À DERIVA

À DERIVA

(À Deriva)

2008 ,

14 anos

Gênero: Drama

Estréia: 31/07/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Heitor Dhalia

    Equipe técnica

    Roteiro: Heitor Dhalia

    Produção: Matias Mariani

    Fotografia: Ricardo Della Rosa

    Trilha Sonora: Antonio Pinto

    Estúdio: O2 Filmes

    Elenco

    Camilla Belle, Débora Bloch, Laura Neiva, Vincent Cassel

  • Crítica

    30/07/2009 13h20

    Heitor Dhalia estreou na direção de um longa-metragem em Nina (2004), cujo roteiro é livremente inspirado no livro Crime e Castigo, de Fiódor Dostoievski; seu segundo filme, O Cheiro do Ralo (2007), teve como base o livro homônimo de Lourenço Mutarelli. À Deriva, seu terceiro filme, é também seu projeto mais pessoal. O roteiro, escrito com parceira da cineasta Vera Egito (Espalhadas Pelo Ar), é baseado em experiências do próprio diretor, que viveu por alguns anos na praia durante a infância, quando testemunhou o divórcio dos pais.

    À Deriva acompanha, por meio do olhar de uma menina de 14 anos, Felipa (Laura Neiva), a dissolução do casamento de seus pais (o francês Vincent Cassel e Débora Bloch). Existe uma cumplicidade quase incestuosa entre pai e filha, relação que acaba se desgastando quando ela descobre que o pai está tendo um caso com uma moradora local (Camila Belle). Ao mesmo tempo, Felipa reflete na descoberta do caso do pai a sua própria descoberta no sentido da sexualidade. Desta forma, Dhalia desenvolve uma trama complexa, amparado por uma fotografia deslumbrante e locações magníficas, sempre mantendo a ideia de que o fio condutor dessa história é a menina. Aliás, esteticamente, À Deriva é bastante competente. A direção de arte e o figurino – assinado pelo estilista Alexandre Herchcovitch – desempenham o papel de não datar de uma forma óbvia os acontecimentos da trama, dando um aspecto ao mesmo tempo moderno e vintage ao visual dos personagens e ambientes.

    As atuações, principalmente de Débora e de Laura, dão a delicadeza necessária ao filme. O fato de Laura ser estreante e ter somente 15 anos impressiona mais ainda. O longa – cuja primeira exibição ocorreu durante o prestigiado Festival de Cannes, na mostra Um Certo Olhar - tem muitos closes, é bem intimista, e seu carisma junto à câmera é evidente. Por isso, nada mais natural do que esperar mais trabalhos desta jovem atriz.

    Em muitos momentos, À Deriva lembra Respiro, produção franco-italiana ambientada na cidade litorânea de Lampedusa (uma ilha a oeste da Sicília, na Itália), com uma subtrama relacionada a um menino que encara mudanças familiares difíceis. A relação entre os dois filmes se dá não somente na temática semelhante, mas principalmente no uso das locações e na forma como o personagem principal circula por elas. Em várias situações, o diretor usa cenas aquáticas, abre e fecha o filme com os personagens boiando no mar. Ou à deriva. Os próprios personagens também parecem se encontrar à deriva em suas próprias vidas, mais reagindo ao que encontram do que agindo, caminhando para uma transformação gradativa na fuga dessa situação passiva.

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