A COPA

A COPA

(Phorpa / The Cup)

1999 , 94 MIN.

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Khyentse Norbu

    Equipe técnica

    Roteiro: Khyentse Norbu

    Produção: Hooman Majd, Jeremy Thomas

    Fotografia: Paul Warren

    Trilha Sonora: Douglas Mills

    Elenco

    Godu Lama, Jamyang Lodro, Kunzang Nyima, Lama Chonjor, Neten Chokling, Orgyen Tobgyal

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Se um respeitável Lama do Tibete fosse fazer um filme, qual você acha que seria o tema do roteiro? Meditação? Religiosidade? Introspecção? Nada disso! O venerável Lama tibetano Khyentse Norbu aventurou-se a escrever e dirigir um longa-metragem e escolheu como assunto de sua estréia nada menos que a Copa do Mundo de Futebol de 1998. O filme se chama A Copa, é uma co-produção entre a Austrália e o Butão (é isso mesmo, Butão) e está estreando este final de semana nos cinemas do Brasil.

    Norbu começou a tomar contato direto com o cinema quando conheceu Bernardo Bertolucci durante as filmagens de O Pequeno Buda. Entusiasmado pela experiência, realizou dois curtas, em 95 e 96, e em 98 escreveu e dirigiu A Copa, seu primeiro longa. Com muita simpatia e bom humor, a história fala de dois garotos educados sob a rígida disciplina de um monastério budista. Apesar de respeitarem a religiosidade, eles têm um sonho em comum: assistir à Copa do Mundo. E para isso estão dispostos até a fugir do mosteiro.

    O monge/cineasta não vê conflito nenhum entre a religião e o cinema. Em entrevista recente, ele declarou que as pessoas se esquecem que os monges também são seres humanos. E acrescentou: “Cresci num mosteiro e durante estes anos notei que os monges são obcecados por futebol”. Desta forma, não é de estranhar que o caso dos garotos que fogem do mosteiro por causa do futebol seja baseado em fatos reais.

    Alegre, alto astral, divertido, leve, A Copa fica a quilômetros de distância da reverência formal de outros filmes passados na região do Himalaia, casos de Kundun e Sete Anos no Tibet. Como primeiro longa produzido no Butão, é também a primeira vez que a cultura daquele país se expressa na tela grande através de um representante próprio, e não mais através do ponto de vista do cineasta forasteiro. Prova, mais do que nunca, que cinema é cultura. No maior e mais completo significado que a palavra possa comportar.



    14 de dezembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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