A CRIANÇA

A CRIANÇA

(L'Enfant)

2005 , 95 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

    Equipe técnica

    Roteiro: Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

    Produção: Denis Freyd, Jean-Pierre Dardenne, Luc Dardenne

    Fotografia: Alain Marcoen

    Elenco

    Déborah François, Fabrizio Rongione, Jérémie Renier, Jérémie Segard, Mireille Bailly, Olivier Gourmet, Stéphane Bissot

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    São pouquíssimos os cineastas que ganharam duas vezes a cobiçada Palma de Ouro no Festival de Cannes. Entre eles estão os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne. Quem? Praticamente inéditos no circuito comercial brasileiro, totalmente desconhecidos do grande público nacional e assíduos freqüentadores das premiações internacionais, os belgas iniciaram a carreira como documentaristas e, até o momento, realizaram seis filmes de ficção. Na bagagem, quatro prêmios em Cannes, sendo duas Palmas de Ouro, uma por A Criança e outra pelo ainda inédito por aqui Rosetta. A média é impressionante.

    Neste sexto longa de ficção da dupla, a jovem Sonia (a estreante Déborah François) acaba de dar à luz um menino e o leva até o pai, Bruno (Jérémie Renier, de O Pacto dos Lobos e Faz de Conta que eu Não Estou Aqui), um ladrão pé-de-chinelo que vive nas ruas, de albergue em albergue. Bruno não dá a menor importância ao bebê, contrariamente à mãe, que está radiante e eufórica com o garoto. O egocentrismo de Bruno e sua necessidade de aplicar golpes são tamanhos que o rapaz encontra no próprio filho recém-nascido uma forma - cruel - de fazer dinheiro. Maldade? Não é este o enfoque dado pelo filme. O roteiro (também dos irmãos Dardenne) opta mais pelo despojado, por um descaso tão gigantesco que soa irreal. Por uma frieza tão injustificável que beira o absurdo. É a falta de valores da humanidade atual em seu grau extremo.

    Na melhor tradição do cinema francês pós-nouvelle vague, a câmera vai escancaradamente para a rua. Persegue seus personagens, balança freneticamente e espia por meio deles. A unidade dramática se concentra totalmente no casal. Talvez por tudo isso, ou talvez até por Jérémie Renier lembrar fisicamente a juventude de Jean-Paul Belmondo, A Criança remete a Acossado, de Jean-Luc Godard. Despojado e cru, o filme gera um clima de tensão constante ao caminhar o tempo todo pela frágil fronteira da tragédia. Há um clima de desespero anunciado que trava a respiração da platéia. Não por acaso, os Dardenne acenam com uma profusão de cenas nas quais os protagonistas atravessam irresponsavelmente as mais movimentadas avenidas.

    Irresponsabilidade é, por sinal, um dos temas mais presentes no filme. Como se percebe, não é só pela sua estética "nouvelle vaguista" que A Criança incomoda. Talvez a Palma de Ouro, prêmio máximo do cinema, seja um exagero, principalmente num ano que o ótimo Cachê também competia. De qualquer forma, é um filme perturbador. Em sua forma e conteúdo.

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