A ERA DA INOCÊNCIA

A ERA DA INOCÊNCIA

(L'Âge des Ténèbres)

2006 , 104 MIN.

16 anos

Gênero: Comédia Dramática

Estréia: 29/02/2008

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Denys Arcand

    Equipe técnica

    Roteiro: Denys Arcand

    Produção: Daniel Louis, Denise Robert

    Fotografia: Guy Dufaux

    Trilha Sonora: Philippe Miller

    Elenco

    André Robitaille, Bernard Pivot, Caroline Néron, Christian Bégin, Diane Kruger, Didier Lucien, Emma de Caunes, Hugo Giroux, Jean-René Ouellet, Laurent Baffie, Macha Grenon, Marc Labrèche, Rosalie Julien, Rufus Wainwright, Sylvie Léonard, Thierry Ardisson

  • Crítica

    29/02/2008 00h00

    A Era da Inocência é o primeiro filme dirigido pelo cineasta canadense Denys Arcand depois do fenomenal As Invasões Bárbaras (2003). Neste novo filme, o diretor investe mais num humor irônico e melancolia contida, causando menos "estragos" nas emoções do espectador após a exibição, se comparado com seu longa anterior.

    A primeira cena de A Era da Inocência engana. Uma bela mulher (Diane Kruger) está deitada nua, meio que acordando, enquanto um homem canta (no caso, o cantor nova-iorquino Rufus Wainwright). O público mais desavisado pode pensar que se trata de um musical, mas não é. Trata-se de uma fantasia futurista com cara de atualidade. O filme imagina um país tão perfeito que chega a ser chato. O personagem principal, Jean-Marc (Marc Labrèche), é um homem de família que trabalha como funcionário público. Sua mulher negocia imóveis e cumpre o papel de líder da casa. Ele não tem o menor respeito das suas filhas e nem da esposa. No trabalho, chega todos os dias atrasado, sob o olhar enfurecido de sua superior. Jean-Marc encontra na imaginação uma forma de conseguir escapar da realidade sufocante na qual vive - o que explica a primeira cena.

    A Era da Inocência funciona como uma alegoria contra o futuro insípido que a perfeição pode causar. A realidade idealizada pelo longa-metragem é tão esterilizada que o distanciamento entre as pessoas parece ser definido por um muro. O que é bastante pertinente para um país como o Canadá, onde vive o cineasta. A qualidade de vida é uma das maiores do mundo. No entanto, Arcand parece tentar avisar que, apesar disso, é possível que as pessoas se tornem cada vez mais distantes e geladas nessa busca pela perfeição pessoal. Ao mesmo tempo, um governo extremamente burocrático pode falhar ao "cuidar" de sua população exatamente por isso, pela burocracia inútil.

    O título original de A Era da Inocência é L'Âge Des Ténèbres, ou seja, algo como "A Era da Escuridão", o que explica muito melhor as intenções do diretor - que também assina o roteiro - do longa. A fotografia de tons e iluminação claros dialoga com a escuridão que se instaura nos personagens, de olhos metaforicamente tapados frente à realidade. Neste contexto, Jean-Marc parece ser o único a conseguir dissipar a fumaça escura e se permitir imaginar, como se, nesses momentos, conseguisse encontrar sua única válvula de escape à frieza.

    De uma forma leve e bastante irônica, Arcand explora esse cenário mais pessimista do que futurista, cuja trama é baseada num personagem aparentemente maluco, mas que se mostra mais esperançoso do que poderia numa época como a do filme.

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