A Chegada

A CHEGADA

(Arrival)

2016 , 116 MIN.

10 anos

Gênero: Drama

Estréia: 24/11/2016

página inicial do filme
  • Ficha técnica

    Direção

    • Denis Villeneuve

    Equipe técnica

    Roteiro: Eric Heisserer

    Produção: Aaron Ryder, Dan Levine, David Linde, Karen Lunder, Shawn Levy

    Fotografia: Bradford Young

    Trilha Sonora: Jóhann Jóhannsson

    Estúdio: 21 Laps Entertainment, FilmNation Entertainment, Lava Bear Films

    Montador: Joe Walker

    Distribuidora: Sony

    Elenco

    Abigail Pniowsky, Amy Adams, Anana Rydvald, Andrew Shaver, Forest Whitaker, Jeremy Renner, Joe Cobden, Julia Scarlett Dan, Julian Casey, Larry Day, Leisa Reid, Mark O'Brien, Max Walker, Michael Stuhlbarg, Nathaly Thibault, Pat Kiely, Philippe Hartmann, Russell Yuen, Ruth Chiang, Tzi Ma

  • Crítica

    18/11/2016 18h48

    Por Daniel Reininger

    A Chegada é um filme incrível. Mesmo com elementos reconhecíveis de clássicos como Contatos Imediatos Do Terceiro Grau, 2001: Uma Odisseia No Espaço, Distrito 9Interestelar consegue trazer algo novo ao gênero e ainda ser inteligente e capaz de surpreender.

    Profundo, esse sci-fi é capaz de alternar momentos de drama e suspense com atuações fantásticas, principalmente de Amy Adams, que se torna uma grande concorrente ao maior prêmio do cinema no papel de Louise, linguista encarregada de se comunicar com os aliens. Esse é sem dúvida um dos melhores filmes do ano até aqui e, de forma justa, um dos principais concorrentes ao Oscar 2017.

    Na história, os visitantes chegam em 12 naves e pairam sobre 12 locais distintos e aparentemente aleatórios da Terra. A cada 18 horas uma porta se abre a fim de permitir interação entre humanos e os seres de outro planeta. Como a comunicação parece beirar o impossível, Louise, que já trabalhou para o governo dos EUA anteriormente, é trazida ao local de uma das naves, localizada em Montana, para tentar iniciar algum tipo de comunicação efetiva.

    Toda a construção da trama até o primeiro encontro é simplesmente fantástica, com tensão crescente e ambientação primorosa. Quando a protagonista encontra os ETs, de aparência e atitudes verdadeiramente alienígenas para nossa compreensão imediata, sua reação é tão real quanto podemos esperar e mostra a força da atuação de Amy. Além disso, a forma como esse primeiro momento termina abruptamente é a maneira ideal de fechar esse arco, afinal, o que interessa até aí é a reação de Louise. Show de direção de Denis Villeneuve (Sicario: Terra De Ninguém).

    A partir daí, a forma como os dois lados interagem é desenvolvida de modo interessante e cada avanço na comunicação é percebido com facilidade pelos espectadores, sem necessidade de superexposição da história. O ritmo da narrativa ajuda a manter o suspense, sem pressa, e, aos poucos, a trama aprofunda temas como a incapacidade humana de entender o diferente e a dificuldade de confiarmos uns nos outros. A forma como Louise é capaz de transpor essas barreiras ao longo de toda a história é um dos pontos altos da obra.

    A tensão entre os países e a pressão da opinião pública, em pânico com a possível aniquilação da humanidade, garante senso de urgência à obra. A cada novo desenvolvimento fora da nave fica clara a importância do trabalho da linguista ser bem-sucedido, mas ela precisa agir a tempo de evitar uma catástrofe.

    O longa ainda é capaz de trabalhar questões filosóficas, políticas, proporcionar a sensação de que o futuro da humanidade depende daquela conversa e, ainda assim, manter a história extremamente intima para a personagem de Amy Adams, em especial quando trata do passado, presente e futuro da personagem.

    + Confira nosso Especial do Oscar 2017

    A forma como o roteiro não se aprofunda na resolução linguística em si e sim nas consequências de cada descoberta funciona para não entediar o espectador com detalhes, apesar de alguns momentos parecerem forçados para a história seguir adiante. Em outras cenas, a forma como o medo faz a humanidade recorrer à violência beira o clichê.

    Entretanto, as revelações finais são impactantes e, em última análise, tristes, mas também capazes de gerar esperança. Denis Villeneuve se mostra cada vez mais um grande diretor e entrega uma ficção-científica de qualidade, visualmente bela, com CGI realista e fotografia de tirar o fôlego, além de fazer uso de luzes e sombras de forma dramática e ser capaz de proporcionar um ar etéreo quando necessário.

    A Chegada é ótimo graças à forma como roteiro, direção, atuação, visual, efeitos sonoros e trilha trabalham em conjunto para garantir uma obra inteligente e provocativa, sem deixar o entretenimento de lado. Mesmo com elementos reconhecíveis de outros filmes do gênero, a obra é capaz de andar com suas próprias pernas e levantar importantes questões, sem medo de entrar em temas complexos, conduzido por uma protagonista poderosa. É uma obra que, simplesmente, deve ser vista.

Deixe seu comentário
comments powered by Disqus