Pôster de A Floresta de Jonathas

A FLORESTA DE JONATHAS

(A Floresta de Jonathas)

2012 , 98 MIN.

12 anos

Gênero: Drama

Estréia: 29/11/2013

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Sérgio Andrade

    Equipe técnica

    Roteiro: Sérgio Andrade

    Produção: Sandro Fiorin, Sérgio Andrade, Sidney Medina, Warly Bentes Jr.

    Fotografia: Yure César

    Trilha Sonora: Begê Muniz, Ian dos Anjos

    Estúdio: Figa Films, Rio Tarumã Filmes, VT Quatro Filmes

    Montador: Fábio Baldo

    Elenco

    Alex Lima, Begê Muniz, Chico Díaz, David Almeida, Francisco Mendes, Ítalo Castro, João Tavares, Maria Maciel, Socorro Papoula, Viktoryia Vinyarska

  • Crítica

    26/11/2013 12h56

    Este filme produzido e ambientado no Estado do Amazonas vai de encontro àquela máxima que diz terminar bem o que começou bem. A Floresta de Jonathas tem início atraente: somos apresentados aos poucos a uma família (pai, mãe e dois irmãos) que moram à beira de uma rodovia nas proximidades de Manaus.

    Eles cultivam frutas tropicais e as vendem numa barraca às margens da estrada. Cabe a Jonathas (Begê Muniz) e seu irmão mais velho, Juliano (Ítalo Castro), cuidar da vendinha e atender os fregueses. Percebemos neste prólogo que o diretor e roteirista Sérgio Andrade preocupa-se em distanciar seu filme dos estereótipos relacionados à região. Os irmãos Jonathas e Juliano são dois jovens como outros quaisquer.

    Estudam, trabalham e gostam de se divertir. Jonathas é mais recolhido, reflexível. Juliano é expansivo, descolado e não perde a oportunidade de deixar o irmão mais novo tomando conta da barraca sozinho enquanto passa a tarde se divertindo com freguesas da quitandinha. Sua atitude provoca brigas com o pai, que o considera irresponsável. Uma típica família brasileira vivendo seus conflitos cotidianos.

    Até aqui A Floresta de Jonathas é um filme. Acompanhamos o desenrolar de uma trama sobre a vida de pessoas comuns. Há um conflito anunciado e este diz respeito a um acampamento de fim de semana que os irmãos pretendem fazer ao lado do indígena Kedassere (Alex Lima) e de uma turista estrangeira chamada Milly (Viktoryia Vinyarska). O pai não quer que Jonathas vá, teme que o garoto, mais próximo dele, se deixe influenciar pelo irmão mais velho e sua clara insatisfação com a vida simples que leva.

    Mesmo mais introspectivo e apegado ao pai – a quem pede autorização para ir ao tal acampamento diversas vezes –, Jonathas resolve ignorar o conselho paterno, arruma a mochila na calada da noite e parte com o irmão e os novos amigos para o fim de semana de diversão. O passeio acaba se revelando um drama para o jovem rapaz depois que se embrenha na floresta atrás de uma fruta exótica para presentear Milly.

    Estabelecido o conflito central, não sem certa demora, era só seguir a diante e concluir o filme. Mas não. Isso seria simples demais e alguns cineastas brasileiros têm sérios problemas com a simplicidade. Sérgio Andrade achou necessário complicar, mudar o ritmo narrativo, flertar com o realismo fantástico, dar voz à floresta, pontuar o filme aqui e ali com cenas que não dizem absolutamente nada assim como nada acrescentam ao enredo.

    E estas são muitas. Numa delas Jonathas, Juliano e Milly estão caminhando pela floresta e dão com uma estrada. Cruzam com um grupo de skatistas, todos indígenas. Já existe bastante informação reflexiva na cena: a estrada asfaltada cruzando a floresta, os índios vestidos como brancos e deslizando sobre skates. Bastava. Mas o diretor resolve fazer um corte e colocar os personagens principais olhando com estranhamento para a câmera (que faz a perspectiva do olhar dos índios). Segue-se mais um corte e vemos os índios, que acabaram de serem mostrados descendo a estrada despreocupados, enfileirados e olhando impassíveis para a câmera (dessa vez fazendo a perspectiva dos protagonistas). O que essa cena acrescenta ao filme? Nada.

    A Floresta de Jonathas vai deixando outros hiatos e perguntas pelo caminho: o pai que pega um cajado e sai dando porrada numas árvores próximas na manhã seguinte em que foi confrontado pelo filho. Tempos depois o vemos transtornado, caminhado por uma estrada com o cajado na mão, a câmera tensa às suas costas. Este personagem esconde algo, pensamos. Está prestes a fazer alguma coisa impensada. É agora...

    Não, ele só está indo visitar um amigo (participação especial de Chico Diaz) e pedir conselhos sobre a criação dos filhos. Para piorar, há aqui a tentativa de se fazer humor com uma piadinha sobre passarinho e cena dos amigos caminhado com um celular atrás de sinal. Nada contra a comicidade, mas esta não cabia aqui justamente por só está presente neste ponto do filme, deslocada.

    No quarto final, concentrado nas desventuras de Jonathas na floresta, temos um filme que não sabemos mais o que é nem onde quer chegar. A esta altura, com o enredo já fragilizado pela instabilidade, outras fraquezas vão se evidenciando, como a falta de capacidade dos atores em oscilar entre tantas perspectivas e abordagens.

    A Floresta de Jonathas é um filme bem fotografado, tem edição de som caprichada e bons enquadramentos. Se o diretor não tivesse se enveredado por tantos caminhos diferentes num mesmo longa, o que começou bem teria acabado bem e confirmado o adágio.

     

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