Pôster de A favorita

A FAVORITA

(The favourite)

2018 , 120 MIN.

14 anos

Gênero: Biografia

Estréia: 24/01/2019

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Yorgos Lanthimos

    Equipe técnica

    Roteiro: Deborah Davis, Tony McNamara

    Produção: Ceci Dempsey, Ed Guiney, Jennifer Semler, Lee Magiday, Yorgos Lanthimos

    Fotografia: Robbie Ryan

    Trilha Sonora: Alexis Bennett

    Estúdio: Element Pictures, Film4, Scarlet Films, Waypoint Entertainment

    Montador: Yorgos Mavropsaridis

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Anthony Dougall, Basil Eidenbenz, Ben English, Carolyn Saint-Pé, Declan Wyer, Denise Mack, Edward Aczel, Emma Delves, Emma Stone, Everal Walsh, Faye Daveney, Horatio, James Melville, James Smith, Jennifer White, Joe Alwyn, John Locke, LillyRose Stevens, Mark Gatiss, Nicholas Hoult, Olivia Colman, Paul Swaine, Rachel Weisz, Timothy Innes, Willem Dalby, Wilson Radjou-Pujalte

  • Crítica

    23/01/2019 16h17

    Por Daniel Reininger

    A Favorita é um longa pesado e bem executado, um drama ambientado num fictício século XVIII bastante selvagem, com foco na corte da rainha Ana da Grã-Bretanha. Conhecido pelo trabalho no ótimo O Lagosta, Yorgos Lanthimos tem se mostrado um dos grandes nomes do cinema atual e sabe como fazer uma grande história sombria para impactar o público, sempre com qualidade impecável e sem perder de vista o entretenimento. É por isso o filme foi indicado a 10 estatuetas no Oscar 2019.

    Lanthimos cria uma visão decadente e extremamente pomposa de uma corte tomada por excessos e abusos, reunida em um Castelo gigante, onde nobres de perucas e maquiagem se divertem com corridas de patos, danças, tiro ao alvo, humilhação alheia, abuso da criadagem e, paralelamente, tentam a todo custo ganhar o favor da Rainha, atualmente nas mãos de Sarah Churchill, Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz), que serve como olhos, ouvidos e conselheira da monarca. Ah sim, é também sua amante.

    O longa mostra um ambiente onde todo mundo está tramando contra todos e a hipocrisia política pode ser a linha tênue entre a queda e o sucesso. Esse mundo arrepiante é escrito com eloquência assustadora por Deborah Davis e Tony McNamara. Só que o problema é o que filme não é um retrato da época e sim uma visão da nossa sociedade atual, transferida para um passado distante para deixar tudo ainda mais absurdo e sombrio e permitir algumas boas metáforas.

    Em essência, o filme é um duelo entre duas primas vividas por Rachel Weisz e Emma Stone. Weisz, a Lady Sara, cresceu como a serva de confiança e confidente da rainha Ana (Olivia Colman), uma governante que não está bem de saúde e sofre de depressão. Sara é quem comanda o governo, enquanto a monarca se dedica aos seus coelhinhos de estimação.

    Abigail (Stone) já foi uma dama, mas seu pai jogou fora sua fortuna e seu bom nome e chegou até a perder a garota numa aposta. Ao ser acolhida pela prima, Abigail começa a planejar sua ascensão. O grande lance é que todos sabem o que estão fazendo e o que está acontecendo, mas ninguém hesita, deixando claro que todos têm suas razões para seus atos e escolhas, por piores que sejam.

    As atuações são impecáveis, destaque principalmente para Olivia Colman (The Crown), como uma monarca disfuncional. Hora vibrante, hora enfurecida, hora consumida pela melancolia, mas sempre manipuladora. Ela mescla esses humores de uma forma humana e é a personagem mais emotiva num filme que deixa claro que sentir demais em um mundo tão implacável é algo que ninguém, nem mesmo uma rainha, pode se dar ao luxo de fazer.

    Além das atuações incríveis do trio principal e também do elenco de apoio, a parte técnica do longa é impecável. A trilha sonora de música clássica é usada com muita ironia e reforça as diversas camadas dessa comédia dramática. A fotografia foca em panorâmicas e mesmo os quartos parecem maiores do que provavelmente são.

    Os cenários reforçam cada questão tratada no longa, como o tiro ao alvo no belo jardim, escolhido como ponto de encontro entre as primas em diversos momentos. No início dessas reuniões, mostram a suposta fragilidade da novata, que mal consegue atirar, depois a igualdade entre as duas e finalmente ameaça que uma representa à outra, tudo num cenário bucólico e num momento de suposta diversão das primas.

    Detalhes como esse fazem de A Favorita algo genial, muito bem pensada e capaz de realmente trazer um retrato duro da sociedade atual. Apesar do peso de seus temas, é um filme extremamente interessante e reflexivo, mas também prazeroso de assistir, tanto pela qualidade, quanto pela forma como cada questão é abordada. Yorgos Lanthimos continua a entregar uma obra mais convincente que a outra e, caso você ainda não conheça o diretor, deve ir ao cinema conhecer essa obra.

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