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A CULPA É DAS ESTRELAS

(The Fault in Our Stars, 2014)

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04/06/2014 15h44
por Gustavo Assumpção

"As marcas que os seres humanos deixam são, com frequência, cicatrizes" - é o que diz em determinado momento a protagonista de A Culpa É Das Estrelas, adaptação do romance de John Green que vendeu mais de 1,2 milhão de unidades aqui no Brasil.

A frase não poderia ser mais propícia para ilustrar a bela e tocante história de amor entre os adolescentes Hazel Grace (Shailene Woodley) e Augustus Waters (Ansel Elgort), dois portadores de tipos diferentes de câncer e condenados a enfrentar tão cedo a possibilidade de perderem a vida. Ela, a típica menina tímida e introvertida, ele, o cara engraçado e popular, estereótipos vindos de filmes colegiais que vemos no cinema há décadas.

Mas há aqui uma mudança de tom: o roteiro segue de perto o melodrama por vezes exagerado da obra original, alternando momentos de extrema euforia e romance com outros de profundo choque e depressão. Essa alternância, porém, é feita sempre de forma sutil, resultado da direção delicada de Josh Boone (Ligados Pelo Amor), que dá fôlego, intensidade e principalmente emoção para uma trama que se conecta sem esforços com o espectador.

É bem verdade que a escolha dos atores principais se mostrou a decisão mais acertada da adaptação. Shailene Woodley, uma das atrizes em ascensão em Hollywood, soube transmitir toda a fragilidade necessária para sua personagem e por vezes consegue expressar sentimentos sem dizer qualquer palavra – nenhuma surpresa para quem já tinha visto todo o seu talento em filmes como Divergente e Os Descendentes.

A surpresa fica por conta do jovem Ansel Elgort, que acertou o tom e deu vida a um Augustus teatral, mas extremamente carismático. Destaque também para a participação do veterano Willem Dafoe como um escritor bêbado e ranzinza, um tipo abraçado pelo ator com vontade.

Mas é impossível negar: A Culpa É das Estrelas ainda sofre do mesmo mal que aflige filmes direcionados ao público mais jovem. Por vezes didático, não ousa em sua narrativa, o que acaba tornando algumas sequências longas e entediantes demais.

De resto, está tudo aqui: um casal fofo, um conflito que pode impedi-los de permanecer juntos, frases de efeito e meia dúzia de músicas depressivas de bandas que quase ninguém conhece. A Culpa é das Estrelas segue perfeitamente a cartilha dos filmes com intenção de levá-lo as lágrimas.

Mas há algo a mais. Emocionalmente sincero, o longa nos conta uma bela história com delicadeza e impacto, algo por vezes raro em filmes deste gênero. Prepare o lenço, você vai precisar.

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