A FESTA DA MENINA MORTA

A FESTA DA MENINA MORTA

(A Festa da Menina Morta)

2008 , 110 MIN.

18 anos

Gênero: Drama

Estréia: 11/06/2009

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Matheus Nachtergaele

    Equipe técnica

    Roteiro: Hilton Lacerda, Matheus Nachtergaele

    Produção: Vania Catani

    Fotografia: Lula Carvalho

    Estúdio: Bananeira Filmes

    Distribuidora: Imovision

    Elenco

    Cássia Kiss, Daniel de Oliveira, Dira Paes, Jackson Antunes, Juliano Cazarré, Paulo José

  • Crítica

    17/06/2009 11h03

    A Festa da Menina Morta é estreia do ator Matheus Nachtergaele (Baixio das Bestas) na direção de um longa-metragem, cuja primeira exibição em público ocorreu no prestigiado Festival de Cannes, onde fez parte da mostra Um Certo Olhar.

    O longa de Nachtergaele costuma silenciar a platéia com sua história forte, contundente e trágica. "A palavra deste ano é a dor", diz Santinho (Daniel de Oliveira) num momento importante do filme. A mesma dor que o filme passa ao espectador, que ganha um nó na garganta ao tomar contato com a angústia do longa-metragem. E, de fato, a entrega do ator no papel do protagonista deste filme é impressionante. Existe uma força, uma intensidade na composição do complicado Santinho que é impossível não se comover e se angustiar com o personagem.

    A história de A Festa da Menina Morta gira em torno da religião. Santinho (Daniel de Oliveira) é um jovem que vive sem sua mãe (Cássia Kiss), que cometeu suicídio. Quando ele encontra os trapos de uma menina de sua cidade que havia desaparecido, é aclamado como santo pela população local, que celebra esse milagre com a tal da festa que dá nome ao longa.

    A questão ambígua do personagem e a ausência da figura materna de sua vida é um dos elementos que foram bastante comentados quando o longa foi exibido no último Festival de Cannes, em maio deste ano. Falou-se muito sobre uma cena que envolve incesto, questão que evidentemente choca. Mas a cena é filmada de uma forma bonita, não é nem um pouco apelativa, então o que realmente pesa é a questão do incesto mesmo, mas, particularmente, acho outra idéia no filme igualmente (ou mais) chocante: como uma cidade toda se mobiliza numa festa, elege um jovem como santo - sendo que isso não fica nem um pouco claro, ele é mais um menino perturbado, fruto do meio e das pessoas que o cercaram (ou deixaram de, no caso da mãe), do que realmente santo - e ora pelos pedaços da roupa de uma menina que desapareceu? A menina, o mais importante dessa coisa toda, não voltou, então onde está o milagre? Essa ausência de elementos para se acreditar que se vê entre a população do povoado, que no filme não tem nome, ao mesmo tempo em que existe a necessidade de crer em algo maior, é triste.

    Exceto pelos personagens principais, os atores do longa são todos moradores de Barcelos e é realmente incrível o trabalho de preparação que foi feito com este núcleo do elenco, já que não são atores profissionais. Eles contracenam de uma forma natural e sua interpretação é tão intensa quanto o filme precisa. A fotografia, assinada por Lula Carvalho (filho do também fotógrafo de cinema Walter Carvalho), é primorosa, trabalhando o tempo todo com as cores da floresta, do figurino, e a luz - em sua ausência, na maioria das vezes.

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