A CAÇA

A CAÇA

(Jagten)

2012 , 115 MIN.

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 22/03/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Thomas Vinterberg

    Equipe técnica

    Roteiro: Thomas Vinterberg, Tobias Lindholm

    Produção: Morten Kaufmann, Sisse Graum Jørgensen, Thomas Vintenerg

    Fotografia: Charlotte Bruus Christensen

    Trilha Sonora: Nikolaj Egelund

    Estúdio: Film i Väst, Zentropa Entertainments

    Distribuidora: Califórnia Filmes

    Elenco

    Alexandra Rapaport, Allan Wibor Christensen, Anne Louise Hassing, Annika Wedderkopp, Birgit Petersen, Bjarne Henriksen, Daniel Engstrup, Frank Rubæk, Hana Shuan, Jacob Højlev Jørgensen, Josefine Gråbøl, Jytte Kvinesdal, Karina Fogh Holmkjær, Katrine Brygmann, Lars Ranthe, Lasse Fogelstrøm, Mads Mikkelsen, Nicolai Dahl Hamilton, Nina Christrup, Ole Dupont, Rasmus Lind Rubin, Rikke Bergmann, Sebastian Bull Sarning, Steen Ordell Guldbrandsen, Susse Wold, Søren Rønholt, Thomas Bo Larsen, Troels Thorsen, Øyvind Hagen-Traberg

  • Crítica

    18/03/2013 18h54

    O ser humano acredita estar em um nível superior ao dos outros animais por algumas capacidades extras, como a do raciocínio. Porém, mesmo tendo consciência distinta, não elimina outras etapas de sua evolução. Continua movido pelos instintos mais primários em momentos de angústia e incerteza. A Caça nunca termina.

    O novo drama do diretor Thomas Vinterberg, que adora explorar a questão da convivência em grupos (como fez no ótimo Festa de Família), traz novamente esse argumento à tona de maneira amplificada. As picuinhas do âmbito familiar agora tomam proporção devastadora em uma pequena comunidade.

    Lucas (Mads Mikkelsen) é uma espécie de bode expiatório na trama. Para absorver a experiência do filme, tenha em mente o significado cultural dessa expressão: para purificar o território, os hebreus separavam dois bodes; um era morto e outro designado a carregar os pecados alheios, abandonado no deserto.

    O vilarejo onde A Caça se ambienta vive cheio de dilemas abafados. A pequena Klara tem pais relapsos, sendo um deles o melhor amigo do professor Lucas. Após se separar e perder a guarda do próprio filho, ele tenta reconstruir a vida na pequena comunidade onde trabalha em uma creche. Vendo a situação da menina, a leva para casa quando está perdida e à escola quando nenhum dos progenitores assume tal responsabilidade.

    Com esses gestos, a afeição de Klara pelo novo amigo cresce de forma desmedida e ela acaba por demonstrar esse sentimento. O professor a repreende de forma delicada mas, em meio a um processo de confusão mental, a raiva momentânea da rejeição leva a menina a desabafar seu ódio por Lucas - com alguns detalhes induzindo a ideia de abuso sexual.

    A diretora pede ao professor que tire uns dias de folga. Uma investigação começa a ser conduzida. A notícia se espalha à boca pequena. Não há informações nítidas. A criança sofre pressão para dar respostas. Pronto, o circo está montado.

    Impossível não lembrar de O Processo, clássico da literatura escrito por Franz Kafka. O livro evidenciou uma justiça burocrática e desumana, labirinto no qual ninguém sabe ao certo o que se passa, mas onde o desejo de punição precisa ser levado a cabo. Exatamente a história do bode expiatório na purificação da sociedade.

    Ao contrário da atuação apática em O Amante da Rainha, Mads Mikkelsen está perfeito na pele do professor de personalidade afável, cuja injustiça sofrida inflama a alma com momentos de raiva e desespero. A sutileza e força de interpretação lhe renderam o prêmio de Melhor Ator no último Festival de Cannes.

    Além disso, o dinamarquês está cercado por um elenco notável. Qualquer perspectiva do filme ganha o espectador facilmente, tanto que o faz duvidar de Lucas dependendo de quem comanda a cena. Seja a partir dos olhos de Klara, do filho ou do melhor amigo, o sentimento de cada personagem torna-se uma certeza.

    Assim como todos na comunidade, o protagonista caça cervos por diversão. Interessante notar esse detalhe quando ele passa a ser perseguido por seus semelhantes. Instinto, concepção de grupo e exclusão representam características bem ancestrais. Uma frase dita ao filho em sua primeira caçada consegue traduzir perfeitamente a trama e deixa um desfecho instigante: “Você terá de esperar um pouco, mas os animais voltarão”.

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