A CAMAREIRA DO TITANIC

A CAMAREIRA DO TITANIC

(La Camarera del Titánic / La Femme de Chambre du Titanic)

1997 , 100 MIN.

Gênero: Romance

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Bigas Luna

    Equipe técnica

    Roteiro: Cuca Canals

    Produção: Daniel Toscan du Plantier, Mate Cantero, Yves Marmion

    Fotografia: Patrick Blossier

    Trilha Sonora: Alberto Iglesias

    Elenco

    Aitana Sánchez-Gijón, Didier Bezace, Olivier Martinez, Romane Bohringer

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Com três anos de atraso, finalmente chega aos nossos cinemas o 13o. filme do aclamado cineasta catalão Bigas Luna: A Camareira do Titanic. Não se deixe influenciar pelo título. Esta co-produção entre França, Itália, Alemanha e Espanha nada tem de similar com o famoso Titanic de James Cameron.
    Tudo começa no interior da França. O metalúrgico Horty (Olivier Martinez), após competir numa espécie de “triatlon proletário”, recebe como prêmio o direito de assistir, na Inglaterra, à partida do famoso transatlântico. Meio a contragosto (ele esperava algo mais útil, como dinheiro, por exemplo) o rapaz aceita a premiação, sem saber que na realidade ele embarcaria na maior “viagem” de sua vida.
    Chegando na Inglaterra, o simplório metalúrgico é abordado por Marie (Aitana Sanchez-Gijón), a camareira que dá nome ao filme. Sedutora, ela diz a Horty que não tem onde dormir, e ambos acabam dividindo o mesmo quarto. Na manhã seguinte, Marie desaparece. Entre frustrado e atônito, Horty descobre possuir um enorme talento para fantasiar o que poderia ter acontecido entre os dois. E mergulha na sua imaginação de forma plena, quase obsessiva, contagiando os que compartilham de suas inventivas narrações.
    Cada pessoa do pequeno universo do metalúrgico reage de maneira diferente aos relatos. Os amigos pouco se importam em definir os limites entre realidade e fantasia: para eles, basta a sugestão do sexo que poderia ter acontecido. A esposa se enciúma, mas é capaz de deixar seu sentimento de lado se o talento do marido puder render algum dinheiro. As mulheres da cidade não escondem a curiosidade. E o próprio Horty parece se perturbar pelas fantasias que ele mesmo cria.
    Esta alegoria sobre o poder do mito, sobre o fascínio da ficção, sobre a força da imaginação, recebe uma direção sóbria, romântica e até clássica do ex-“enfant terrible” do cinema espanhol. Estranha quem viu seus filmes anteriores, sempre polêmicos e beirando o underground, como A Teta e Lua, Jamón Jamón, Ovos de Ouro e Lola. Aos 54 anos, Bigas Luna parece um pouco mais “comportado”, menos alternativo, mas – a julgar por A Camareira do Titanic – não menos talentoso.
    Indicado para cinco Goyas (o Oscar espanhol),o filme ganhou três prêmios no Festival de Cinema do Cairo, incluindo o de melhor direção. Merece ser visto.

    08 de setembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão, e do Canal 21.

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