Pôster - A Forma da Água

A FORMA DA ÁGUA

(The shape of water)

2017 , 123 MIN.

16 anos

Gênero: Drama

Estréia: 01/02/2018

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Guillermo del Toro

    Equipe técnica

    Roteiro: Guillermo del Toro, Vanessa Taylor

    Produção: Guillermo del Toro, J. Miles Dale

    Fotografia: Dan Laustsen

    Trilha Sonora: Alexandre Desplat

    Estúdio: Bull Productions, Double Dare You (DDY), Fox Searchlight Pictures

    Montador: Sidney Wolinsky

    Distribuidora: Fox Film

    Elenco

    Alexey Pankratov, Allegra Fulton, Brandon McKnight, Cameron Laurie, Clyde Whitham, Cody Ray Thompson, Dan Lett, Danny Waugh, David Hewlett, Deney Forrest, Diego Fuentes, Doug Jones, Dru Viergever, Edward Tracz, Evgeny Akimov, Jayden Greig, John Kapelos, Jonelle Gunderson, Karen Glave, Lauren Lee Smith, Madison Ferguson, Martin Roach, Marvin Kaye, Michael Shannon, Michael Stuhlbarg, Morgan Kelly, Nick Searcy, Nigel Bennett, Octavia Spencer, Richard Jenkins, Sally Hawkins, Sergey Nikonov, Shaila D'Onofrio, Stewart Arnott, Vanessa Oude-Reimerink, Wendy Lyon

  • Crítica

    31/01/2018 17h23

    Romances entre humanos e criaturas não são novidade na sétima arte. Desde clássicos eternizados como A Bela e A Fera e King-Kong, passando pelo universo bizarro e extraordinário de Tim Burton e seu Edward Mãos De Tesoura, até o fenômeno teen Crepúsculo com seus vampiros e lobos galãs, o cinema sempre gostou de mostrar casais não-convencionais, afinal "aquele que ama o feio, bonito lhe parece".

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    Geralmente, essas histórias são uma forma metafórica de questionar tabus ou pregar sobre o amor incondicional entre diferentes de uma forma lúdica e diplomática - principalmente na época em que assuntos socialmente delicados não eram tão comuns no entretenimento.

    Em A Forma da Água, o pai dos monstros Guillermo Del Toro bebe dessa fonte até não poder mais. Com a influência - admitida do clássico O Monstro Da Lagoa Negra (1954), o diretor encontra um jeito de abordar temas atuais e relevantes sem deixar de lado o tom lúdico pelo qual sua obra é conhecida.

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    A trama acompanha a sonhadora Eliza, interpretada com muita competência por Sally Hawkins. Muda desde criança, ela mora com seu melhor amigo Giles (Richard Jenkins) e trabalha como faxineira em um laboratório.

    Um dia, ela descobre que uma criatura, com aparência meio anfíbia, meio humana, está sendo mantida em cárcere e maltratada pelo carrasco Richard Strickland (Michael Shannon), a personificação do racismo, sexismo e complexo de superioridade que assolam a sociedade estadunidense.

    Eliza se compadece imediatamente com o monstro, já que vê a criatura como tão diferente e vítima das circunstâncias quanto ela. Determinada a salvá-lo dessa situação, ela contará com a ajuda de Giles, da companheira de trabalho e amiga Zelda (Octavia Spencer) e de Dr. Robert Hoffstetler (Michael Stuhlbarg), um cientista que se encontra em um dilema moral.

    Diante dos seus concorrentes ao prêmio de melhor filme, A Forma da Água pode até soar branco quanto ao seu teor militante. De fato, o filme não tem uma a crítica tão direta a sociedade racista quanto Corra!, nem a representatividade LGBT de Me Chame Pelo Seu Nome, entretanto está longe de ser apolítico.

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    Através de alegorias, Del Toro expõe estruturas sociais precárias e também faz a sua reprimenda contra o machismo, exemplificado pelo marido de Zelda, a homofobia sofrida por Giles e também o racismo, como na cena em que um casal negro é discriminado em uma lanchonete. Ver esses personagens se apoiando mutuamente em torno de um objetivo final, como num grito dos silenciados, também é bastante inspirador.

    A abordagem desses assuntos vinda de um mexicano se faz extremamente necessária e corajosa diante das declarações problemáticas dadas pelo presidente Trump, líder da nação mais influente do planeta. O diretor também não perde a oportunidade de satirizar a paranóia anticomunista e as tensões da era da corrida espacial contra a União Soviética.

    O maior mérito de A Forma da Água, porém, está na construção de seus personagens. O longa não apenas nos dá o suficiente para criarmos empatia com aquelas figuras como também nos concede o privilégio de presenciar o desabrochar de cada uma deles com uma sensibilidade que cabe a poucos filmes.

    Esteticamente, a produção acerta em cheio ao recriar a aura dos anos 60, trazendo à tela elementos característicos da época e fazendo uma ode aos musicais e shows de TV, além de uma trilha sonora que inclui até a estrela brasileira Carmen Miranda. O diretor de fotografia Dan Laustsen optou por relacionar a fotografia a elementos "marítimos", mantendo as cenas em tons de verde e azul. O uso mínimo de CGI também é uma escolha sábia e confere uma naturalidade ao monstro que não encontramos no mais recente A Bela e a Fera, por exemplo.

    Quanto a atuação, Eliza é realmente o trabalho da carreira de Sally Hawkins - que antes já tinha chamado a atenção das grandes premiações por Blue Jasmine. A atriz consegue demonstrar doçura e coragem quando é necessário a sua personagem.

    Spencer continua sendo a excelente atriz de sempre, mas o seu papel não lhe permite ir além do que já vimos dela em longas anteriores. Já Shannon consegue dar conta de seu vilão Richard Strickland mesmo com um papel excessivamente caricato.

    Como nem tudo são flores, a produção também dá as suas derrapadas. Além de alguns furos de roteiro e cenários irreais - como faxineiras tem livre acesso a um laboratório de segurança máxima? - o longa pode se tornar enfadonho em alguns momentos e a pegada de "conto de fadas" não deve agradar a todos. A visão dualista de alguns personagens também merece uma observação, afinal nem tudo na vida é "8 ou 80".

    A Forma da Água encanta pela sua simplicidade e aura de pureza. Mesmo com uma trama bastante convencional, Del Toro prova que um filme não precisa de grandes reviravoltas para ser considerado bom. Como toda boa jornada do herói, nem sempre o que importa é onde chegaremos, mas sim como será o caminho até lá.

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