A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE (2005)

A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE (2005)

(Charlie and the Chocolate Factory)

2005 , 111 MIN.

Gênero: Aventura

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Tim Burton

    Equipe técnica

    Roteiro: John August

    Produção: Brad Grey, Richard D. Zanuck

    Fotografia: Philippe Rousselot

    Trilha Sonora: Danny Elfman

    Estúdio: Plan B Entertainment, The Zanuck Company, Theobald Film Productions, Tim Burton Productions, Village Roadshow Pictures, Warner Bros. Pictures

    Elenco

    Adam Godley, Anna Sophia Robb, Annette Badland, Blair Dunlop, Chris Cresswell, Christopher Lee, Colette Appleby, Danny Elfman (voz), David Kelly, David Morris, Debora Weston, Deep Roy, Eileen Essell, Francesca Hunt, Franziska Troegner, Freddie Highmore, Garrick Hagon, Geoffrey Holder, Harry Taylor, Helena Bonham Carter, Hubertus Geller, James Fox, Johnny Depp, Jordan Fry, Julia Winter, Kevin Eldon, Liz Smith, Mark Heap, Menis Yousry, Missi Pyle, Nayef Rashed, Nitin Ganatra, Noah Taylor, Oscar James, Philip Philmar, Philip Wiegratz, Roger Frost, Shelley Conn, Steve Hope Wynne, Todd Boyce, Tony Kirwood

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    A primeira vez que o livro infantil A Fantástica Fábrica de Chocolate, escrito por Roald Dahl e publicado em 1964, ganhou as telas foi em 1971. A versão, dirigida por Mel Stuart, tornou-se um clássico do cinema. E, você sabe, refilmar um clássico nunca é fácil. Aí é que está a questão: A Fantástica Fábrica de Chocolate, de Tim Burton, não é uma refilmagem do longa de 1971, mas sim uma versão cinematográfica da história escrita por Dahl. Por isso, é importante se afastar de qualquer lembrança do filme anterior e entrar de cabeça nesse mundo mágico criado por Burton, certamente o cineasta ideal para esta adaptação.

    A figura central de A Fantástica Fábrica de Chocolate é Charlie Bucket (Freddie Highmore, de Em Busca da Terra do Nunca), um garoto tão pobre que mora em uma casa torta e come sopa de repolho todos os dias. Ele mora com seus pais (vividos por Helena Boham Carter e Noah Taylor) e quatro avós que não saem da cama. Um deles, o vovô Joe (David Kelly), já trabalhou na fábrica mais mágica da cidade, a de Willy Wonka (Johnny Depp), um excêntrico fabricante de doces que cria os mais malucos e inventivos do planeta. E é por sua figura que Charlie é fascinado. Seu sonho é conhecer a fábrica, mas sabe que nunca conseguirá, pois há anos ninguém nunca viu Willy Wonka sair de lá, ou mesmo alguém ultrapassar seus portões. Até que o empresário lança um concurso mundial: em cinco barras de seu chocolate, o Wonka Bar, há escondido um tíquete dourado que dá ao premiado o direito de visitar a fábrica. Cinco crianças serão as felizardas e Charlie sonha ser uma delas. Mas ele nunca come uma Wonka Bar, somente em seu aniversário. Enquanto crianças no mundo inteiro compram milhares e milhares de barras de chocolates, o bom e pobre menino tem poucas chances de conseguir o prêmio. Mas não é segredo para ninguém que ele consegue o último tíquete dourado graças a um tremendo golpe de sorte.

    Acompanhado do vovô Joe, Charlie junta-se às cinco crianças que também encontraram o grande prêmio. Da Alemanha temos Augustus Gloop (Philip Wiegratz), um menino glutão apaixonado por chocolate. Veruca Salt (Julia Winter) é uma menina mimada de dar raiva que só conseguiu a entrada à fábrica de Willy Wonka por que o pai comprou a maior quantidade de Wonka Bars que conseguiu para satisfazer os desejos da filha. Já Violet Beauregarde (AnnaSophia Robb) tem uma mãe (Missi Pyle, de Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas) que a educou para ser uma "vencedora" (daquelas que ganham todas as competições das quais participa e são extremamente competitivas). O quinto amiguinho nessa jornada é Mike Tavee (Jordan Fry), o tradicional "pirralho chato". Viciado em videogame, acha que sabe de tudo. É um típico exemplo dessas crianças modernas que são educadas por jogos eletrônicos e internet. Todos têm seus enormes defeitos de criação, exceto Charlie. Ele é aquela criança pobre, porém educadinha: respeita as outras pessoas, não é competitivo e divide tudo que pode. Sabendo que a promoção de Willy Wonka serve como avaliação do caráter de cada um dos visitantes, um por um eles vão sendo "eliminados" nas salas da fábrica, cujos trabalhadores (incluindo vovô Joe) foram demitidos para dar lugar aos fiéis Oompa-Loompas (todos vividos por Deep Roy), que ao menos não vendem aos concorrentes as fórmulas secretas de Willy Wonka como os antigos funcionários.

    A Fantástica Fábrica de Chocolate é uma deliciosa fábula infantil capaz de encantar aos adultos da mesma forma que fascina os pequenos. No mundo fantástico de Willy Wonka (exageradamente freak como um Michael Jackson da vida) as crianças "estragadas" não têm vez. Charlie, o garoto pobre e cheio de sonhos, é a prova de que luxo e mimos não são suficientes para criar uma criança, muito pelo contrário. O que pode soar como lições de vida batidas e óbvias tornam-se divertidas em meio a tantas cores e engenhocas da fábrica de Wonka. Que, por sua vez, é cheio de traumas relacionados ao pai (Christopher Lee). Mais do que doces e animais de estimação exóticos, o que deveria importar para as crianças de A Fantástica Fábrica de Chocolate é a família, base do caráter de qualquer um. E é esse o tesouro de Charlie Bucket.

    De qualquer forma, é impossível não cair na comparação entre esta e a primeira versão do livro. As cores psicodélicas continuam nos cenários, "turbinados" com as novas engenhocas apetitosas de Willy Wonka. A trilha sonora de Danny Elfman, antigo colaborador de Burton, é mais atual e menos presente se comparada à versão original. O destino dos personagens é basicamente o mesmo, mas algumas passagens não existem nesta versão, assim como os flashbacks - como o que conta parte da infância de Wonka - foram acrescentados. Entendo que o filme pode parecer um pouco piegas demais. E é. Afinal, trata-se de uma história infantil e moralista. Mas o papel de Tim Burton é torná-la atrativa e divertida, o que ele consegue com sucesso, mais uma vez, provando ser um cineasta que entende como ninguém como tornar concreta uma fábula como esta.

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