A ERA DA ESTUPIDEZ

A ERA DA ESTUPIDEZ

(The Age of Stupid)

2009 , 99 MIN.

12 anos

Gênero: Documentário

Estréia: 22/09/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Franny Armstrong

    Equipe técnica

    Roteiro: Franny Armstrong

    Produção: Lizzie Gillett

    Fotografia: Lawrence Gardner

    Trilha Sonora: Chris Brierley

    Estúdio: Spanner Films

    Distribuidora: Moviemobz

  • Crítica

    22/09/2009 15h17

    Não é exatamente uma estreia comercial de cinema, como estamos acostumados a ver, mas sim um ato ecológico: neste dia 22 de setembro, mais de 40 países participarão da première mundial de A Era da Estupidez, documentário que tem por finalidade chamar a atenção do mundo para os terríveis efeitos do aquecimento global. No Brasil, o filme será exibido em sessão única nos cinemas de onze cidades; São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Salvador, Fortaleza, Juiz de Fora, Curitiba, Santos e Porto Alegre.

    A iniciativa é das mais louváveis, mas esbarra numa característica que cada vez mais parece intrínseca e alienável do ser humano: a quase total impermeabilidade às campanhas publicitárias de cunho social. “Se beber, não dirija”, “Use camisinha” “Verifique a classificação etária do filme”, “Ao persistirem os sintomas o médico deve ser procurado”, “Pirataria é Crime”... Alguém em sã consciência acaba realmente levando a sério este tipo de didatismo imperativo ou são palavras de ordem que terminam por se diluir no imaginário coletivo?

    O mesmo acontece com A Era da Estupidez. Todos sabemos que estamos fazendo tudo errado. Mas a vizinha ao lado continua desperdiçando água lavando a calçada com a mangueira. Só a vizinha ao lado. Nós, jamais. Continuamos produzindo lixo feito loucos e consumindo o máximo que a nossa renda permite. E, infelizmente, não será um filme que mudará este comportamento egoísta típico desta nossa Era do Individualismo.

    Não que a A Era da Estupidez seja um mau filme. A premissa é até interessante. Ele começa como ficção, ambientado em 2055, numa torre gigantesca que guarda dentro de si tudo o que sobrou da arte, cultura e conhecimento humanos, após uma onda de calor que devastou a humanidade. Nesta torre, há um arquivista solitário (Pete Postlethwhaite) que fará o papel de “mestre de cerimônias” do filme, que logo muda de formato e se transforma em documentário. Por meio de trechos de telejornais e de depoimentos de alguns personagens-chave (um guia turístico na Suíça, um empresário na Índia, etc,), o arquivista nos “revela” aquilo tudo que já sabemos: o aquecimento global está destruindo nosso planeta de maneira (quase?) irreversível. E é neste momento que o filme assume abertamente seu caráter discursivo, didático e alarmista. Ou, como preferem alguns, “Ecochato”.

    Pior: o que A Era da Estupidez traz de mais importante e de mais significativo fica perdido no meio dos créditos finais, sem legendas em português, no momento em que todo mundo já saiu da sala: um letreiro informa que o filme faz parte de um esforço conjunto para influenciar os principais líderes políticos mundiais a assinarem, em dezembro de 2009, na 15ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima, em Copenhagen. E traz um site para que as pessoas participem. O endereço do site? Evidentemente não memorizei. Se o filme é publicitário (e é), comete esta tremenda falha de marketing.

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