A CHAVE DE SARAH

A CHAVE DE SARAH

(Elle s'appelait Sarah/ Sarah's Key)

2011 ,

Gênero: Suspense

Estréia: 18/11/2011

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Gilles Paquet-Brenner

    Equipe técnica

    Roteiro: Gilles Paquet-Brenner, Serge Joncour

    Produção: Stéphane Marsil

    Fotografia: Pascal Ridao

    Trilha Sonora: Max Richter

    Distribuidora: Imagem Filmes

    Elenco

    Aidan Quinn, Alexandre Le Provost, Alice St. Clair, Arben Bajraktaraj, Brooke Liddell, Céline Caussimon, Charlotte Poutrel, Christian Vurpillot, Claudine Acs, Dan Herzberg, Dominique Frot, Franck Beckmann, Franck Chilly, François D'Aubigny, Frédéric Pierrot, Frederick Guillaud, George Birt, Gérard Couchet, Gilles Louzon, Gisèle Casadesus, Jacqueline Noëlle, James Gerard, Jean-Pierre Hutinet, Joanna Merlin, Jonathan Kerr, José Fumanal, Joseph Rezwin, Julie Fournier, Karina Hin, Kate Moran, Kiley Liddell, Kristin Scott Thomas, Loïc Risser, Marco Florio, Mark Fairchild, Matthias Kreß, Maurice Lustyk, Maxim Driesen, Melinda Wade, Mélusine Mayance, Michel Duchaussoy, Naëva Lissonnet, Nancy Tate, Natasha Mashkevich, Nicolas Seconda, Niels Arestrup, Paige Jennifer Barr, Paul Mercier, Pierre Nahori, Robert Potsztein, Rosa Herzberg, Sarah Ber, Serpentine Teyssier, Simon Eine, Sophie Piccioto, Stéphane Charond, Stéphanie Gesnel, Sylviane Fraval, Tatiana De Rosnay, Viktoria Li, Vinciane Millereau, Xavier Beja, Yasmine Ghazarian

  • Crítica

    18/11/2011 17h00

    Quatro jornalistas se encontram na reunião de pauta de uma revista parisiense. Um homem e uma mulher de meia idade, um rapaz e uma garota bem jovens. O homem de meia idade propõe uma matéria sobre a violenta deportação de judeus franceses, acontecida em Paris, durante a 2ª Guerra. Os jovens desconhecem totalmente o fato. O rapaz sugere que se busquem em arquivos fotos da deportação, e imediatamente é informado que não há nenhuma imagem sobre isso. Ele estranha: “Como assim? Os nazistas documentavam tudo o que faziam”. A mulher de meia idade intervém: “Você não está entendo. Não foram os nazistas que fizeram isso. Fomos nós mesmos, os franceses”.

    É este viés de “mea culpa” que torna o belo drama francês A Chave de Sarah diferenciado de tantos outros já feitos sobre o tema. Não é “apenas mais um filme sobre o Holocausto”, mas uma dolorida tomada de consciência do infame colaboracionismo francês na 2ª Guerra.

    A jornalista de meia idade é Julia (Kristin Scott Thomas, de O Paciente Inglês), americana radicada em Paris que pesquisa o caso Vel d´Hiv, onde milhares de judeus foram confinados, em condições sub-humanas, no Velódromo de Inverno de Paris, à espera da morte. Enquanto desenvolve sua matéria, Julia toma contato com a terrível história de Sarah, uma menina judia que sobreviveu ao caso. O filme se desdobra alternadamente em dois tempos: nos dias atuais, onde Julia é a protagonista, e em 1942, com o desenrolar do drama de Sarah (magnificamente interpretada por Mélusine Mayance, que também está em Ricky, de Ozon).

    Obviamente, é preciso ser muito coração de pedra para conter as lágrimas. Por mais que saibamos – de antemão – que estamos caindo na conhecida cilada de ver crianças sendo brutalmente arrancadas de suas famílias. Famílias, aliás, que jamais voltarão a ver. Pode-se até classificar o tema como armadilha sentimental, mas fazer o que se tudo aquilo foi verdade? A emoção é inevitável. O diretor Gilles Paquet-Brenner não prima exatamente pela sutileza, e o roteiro, desenvolvido a partir do livro de Tatiana de Rosnay, nos propõe algumas ”coincidências” nem sempre fáceis de serem aceitas. Além da narrativa perder um pouco de fôlego no final.

    Contudo, são problemas menores que se relevam diante da importância do tema. Numa época onde a intolerância contra os “diferentes” (leia-se imigrantes) cresce em proporções violentas, parece ser muito oportuno relembrar – principalmente para os mais jovens, que desconhecem os caminhos da História – os desmandos cometidos em nome de um pensamento radical que varreu parte da sociedade ocidental há não muito tempo. Parece ser muito oportuno traçar um paralelo entre as atrocidades que o tempo preferiu creditar a um único Hitler, como este novo momento intolerante que cresce dentro do Hitler que existe dentro de cada um.

    A Chave de Sarah ganhou os prêmios de Público e de Direção no Festival de Tóquio. Leve lenços de papel.

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