento por onde seu filho passou e se depara com uma jovem prestes a dar à luz - ela teve um rápido affair com o jovem. Ele faz seu parto às margens de um rio numa cena bonita, idílica, mas vazia nela mesma. Pouco diz sobre Pedro, o menino fugitivo, ou sobre Theo, o pai que se descobre. E assim são outras muitas sequências: vazias, fúteis. Wagner Moura se esforça, mas não há nada que possa fazer diante do roteiro problemático. O transtorno do sumiço do filho, assim como as descobertas que faz ao longo do caminho, perdem força dramática graças ao mal desenvolvimento da história .

    A montagem não ajuda. Lucas Gonzaga, que fez um razoável trabalho em 2 Coelhos, não consegue salvar a pátria, talvez nem tenha tentado. A sequência do atropelamento de Wagner Moura, com fades desnecessários, simulando os apagões do impacto e volta à consciência de Theo, parecem trabalho primário. Ao longo do filme existem mais dois fades longos e mal inseridos que denotam ou falta de possibilidades do editor diante das cenas disponíveis ou desapego ao trabalho.

    A Busca sofre ainda com a construção dos coadjuvantes que cruzam o caminho de Theo. O personagem de Ruy Resende, por exemplo, o homem que o atropela, é bem emblemático dos problemas de composição narrativa do filme. Ele entra em cena por um motivo: depois de socorrer o personagem de Moura, o leva para sua casa. Quando Theo pede a ele um lençol ou atadura para enrolar o tórax por causa de uma costela quebrada, este se vê obrigado a abrir um quarto da casa fechado há anos para atender o pedido.

    O porquê disso não se sustenta. Era realmente preciso? Momentos depois, ao deixar Theo num posto de gasolina, diz: “Quando achar seu filho, o leve para casa. Não diga nada, apenas o leve para casa”. O problema é que o breve convívio entre os dois não justifica essa aproximação emocional, o que acaba gerando um efeito dramático nulo. O mesmo acontece com o personagem de Leandro Firmino (o Zé Pequeno de Cidade de Deus), borracheiro que trocou um prato de comida por um desenho feito pelo filho de Theo. Coadjuvante inserido na trama sem nenhuma razão de ser. Nada acrescenta, nada contribui.

    E nessa trajetória insípida chegamos ao fim de A Busca: Wagner Moura e Lima Duarte em cena, olhos rasos d'água, tensão construída na face e a emoção perdida em algum lugar da estrada.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus