A FUGA DAS GALINHAS

A FUGA DAS GALINHAS

(Chicken Run)

2000 , 85 MIN.

Gênero: Comédia

Estréia:

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  • Ficha técnica

    Direção

    • Nick Park, Peter Lord

    Equipe técnica

    Roteiro: Karey Kirkpatrick

    Produção: David Sproxton

    Fotografia: Frank Passingham, Tristan Oliver

    Trilha Sonora: Harry Gregson-Williams, John Powell

    Elenco

    Jo Harvey Allen, John Sharian, Julia Sawalha, Laura Strachan, Lisa Kay, Mel Gibson, Miranda Richardson

  • Crítica

    22/05/2009 11h03

    Irresistível. Talvez seja este o melhor adjetivo para definir a animação A Fuga das Galinhas, destaque entre as estréias cinematográficas deste final de semana esticado. Estados Unidos e Inglaterra investiram 42 milhões de dólares para financiar o primeiro longa metragem da dupla Nick Park e Peter Lord. Desconhecidos do grande público de uma forma geral, Park e Lord são os criadores dos personagens Wallace e Gromit, uma hilariante dupla de bonecos de massinha formada por um homem e seu cão. Figuras sempre presentes nas disputas pelos prêmios Oscar de curtas metragens, os dois cineastas/animadores destilam inteligência e bom humor neste longa de estréia.

    A idéia básica nasceu da aventura de guerra Fugindo do Inferno, onde Steve McQueen e seus companheiros faziam das tripas coração para tentar escapar de um campo de concentração nazista. Aqui, porém, McQueen e os outros atores de carne e osso são substituídos por simpáticos galináceos moldados em plasticine, recheados de siliconex e revestidos por uma pele de látex, enquanto o campo de concentração se transforma no galinheiro mais opressor da história do cinema.

    Combatendo o conformismo e valorizando a liberdade, A Fuga das Galinhas mostra uma simpática galinha que não aceita passar toda a sua vida atrás de uma cerca do arame farpado. Movida pela crença de que existe um mundo melhor lá fora, ela cria planos mirabolantes para escapar do galinheiro. Esbarra, porém, com duas grandes dificuldades básicas: sua incapacidade de voar por sobre a cerca, e o cérebro - literalmente - de galinha de suas companheiras.
    Até que um dia um suposto galo voador aparece no lugar (dublado por Mel Gibson, nas raras cópias legendadas disponíveis nos cinemas brasileiros), alimentando novas esperanças para todos.

    Nestes tempos de imagens digitais e realidade virtual, A Fuga das Galinhas foi todo produzido "na raça", dentro do mais tradicional sistema "stop motion" (quadro a quadro), como nos antigos filmes de Simbad, o Marujo, lembram? Para cada personagem, a produção moldava vários bonecos em tamanhos diferentes, visando o melhor aproveitamento das escalas dos cenários, que também variavam entre si. E cada uma das galinhas utilizava um conjunto de 60 diferentes bicos, um para cada expressão facial. Não por acaso, o filme demorou três anos para ser feito, e empregou mais de 300 técnicos, animadores e artesãos. Imagens computadorizadas só foram usadas para as simulações de cena.

    O resultado é impressionante. As galinhas têm vida própria, personalidade, graça, movimento, tudo. O roteiro é um pequeno hino de amor à liberdade e uma crítica ao inconformismo. E é simplesmente impossível não cair na gargalhada várias vezes durante a projeção.

    A Fuga das Galinhas marca a mais do que bem-sucedida associação dos animadores ingleses Park e Lord com o todo poderoso produtor americano Jeffrey Katzenberg, sócio de Spielberg na Dreamworks, e que durante muitos anos foi um dos grandes responsáveis pelas polpudas bilheterias dos desenhos da Disney. Com tudo isso, parece impossível que o filme não tenha várias continuações.



    21 de dezembro de 2000
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    Celso Sabadin é jornalista especializado em cinema desde 1980. Atualmente é crítico de cinema da Rede Bandeirantes de Rádio e Televisão e do Canal 21. Às sextas-feiras é colunista do Cineclick. [email protected]

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