A CASA VERDE

A CASA VERDE

(A Casa Verde)

2010 , 72 MIN.

Gênero: Animação

Estréia: 30/04/2010

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Paulo Nascimento

    Equipe técnica

    Roteiro: Paulo Nascimento

    Produção: Marilaine Castro da Costa

    Fotografia: Roberto Laguna

    Trilha Sonora: Duca Leindecker

    Estúdio: Accorde Filmes

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Alice Nascimento, Fernanda Moro, Ingra Liberato, Nicola Siri, Zé Victor Castiel

  • Crítica

    28/04/2010 12h31

    Um país que tenha como objetivo se tornar um grande produtor cinematográfico necessita, entre outras coisas, cuidar daquilo que se convencionou chamar de “formação de plateia”. Ou seja, da produção de filmes nacionais infantis e infanto-juvenis, de qualidade, que aos poucos consigam passar para o público jovem a forma brasileira de pensar, de agir e de entender cinema.

    Ou seja, se uma geração cresce vendo apenas produtos audiovisuais de uma única estética (no caso brasileiro, a estética americana), esta mesma geração terá sérias dificuldades de absorver novas, diferentes e certamente mais criativas formas de se fazer cinema, no futuro. Ou, trocando em miúdos, você não deixaria seu filho comer somente hot dog e hambúrguer a vida inteira, deixaria? É preciso abrir os “paladares” culturais da garotada, para uma formação artística mais plena e mais satisfatória.

    OK, falar tudo isso é fácil. Difícil mesmo é fazer filmes infantis e infanto-juvenis de qualidade. Principalmente para este tipo de plateia, que já nasceu imersa em quantidades industriais de informação audiovisual. O cineasta gaúcho Paulo Nascimento tentou. Depois de Diário de um Novo Mundo, Valsa para Bruno Stein e de Em Teu Nome (que estreia em 28 de maio), Nascimento deixou um pouco de lado o cinema dito “adulto” para escrever e dirigir A Casa Verde, especialmente para jovens e crianças. A trama começa com um desenhista em crise criativa que não consegue desenvolver a história em quadrinhos que está devendo para sua editora. Para resolver a situação, os próprios personagens da história assumem o poder da trama, e mesmo presos aos limites fiscos da prancheta do artista, fazem o possível para derrotar o vilão Jordão, um empresário do lixo que quer poluir toda a região.

    Nesta luta contra o Mal, engajam-se um professor, uma dupla de lixeiros, uma garotinha chamada Nerd 1, e sua amiga virtual chamada simplesmente de “Eu”.

    Esteticamente, o filme busca a linguagem dos quadrinhos, inclusive assumindo abertamente não só cores e texturas dos gibis, como também ritmos e pontuações sonoras típicas de desenhos animados. Porém, ainda que recheada de boas intenções, a tentativa de Paulo Nascimento esbarra num excesso de didatismo e num tipo de ingenuidade narrativa que dificilmente encontrará eco junto ao (exigente) público mirim de hoje. Politicamente correto em excesso, falta sutileza ao humor e também à própria trama.

    Mas, sem dúvida, é um caminho que não deve ser abandonado pelo cinema brasileiro, por mais difícil que seja a sua execução e o seu mercado.

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