A CIDADE É UMA SÓ?

A CIDADE É UMA SÓ?

(A Cidade É Uma Só?)

2011 , 79 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 12/07/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Adirley Queirós

    Equipe técnica

    Roteiro: Adirley Queirós

    Produção: Adirley Queirós, André Carvalheira

    Fotografia: Leonardo Feliciano

    Montador: Marcius Barbieri

    Distribuidora: Vitrine Filmes

  • Crítica

    09/07/2013 04h00

    Este híbrido de documentário e ficção assemelha-se muito com um de seus protagonistas, Dildu, um tipo boa praça, cheio de boas intenções, interessante por vezes, mas ingênuo e tacanho na execução de seus objetivos. Como o pobre faxineiro e sua campanha política sem dinheiro, objetivo ou plano de governo, A Cidade é uma Só? é repleto de fraquezas narrativas e de desenvolvimento de argumento. Taxia, taxia e nunca decola.

    É fácil apontar o porquê. Era originalmente um projeto para a DocTV, sobre o processo de exclusão social em Brasília, que o diretor Adirley Queirós resolveu levar ao cinema. O ajuste, no entanto, não obteve êxito. Soa mais como uma gambiarra pouco azeitada que a montagem ajuda a piorar. Gera interesse quando documenta a chamada Campanha de Erradicação de Invasões (CEI) que, em 1971, removeu os barracos que ocupavam os arredores da então jovem Brasília. Em sua parte ficcional, é irregular.

    Tendo Ceilândia como pano de fundo, os personagens do filme vivem e refletem as transformações da cidade satélite e da moderna capital federal, onde ficam evidentes as relações de classe, o espaço dividido entre o centro elitista e desenvolvido e as periferias decadentes, a especulação imobiliária e a representação política deficiente.

    Além de Dildu, temos seu cunhado, um corretor de imóveis que cruza a cidade atrás dos cada vez mais caros e escassos lotes à venda. Conhecemos também Nancy - única personagem real - removida ainda pequena para Ceilândia. Na época, fez parte de um grupo de crianças convocadas pelo governo para gravar o jingle "A cidade é uma só", música que aludia ao discurso de um novo momento político e econômico, um modelo de convivência social com "cidadãos iguais" habitando uma capital promissora.

    É desse encontro entre o passado documentado, revelado pela memória dos que viveram a época e reportagens em jornais e televisão, e o presente vivido por personagens ficcionais, que se sustenta o filme. Sustenta-se, a bem da verdade, de forma claudicante, principalmente em sua primeira metade. Como a montagem não ajuda, o filme demora a engrenar e seus personagens a ganhar a simpatia do público. A Cidade é uma Só? até consegue levar alguma reflexão crítica para o espectador, mas percorre um longo e tortuoso caminho para isso.

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