A CONQUISTA DA HONRA

A CONQUISTA DA HONRA

(Flags of Our Fathers)

2006 , 132 MIN.

16 anos

Gênero: Ação

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Clint Eastwood

    Equipe técnica

    Roteiro: Paul Haggis, William Broyles Jr.

    Produção: Clint Eastwood, Robert Lorenz, Steven Spielberg

    Fotografia: Tom Stern

    Trilha Sonora: Clint Eastwood

    Estúdio: Amblin Entertainment, DreamWorks SKG, Malpaso Productions

    Elenco

    Adam Beach, Andri Sigurðsson, Benjamin Walker, Gunnarr Baldursson, Jamie Bell, Joey Allen, Jon Kellam, Ken Watanabe, Michael Ahl, Patrick Dollaghan, Paul Walker, Ryan Phillippe, Thomas McCarthy

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    "A primeira vítima de toda e qualquer guerra é sempre a verdade". A frase - atribuída ao senador norte-americano Hiram Johnson, em 1917 - não só é das mais acertadas como também das mais proféticas. Daquela época até hoje, os governos desenvolveram mecanismos cada vez mais sofisticados para encobrir e deturpar a verdade, principalmente em tempos de guerra. "O Iraque tem armas de destruição em massa" é um dos mais recentes e explícitos ataques à verdade.

    O novo filme de Clint Eastwood, A Conquista da Honra, esmiúça com o talento e a precisão cinematográfica típicos do diretor uma das mais marcantes mentiras bélicas cometidas durante a Segunda Guerra Mundial: a célebre fotografia dos soldados americanos hasteando a bandeira pátria no alto do Monte Suribachi, durante a sangrenta batalha de Iwo Jima. Trata-se de uma das imagens mais marcantes do conflito, na qual cinco fuzileiros e um membro do corpo médico da marinha norte-americana erguem a bandeira que ao mesmo tempo simboliza a tomada da ilha e dá um novo moral a toda a nação. Publicada em vários jornais, a foto se transforma em sucesso instantâneo e é imediatamente capitalizada pelos marqueteiros da época (sim, eles já existiam), que vêm na bela imagem uma oportunidade única de alardear a sucesso das tropas norte-americanas. Porém, ao tentar transformar a fotografia em instrumento publicitário, vêm à tona todas as histórias podres que envolveram o fato, mentiras, injustiças e crueldades que devem ser radicalmente escondidas da população.

    O roteiro é baseado no livro Flags of Our Fathers, publicado em 2000 e escrito por James Bradley e Ron Powers. James é filho de John "Doc" Bradley (vivido no filme por Ryan Phillippe), enfermeiro da Marinha e um dos principais envolvidos no caso da bandeira. O próprio James só ficou sabendo do ocorrido muitos anos após o término da guerra, já que o próprio pai se recusava a tocar no assunto. Assim, a produção opta por não contar a história de forma cronológica e sim em vários níveis de tempo, alternando flash-backs e exigindo do público uma boa dose de concentração.

    Ao final de 130 minutos de projeção, as idas e vindas podem até ter fatigado os olhares da audiência, mas o resultado é extremamente gratificante: A Conquista da Honra é um estudo sobre a manipulação política do homem comum, a falta de escrúpulos que norteia os donos do poder, e sobre a maneira pela qual a mídia se sobrepõe a todo e qualquer tipo de verdade. Tematicamente, lembra bastante Os Eleitos (1983), de Phillip Kaufman.

    Esteticamente, o filme também é dos mais competentes, com uma ótima fotografia dramática de Tom Stern (o mesmo fotógrafo dos filmes mais recentes de Eastwood) utilizando belos e contrastantes tons de azul, cinza e preto.

    Um dos pontos mais interessantes de todo o projeto reside no fato de Eastwood ter se dedicado de corpo e alma à pesquisa histórica, não apenas lendo muito sobre a batalha, como também conversando com veteranos dos dois lados. Tamanha pesquisa resultou num segundo filme que o próprio Eastwood produziu e dirigiu concomitantemente a A Conquista da Honra: Cartas de Iwo Jima, falado em japonês, que conta o outro lado da história.

    Com locações na Islândia, A Conquista da Honra tem custos estimados de US$ 55 milhões e é a produção é assinada a quatro mãos pelo próprio Eastwood ao lado de ninguém menos que Steven Spielberg. Na verdade, quando Eastwood desejou comprar os direitos do livro, foi informado que os mesmos já pertenciam a Spielberg, que, por sua vez, não havia até então aprovado nenhum roteiro que lhe fosse satisfatório. Ambos resolveram se associar no projeto. O nome de Spielberg nos créditos iniciais gera inevitáveis comparações com O Resgate do Soldado Ryan, mas, fora o fato de ambos tratarem de temas relacionados à Segunda Guerra Mundial, cinematograficamente não há muitos pontos em comum. A Conquista da Honra é bem superior ao filme dirigido por Spielberg. Tem mais política, um roteiro bem mais completo, mais elaboração na construção dos personagens, traz um subtexto mais rico e uma direção mais sutil. Talvez por isso não tenha sido um grande sucesso nas bilheterias dos EUA.

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