Pôster de A esposa

A ESPOSA

(The wife)

2017 , 100 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 10/01/2019

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Björn Runge

    Equipe técnica

    Roteiro: Jane Anderson, Meg Wolitzer

    Produção: Claudia Bluemhuber, Mark Cooper, Meta Louise Foldager Sørensen, Piers Tempest, Piodor Gustafsson, Rosalie Swedlin

    Fotografia: Ulf Brantås

    Trilha Sonora: Jocelyn Pook

    Estúdio: Anonymous Content, Cometa Film, Film i Väst, Tempo Productions Limited

    Montador: Lena Runge

    Distribuidora: Alpha Filmes, Pandora Filmes

    Elenco

    Alix Wilton Regan, Annie Starke, Carolin Stoltz, Catharina Christie, Christian Slater, Dougie Rankin, Elizabeth McGovern, Glenn Close, Harry Lloyd, Jane Garioni, Jonathan Pryce, Karin Franz Körlof, Leo Horsfield, Max Irons, Michael Benz, Morgane Polanski, Nick Fletcher, Twinnie Lee Moore

  • Crítica

    02/03/2019 14h37

    Por Pedro Venturini

    A Esposa é um drama um tanto inquieto baseado no livro "The Wife" de Meg Wolitzer e dirigido pelo sueco Björn Runge que acompanha o casal Joan Castleman (Glenn Close) e Joseph/Joe Castleman (Jonathan Pryce) no momento em que ele se torna vencedor do Nobel de literatura.

    A trama tem início com Joseph recebendo uma ligação da acadêmia sueca revelando que ele havia vencido prêmio, e é a partir daí que o longa destacará a relação do casal de modo que faça o espectador compreender como Joan sempre é tida pelo marido como apenas uma companheira e apoiadora e não como também uma exímia escritora.

    Em meio as diversas tarefas de um vencedor do Nobel, como dar entrevistas, discursar, e ensaiar para a premiação, o longa passa a revelar as diversas crises existentes no relacionamento, como a infidelidade de Joe e os diversos casos que teve fora do matrimônio ao longo dos anos e sua postura de rebaixar Joan a um papel de uma esposa que apenas o auxilia e serve de inspiração para sua genialidade.

    É importante destacar que a atuação de Glenn Close é o que mantém o longa vivo, e o diretor soube bem utilizá-la com planos fechados que focam no rosto da atriz e em diversos momentos essa câmera mais próxima capta o misto de emoções que o longa busca transmitir e fazer entender pelo olhar da mulher em silêncio os sentimentos de solidão, passividade e amargura. As demais atuações não constroem laços profundos com a trama, tornando-se apáticas. Annie Starke (Joan jovem) e Harry Lloyd (Joe jovem) deveriam parecer cheios de energia e conflitos, mas acabam revelando pouco envolvimento entre sí, o que dificulta em justificar o amor de Joan atualmente por Joe. Temos como excessão o trabalho do experiente - e vencedor do Globo de Ouro - Cristian Slater como Nathaniel Bane, o insistente biografo de Joe que tenta a todo custo conseguir revelações sobre sua produção artística.

    Ao desenrolar da trama o espectador é cativado pelos acontecimentos que envolvem diversas revelações sobre o casal, e como isso leva a uma crise entre eles e o filho David (Max Irons). É no meio desse conflito, ainda há a insistência de Nathaniel em tentar revelar ao público a verdade sobre o vencedor do Nobel. É entre crises que o filme se sustenta, trazendo aos poucos os sentimentos de Joan em relação à premiação de Joe, como em certos momentos há uma passividade, em outros um desejo que de fosse ela a vencedora, e por fim, toda força que empenha em manter o legado do marido e sustentar as escolhas que fez.

    O uso de cores é um dos principais instrumentos do longa para criar a atmosfera necessária, com um início em tons claros de azul, e que ao decorrer da trama passam para tons mais escuros ressaltando a tristeza da mulher. O uso de tons pastéis também demonstra a evolução dos sentimentos retratados, principalmente nas cenas que se passam quando Joan e Joe ainda eram jovens escritores.

    Infelizmente, o longa peca consideravelmente em alguns momentos, como, por exemplo, nas cenas que se passam nas décadas anteriores, não condizendo com o tom da produção e parecendo estarem ali apenas para trazer as revelações necessárias sobre o enredo. Em suas cenas finais, A Esposa acaba se tornando um pouco corrido e com momentos que parecem tentar resumir a trama e amarrá-la para o desfecho que não satisfaz. Faltam os sentimentos e emoções conflituantes que permearam todo o decorrer da produção, deixando em aberto muito do que começávamos a compreender.

    A Esposa é um filme sobre uma mulher e sua capacidade de mesmo em conflito demonstrar sua força e sustentar suas escolhas. Além disso, é uma narrativa que nos revela como a atuação de uma atriz é capaz de nos levar a ignorar todos os pecados de um longa e fazer cada minuto diante da tela valer a pena.

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