A CASA

A CASA

(La Casa Muda)

2010 , 87 MIN.

14 anos

Gênero: Terror

Estréia: 23/06/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gustavo Hernandez

    Equipe técnica

    Roteiro: Oscar Estévez

    Produção: Gustavo Rojo

    Fotografia: Pedro Luque

    Trilha Sonora: Hernán González

    Estúdio: Tokio Films

    Distribuidora: PlayArte

    Elenco

    Abel Tripaldi, Florencia Colucci, Gustavo Alonso, María Salazar

  • Crítica

    22/06/2011 14h38

    Alfred Hitchcock queria fazer um longa metragem num único plano sequência, sem cortes. Para Festim Diabólico, de 1948, ele planejou, planejou, mas não conseguiu: não havia, em sua época, chassis para câmeras capazes de suportar tanta película assim. Cada take poderia demorar aproximadamente oito ou nove minutos, no máximo, para que o chassis pudesse ser trocado.

    Hitchcock partiu então para alguns “cortes” falsos, tentando criar a ilusão que o plano não havia sido cortado. Era só impressão: Hitchcock fazia sua câmera passear por um quadro totalmente escuro – as costas do paletó preto de um protagonista, por exemplo – para neste momento fazer um corte imperceptível. E mesmo assim o filme apresentava alguns poucos cortes convencionais.

    Muito tempo depois, em 2002, já na era das levíssimas câmeras digitais, Alexandr Sokurov realizou o sonho hitchcockiano do filme rodado num único plano sequência com seu A Arca Russa, com 99 minutos de tomada única. Por Aqui, Gustavo Spolidoro fez seu Ainda Orangotangos também num único plano, cinco anos depois.

    Tudo isso para falar sobre o suspense A Casa, produção uruguaia anunciada como tendo sido gravada em um único plano sequência de cerca de 80 minutos. É possível, mas é muito difícil acreditar numa informação divulgada por uma produtora de cinema, que são empresas sabidamente criadas para produzir ilusões.

    Mesmo porque o filme tem vários momentos de escuridão total que se mostram perfeitos para a execução dos tais cortes falsos, no estilo Hitchcock 1948. De qualquer maneira, se A Casa foi ou não realmente filmada num único fôlego, isso não é de grande importância. A sensação do plano único é preservada.

    Alegadamente baseada num caso real acontecido nos anos 1940, a trama mostra um pai e uma filha chegando a uma casa abandonada e isolada para reformá-la. Como é final de tarde, ambos decidem dormir no andar de baixo, para iniciar os trabalhos na manhã seguinte. Mas estranhos ruídos os fazem perceber que eles não estão sozinhos. Tem início o horror. Ninguém entra, ninguém sai, e a fórmula de sugerir mais que mostrar ganha dimensão ampliada num filme extremamente barato (fala-se em US$ 6 mil de custo) de ambientação única e quatro atores.

    Nem poderia ser diferente num país como o Uruguai, que realiza poucos filmes, mas quando o faz é com simplicidade e qualidade, como Whisky e Gigante, por exemplo. A Casa não chega a tanto. É um interessante exercício de estilo e tem um notável trabalho de câmera que, apesar de estar ininterruptamente em movimento, não chega a desagradável resultado de um A Bruxa de Blair, por exemplo. Mas está longe de alcançar a qualidade dos seus citados conterrâneos.

    O diretor Gustavo Hernández, que também escreveu e montou A Casa (mas se é plano único, vai montar o quê?) demonstra um bom domínio do clima de horror, neste que é seu filme de estreia. Ainda que com um roteiro fraco, consegue envolver o espectador e consegue até alguns bons sustos. Pode não ser muita coisa, mas foi o suficiente para ter sua ideia comprada pelo cinema americano, que já providenciou o remake: ele se chama Silent House e foi exibido no Festival Sundance do inicio deste ano, onde obteve críticas razoáveis. Esses gringos realmente não dormem no ponto.

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